Stroll merece aplausos, mas Verstappen é favorito após atuação extra-classe na Turquia

Lance Stroll voltou a mostrar que tem, sim, seu valor em uma tarde chuvosa na Turquia. Max Verstappen, mesmo derrotado na classificação após erro estratégico da Red Bull, teve performance grandiosa e é o homem a ser batido no domingo da Fórmula 1

Max Verstappen tem direito e razão de estar puto com a perda daquela que seria a maior pole-position da carreira e uma das maiores da história da Fórmula 1. Não é exagero. O que fez Verstappen neste sábado (14) na Turquia tem de ser registrado com a grandeza necessária: em uma pista sem aderência e encharcada, a sequência de voltas que o colocava em primeiro lugar no Q2 eram uma exaltação de sua indiscutível qualidade. Eram quase 2 segundos de vantagem para o companheiro, Alexander Albon, e entre 3 a 5 segundos melhor que as Mercedes de Lewis Hamilton e Valtteri Bottas. Mas no Q3, a Red Bull, rainha das estratégias, tirou-lhe o primeiro lugar.

Verstappen era novamente o mais rápido, mas o avanço das Racing Point usando pneus intermediários na Turquia provocava alguns sustos. Enquanto Sergio Pérez já aparecia em primeiro, a Red Bull arrancava os ‘wets’ de Max para seguir o exemplo da rival. É bem verdade que se tratava da escolha natural, mas faltou tato ao time de Christian Horner em observar que os demais pilotos não estavam rendendo com os pneus de faixa verde. Foi o que aconteceu rapidamente: ‘I have no grip’, resmungou o piloto reclamando da falta de aderência.

E ainda assim, Verstappen se colocou em segundo no grid da Turquia.

Lance Stroll calou críticos na Turquia (Foto: Beto Issa)

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Sobre Lance Stroll, algumas palavras. Também é bem verdade que a carreira deste rapaz tenha sido marcada por chacotas e desdéns. Não fosse o tal ‘paitrocínio’, o canadense certamente teria ficado para trás. Lawrence investiu parte de sua incontável grana na compra das equipes pelas quais o filho passou. Há de ter um lugar ad æternum na Racing Point, na Aston Martin, no nome que tiver. Com a tal Mercedes rosa, é obrigação entregar bons resultados. Que não vêm a rodo, muito pelo contrário: depois que teve diagnóstico positivo para coronavírus, Stroll teve desempenhos medíocres. Mas o rapaz incrivelmente é bom de chuva – isso já havia sido notado na classificação do GP da Itália de 2017, quando largou em segundo. E no ‘holiday on ice’ de hoje, merece aplausos de pé.

O fato é que Stroll tem de parecer muito melhor do que ele eventualmente é. Por não conseguir na maioria das vezes, leva a pecha de pagante e ruim. Um Sebastian Vettel em sua vida talvez lhe traga a maturidade e o conhecimento para dar o próximo passo. Há algo a ser lapidado. Vai demorar? Vai. Mas é possível encontrar algum talento que o deixe em evidência.

Também tem este Pérez. Dias atrás, o mexicano analisou a carreira e disse que, se tiver de deixar a Fórmula 1, vai deixá-la com “orgulho”. No longínquo ano da graça de 2012, Pérez fez um megacampeonato pela Sauber. Quase ganhou o GP da Malásia daquele ano. Foi constantemente ao pódio. Não se pode dizer que 2020 esteja muito atrás: a temporada que Sergio faz é digna de nota. Em todas as provas que terminou, pontuou. Hoje, a pole parecia sua. Mas ser terceiro não é, nem um pouco, um resultado ruim. Falta a prova deste domingo e outras três. Pérez pode sorrir com orgulho pelo que faz.

A previsão do tempo indica que não haverá chuva neste domingo. Por tudo que fez também nesta sexta, nos treinos livres, Verstappen é amplamente favorito. Até a Mercedes reconhece que, em qualquer condição, não o alcança. O destino foi duro com Max neste sábado – e a cena dele sentado e desolado em um corredor nos boxes do Istambul Park é de cortar o coração. O domingo não pode ser tão severino assim. Há um desafio, entretanto, que não pode ser ignorado: o piloto da Red Bull larga do lado sujo da pista, que tem aderência quase nula. Caso consiga evitar perda colossal de posições nos primeiros metros, segue em posição muito forte para buscar o segundo triunfo de 2020.

Max Verstappen perdeu a batalha, mas não a guerra (Foto: Red Bull Content Pool)

Essa posição favorável de Verstappen só é possível por conta de uma situação imprevisível até 48h atrás: a Mercedes está perdidinha na Turquia. A equipe não acertou nada até aqui, seja no seco, seja no molhado. Se perguntarem ao Toto Wolff o nome da cidade em que está, capaz de responder Constantinopla. Isso se reflete na performance dos pilotos: Lewis Hamilton e Valtteri Bottas largam em sexto e nono, algo raríssimo em tempos de amplo domínio das Flechas de Prata.

O que mais surpreende é que, no caso de Hamilton, a posição final não é fruto de um grande erro na classificação. Lewis acertou suas voltas e, convenhamos, é referência em pilotagem na chuva. A classificação molhada do GP da Estíria, lá em julho, deixou isso bem claro. Terminar 4s7 mais lento que Stroll é fruto simplesmente de um carro que não ornou com a pista. Valtteri Bottas, que terminou a sexta-feira se gabando do interesse por ralis e por carros saindo de traseira, rodou no Q3 e acabou com as chances de ser pelo menos melhor que o companheiro.

Hamilton e Bottas vão largar em condições de recuperar terreno, já que a Mercedes provavelmente será ao menos um pouco melhor com pista seca. Só que, pela primeira vez em muito tempo, falar em vitória talvez seja pedir demais. Não é problema para Lewis, que precisa apenas somar 8 pontos a mais que Valtteri para erguer o caneco da F1 em 2020.

Por mais que não esteja claro se será fácil ultrapassar no GP da Turquia, já há motivos de sobra para acordar mais cedo e ligar a televisão. As cartas no baralho da F1 foram embaralhados e as variáveis, com perdão da cacofonia, são várias.

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