Tri como ídolo Senna, Hamilton enfim domina campeonato e começa a se colocar no nível dos grandes da F1

Lewis Hamilton sempre disse que gostaria de ter a chance de alcançar os feitos do ídolo Ayrton Senna na F1. Já conseguiu: são 43 vitórias e três títulos mundiais. Agora a discussão passa a ser outra: ele já um dos grandes da história da F1? Ainda não, mas está no caminho e muito perto de chegar lá

Michael Schumacher, Juan Manuel Fangio, Alain Prost, Sebastian Vettel, Jack Brabham, Jackie Stewart, Niki Lauda, Nelson Piquet, Ayrton Senna e, a partir deste domingo (25), Lewis Hamilton, com a vitória obtida no GP dos EUA.

De 750 pilotos que já largaram em GPs de F1, somente estes nove conquistaram ao menos três títulos, e é assim que o britânico de 30 anos começa a ganhar o status de lenda no automobilismo.

 
Começa, porque a discussão não é tão simples assim.
 
Stewart, um dos tricampeões, passou o recado:
 
“Ele é um piloto de ponta. Você não pode usar a palavra ‘grande’ enquanto ele ainda estiver correndo, em minha opinião. Leva anos para obter esse status.” 
 
Jackie aproveitou para citar outro escocês que, embora não tenha chegado ao tri, ao menos entrou para a história como o melhor de sua década. “No caso do Jim Clark, ele foi grande, mas infelizmente depois ele morreu. Mas ele era o principal piloto do seu tempo”, citou.
 
Adiante.
Lewis Hamilton comemora vitória e título em Austin (Foto: Getty Images)
Hamilton, 30, é o segundo piloto mais novo a alcançar o tricampeonato. Vettel tinha 25 em 2012; Ayrton Senna, 31 em 1991. Por outro lado, nenhum outro precisou de tantas largadas para conquistar o o terceiro título. Esta foi a 164ª corrida de Lewis na F1.
 
As oportunidades perdidas e o modo como os campeonatos foram conquistados certamente pesam para ainda haver certa dúvida com relação ao status de ‘lenda’ de Hamilton. Outro fator que dificulta: quanto mais o tempo passa, mais difícil se torna alcançar o nível dos maiores. O sarrafo sobe e as comparações são frequentes e cruéis.
 

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Em todas as suas nove temporadas, Hamilton teve em mãos um carro, que se não era sempre bom o bastante para a luta pelo título, era ao menos vencedor, tanto que venceu ao menos uma prova por ano desde 2007.
 

O primeiro título, no entanto, foi conquistado por questão de 500 metros, na última curva da última corrida de 2008, com uma ultrapassagem que valeu a quinta posição. Foi o melhor final de campeonato da história, mas não foi uma campanha tão convincente assim, marcada por certa inconsistência e alguns erros. Sem mencionar que, na corrida decisiva, ele mal deu conta de fazer o necessário.
 
É bem possível que os rumos da F1 fossem diferentes se Hamilton, tão promissor e talentoso, não tivesse sido o campeão de 2008.
 
De qualquer forma, ele foi campeão, e é isso que importa.
A comemoração de Hamilton pelo título de 2008 (Foto: Getty Images)
As oportunidades perdidas foram em 2007 e em 2012. No primeiro ano, por culpa dele, que errou nas duas corridas decisivas. No último, a falta de confiabilidade custou caro, e em duas ocasiões ele perdeu a liderança por causa de problemas mecânicos. Ainda perdeu um pódio no GP da Europa por causa de uma trapalhada de Pastor Maldonado e foi coletado no acidente múltiplo da largada do GP da Bélgica. Em 2012, a McLaren era no mínimo tão boa quanto a Red Bull. E ainda houve 2010, quando ele chegou à última corrida com chances contra Alonso, Mark Webber e o campeão Vettel.
 
Um fato é que a mudança para a Mercedes, na temporada 2013, fez muito bem para Hamilton. Fora do casulo, ele conseguiu ir aos poucos se afirmando cada vez mais.
 
E 2015 foi o ano para iniciar de vez essa transição rumo ao grupo das lendas do esporte. Pela primeira vez, Hamilton conseguiu dominar um campeonato. Ele é o líder desde o GP da Austrália, e jamais deu chances nem a Nico Rosberg, nem a Vettel.
 
Ok, vão dizer que só impôs tal domínio por causa do carro. Pode ser. Mas todas as lendas citadas tiveram em mãos, em algum momento, carros melhores que os rivais.
Em Suzuka, onde Senna conquistou seus três títulos, Hamilton faturou a 41ª vitória (Foto: AP)
Dentre essas nove vitórias, uma delas foi bem especial: a que o colocou no mesmo do patamar do ídolo Senna.
 
Quando garoto em Stevenage, uma cidade média nos arredores de Londres, Hamilton cresceu admirando Senna e a McLaren. E, ainda na infância, ganhou a chance de correr apoiado justamente pela equipe inglesa. Contra todas as apostas, não só chegou à F1 como também se tornou um dos três principais pilotos de sua geração. Contra todas as apostas porque, afinal de contas, ele foi o único negro a correr na categoria em 65 anos de história, e o fez graças ao próprio talento, uma vez que não veio de uma família abastada.
 
Hamilton, desde que chegou à F1, nunca falou  em buscar recordes ou coisas do tipo. Apenas queria ser igual a Senna, e conseguiu. Tem três títulos e uma vitória a mais que o brasileiro.
 
Daqui em diante, tudo que Hamilton fizer só o deixará cada vez mais perto de se tornar uma lenda. Hoje, o que mais impressiona em seu currículo? O número de vitórias. 43 triunfos é muita coisa, e ninguém ganha isso à toa. Ele já é o terceiro maior vencedor da história.
 
E, afinal, o que falta? Vencer uma grande batalha direta contra outro campeão certamente ajudaria. Hamilton quer este desafio. Vem mostrando há algum tempo esse desejo, destacando como seria interessante a Ferrari melhorar de modo que permitisse a Vettel encará-lo em 2016.
 
Hamilton pode ainda não ser uma lenda viva do automobilismo, mas está no caminho para chegar lá — e não deve demorar.

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