Stewart minimiza recordes de Hamilton e diz que “Fangio é o maior piloto que já viveu”

O escocês, tricampeão mundial de F1, apontou que grande número de corridas por temporada e carro dominante da Mercedes ajudam o hexacampeão a alcançar os expressivos números de sua carreira

Jackie Stewart mostrou nadar contra a maré quando o assunto é apontar o maior piloto da Fórmula 1. Analisando a atual fase da principal categoria do automobilismo, o escocês, hoje com 81 anos e dono dos títulos das temporadas de 1969, 1971 e 1973 afirmou que a quebra de recordes não garante o título de melhor da história para Lewis Hamilton.

O hexacampeão mundial está a uma vitória e um campeonato de igualar as marcas de Michael Schumacher – 91 triunfos e sete títulos. Ainda, tem outros números bastante expressivos, sendo o piloto que mais conseguiu pódios, 159, mais pole-position, 96, maior quantidade de Grand Chelem (combinação de pole, vitória de ponta a ponta e volta mais rápida numa mesma corrida) em uma temporada, três.

Entretanto, Jackie não se deixou levar pelas conquistas de Lewis. Na visão do ex-piloto, não há espaço para comparações porque são tempos distintos.

“Não acredito que pode colocar na conta esse tipo de sucesso. Nos dias de hoje, há 20, 22 corridas. Para mim, Juan Manuel Fangio é o maior piloto que já viveu, Jim Clark é o segundo, à frente até mesmo de [Ayrton] Senna. Mas eles correram apenas seis, oito corridas na Fórmula 1. Pilotavam carros de GT, etc”, disse ao podcast Fast Lane.

“Hoje os campeões, Lewis ou qualquer outro, correm 22 corridas — e só na Fórmula 1. Não em carros de turismo, GT, Indy. A pressão é muito menor. Claro que precisam ir para a fábrica e o simulador, mas não é a mesma coisa. É um mundo diferente”, continuou.

Fórmula 1, Jackie Stewart, Lewis Hamilton
Stewart não vê Hamilton como maior piloto da F1 (Foto: Reprodução)

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O tricampeão ainda apontou que a era de domínio da Mercedes joga contra Hamilton. “Lewis pilota extremamente bem, não comete erros. Não estou aqui para diminuir seu talento, mas não é a mesma coisa. [Fangio] Pilotava de uma maneira extraordinária – escolheu a Ferrari e depois pensava ‘bem, a Maserati pode ir bem no ano que vem’, então, não assinava contrato por mais de um ano”, apontou.

“Depois pilotou para a Mercedes e venceu dois mundiais com eles, pois tinham o melhor carro naquela época. Lewis fez uma ótima escolha quando deixou a McLaren e foi para a Mercedes. Tiro meu chapéu por essa decisão. Mas, sinceramente, o carro e o motor são tão superiores que é quase injusto com o resto do pelotão”, seguiu.

“É preciso tirar o chapéu para a Mercedes, Toto Wolff e Niki Lauda por fazerem uma equipe incrível, por escolher os melhores engenheiros. Não é o mesmo respeito, se quiser, de fazer isso com menos do que o melhor carro. E é aí que esteve a diferença entre os melhores dos melhores pilotos e daqueles que tiveram muito sucesso”, continuou.

“É difícil dizer isso sobre Lewis, sobre não ser tão bom quanto Fangio foi. Meu irmão era piloto e ia com ele nas corridas, via Alberto Ascari, Tazio Nuvolari, Rudolf Caracciola e caras assim. Vi alguns dos melhores pilotos do mundo. Dizer que Lewis é o melhor de todos os tempos é apenas difícil de justificar para mim”, concluiu.

Quem também falou do assunto foi Sebastian Vettel. O alemão admitiu ter sentimentos mistos quanto às conquistas de Hamilton, pois mesmo feliz pelo adversário, disse estar triste pelos recordes batidos, já que Michael Schumacher é seu herói.

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