Títulos, boicote e acidente grave: como foram as corridas da F1 durante as Olimpíadas?

Conflito de datas entre Fórmula 1 e Olimpíadas é marcado por títulos mundiais e acontecimentos históricos do esporte, como medalhas de bronze de Vanderlei Cordeiro de Lima e ouro de Rebeca Andrade

O mundo do esporte está em festa. Na última sexta-feira (26), teve início oficial a 33ª edição dos Jogos Olímpicos. A sede é Paris, na França, assim como 100 anos atrás. Mas nem o maior evento esportivo do mundo é capaz de parar a Fórmula 1, que realizará o GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps, neste fim de semana, sendo a 17ª corrida na história do Mundial a acontecer de forma simultânea com as Olimpíadas. O GRANDE PRÊMIO relembra as demais ocasiões.

O primeiro Mundial de Fórmula 1 a acontecer em ano de Olimpíada foi em 1952, quando os jogos aconteceram em Helsinque, na Finlândia. E apesar de um calendário muito mais enxuto que o atual, o conflito aconteceu com o GP da Alemanha, realizado no dia 3 de agosto, que marcou a cerimônia de encerramento dos jogos. No Nürburgring Nordschleife, o italiano Alberto Ascari venceu pela quarta vez seguida e conquistou o primeiro de seus dois títulos mundiais por antecipação.

Enquanto os conflitos de data passaram ilesos pelos jogos de Melbourne, em 1956, as Olimpíadas em Roma, quatro anos depois não escaparam, e justamente com o GP da Itália, que até hoje é a única corrida da história a acontecer no mesmo país dos Jogos Olímpicos. A prova, realizada em 4 de setembro, foi marcada pelo boicote das equipes inglesas, que protestaram contra a decisão de correr no combinado dos circuito misto e oval de Monza, por motivos de segurança. O caminho ficou livre para a Ferrari, que varreu o pódio e viu a vitória do piloto americano Phil Hill.

Foram 12 anos sem corridas ‘olímpicas’. E o retorno do conflito de calendário aconteceu novamente na Itália, dia 12 de setembro de 1972, e com um dos dias mais importantes do automobilismo brasileiro. Enquanto o esporte mundial se reunia na controversa Olimpíada de Munique, Emerson Fittipaldi, de Lotus, venceu a prova em Monza e se tornou o mais jovem campeão mundial da história e primeiro do Brasil.

Emerson Fittipaldi se tornou o primeiro brasileiro campeão mundial, em 1972, pela Lotus (Foto: Reprodução)

Enquanto as Olimpíadas aconteciam em Montreal, em 1976, a Fórmula 1 estava agitada pela rivalidade entre James Hunt e Niki Lauda, na primeira vez em que o campeonato realizou duas corridas no período olímpico. No GP da Inglaterra, vitória do austríaco da Ferrari; enquanto que na Alemanha, em Nürburgring, triunfo de Hunt, em corrida marcada pelo horroroso acidente de Niki, que sofreu gravíssimas queimaduras no rosto e sofreu sérios riscos de morte.

Nada de corridas durante os Jogos de Moscou, em 1980, mas o choque de datas aconteceu nas Olimpíadas de Los Angeles, em 1984. Desta vez, o GP da Alemanha, agora em Hockenheim, viu a vitória do francês Alain Prost, da McLaren, com Niki Lauda em segundo. A rivalidade entre ambos viu a menor margem de distância de título da história, com o austríaco levando o tricampeonato mundial ao fim da temporada com apenas 0.5 ponto de vantagem.

Em Seul 88, mais vitórias de Prost e o mesmo fim de quatro anos antes: insuficientes para o título. O piloto francês da McLaren levou os GPs de Portugal e da Espanha enquanto os principais esportistas do mundo se reuniam na Coreia do Sul. Mas não foi suficiente para tirar o primeiro caneco de Ayrton Senna corridas depois.

Nas Olimpíadas de Barcelona, em 1992, a Fórmula 1 realizou mais uma vez o GP da Alemanha, em Hockenheim, no dia seguinte ao da abertura: 26 de julho. Como praxe daquela temporada, o triunfo ficou com Nigel Mansell, da Williams. Hockenheim, por sinal, receberia mais uma prova ‘olímpica’ quatro anos depois, durante os Jogos de Atlanta, agora com Damon Hill no topo do pódio, em 28 de julho de 1996.

A vitória de Schumacher em Indianápolis (Foto: Fórmula 1)

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Já nos primeiros jogos do novo milênio, em Sydney, a Fórmula 1 realizou uma corrida já na reta final do campeonato. Michael Schumacher venceu o GP dos Estados Unidos, realizado em 24 de setembro, que marcou a primeira prova da categoria no misto de Indianápolis, e retomou a liderança do Mundial em cima do rival Mika Häkkinen, partindo para o terceiro título, que seria também o primeiro pela Ferrari. Naquele dia, também aconteceu uma das maiores zebras da história das Olimpíadas: o americano Rulon Gardner desbancou o russo tricampeão olímpico Alexander Karelin na final da categoria super-peso-pesado da luta greco-romana.

No retorno das Olimpíadas a Atenas, em 2004, duas corridas da F1. O GP da Hungria foi vencido por Michael Schumacher, que fez história ao conquistar o sétimo título mundial no GP da Bélgica, vencido pelo finlandês Kimi Räikkönen, da McLaren. A prova aconteceu no dia 29 de agosto, dia de encerramento dos jogos e famoso pela polêmica derrota do brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima, na maratona. Vanderlei liderava a prova com menos de 8 km para o fim quando foi empurrado pelo padre irlandês Neil Horan. Acabou se contentando com o bronze.

Nos jogos de Pequim, em 2008, mais uma vez a Fórmula 1 realizou corrida no dia do encerramento do evento. Foi o GP da Europa, no circuito urbano de Valência, vencido pelo brasileiro Felipe Massa, de Ferrari. No mesmo dia, a seleção americana de basquete masculino — o popular ‘The Redeem Team’ —, comandada por Lebron James, Kobe Bryant e companhia, venceu a final olímpica sobre a Espanha. E foi um excelente dia para os Estados Unidos nos esportes coletivos, também desbancando o Brasil na final do vôlei masculino.

Em 2012, em Londres, apenas um evento da Fórmula 1 ocupando o espaço olímpico. Foi o GP da Hungria, vencido pelo inglês Lewis Hamilton, da Mercedes. Já no Rio de Janeiro, em 2016, foi a primeira vez em 36 anos que não houve o choque de datas, com todo o período de férias do Mundial coincidindo com a primeira edição das Olimpíadas na América do Sul.

Já os jogos de Tóquio, em 2021, coincidiram com uma das corridas mais malucas dos últimos tempos na Fórmula 1: a primeira vitória de Esteban Ocon, com a Alpine. Naquele mesmo 1º de agosto, Rebeca Andrade levou a medalha de ouro no salto, tornando-se a primeira ginasta brasileira campeã olímpica.

GRANDE PRÊMIO acompanha AO VIVO e EM TEMPO REAL todas as atividades do GP da Bélgica de Fórmula 1 e transmite classificação e corrida em segunda tela, em parceria com a Voz do Esporte, na GPTV, o canal do GP no Youtube. Além disso, debate tudo que aconteceu na pista com o Briefing após treinos livres e classificação, além de antes e depois da corrida. No sábado, às 7h30 (de Brasília, GMT-3), acontece o TL3, ao passo que a classificação será às 11h. Por fim, no domingo, os pilotos disputam a corrida em Spa-Francorchamps a partir das 10h.

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