UE coloca Mazepin e pai na lista de sancionados após encontro com Putin

Às vésperas do início da pré-temporada no Bahrein, o ex-piloto da Haas Nikita Mazepin e seu pai, Dmitry, foram adicionados à lista de sanções da União Europeia por conta das ligações com o governo de Vladimir Putin

A um dia do início dos testes da Fórmula 1 no Bahrein, Nikita Mazepin, ex-piloto da Haas, e seu pai, Dmitry, foram colocados dentro de uma lista de sanções aplicadas pela União Europeia. A medida foi tomada pelo Conselho da União Europeia, nesta quarta-feira (9), e se deve ao fato de que a família tem ligações com o governo de Vladimir Putin.

O documento informou que Dmitry Mazepin, proprietário da Uralkali, ex-patrocinadora da equipe americana, teve um encontro com o Putin, em 24 de fevereiro, quando começou a invasão russa na Ucrânia. A reunião contou com outros 36 empresários e tinha como objetivo discutir o provável impacto do conflito. A UE tem notificado diversos oligarcas russos que apoiam as ações de Putin. No caso, Dmitry e Nikita são acusados de “apoiar ou implementar ações ou políticas” que ameaçam a Ucrânia, dando suporte financeiro ao governo russo.

O relatório segue: “O fato de ter sido convidado a participar desta reunião mostra que é um membro do círculo mais próximo de Vladimir Putin e que está apoiando ou implementando ações ou políticas que prejudicam ou ameaçam a integridade territorial, a soberania e a independência de Ucrânia, bem como estabilidade e segurança na Ucrânia.”

Dmitry Mazepin num dos encontros com Vladimir Putin, com quem tem relação próxima (Foto: Reprodução/Kremlin)

Ainda, sobre Nikita e em que pese sua demissão da Haas, a União Europeia entende que é “uma pessoa ligada a um importante empresário envolvido em setores econômicos que fornecem uma fonte substancial de receita ao governo da Rússia”.

As consequências do conflito no leste europeu não passaram ao largo da Fórmula 1, portanto. Reagindo a um pedido da Federação de Automobilismo da Ucrânia, a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) determinar que pilotos e equipes russos e bielorrussos sigam competindo, mas com bandeira neutra. A entidade também estendeu a medida para seus membros.

Na esteira, o órgão que rege o esporte e a Fórmula 1 decidiram encerrar o vínculo com os promotores da corrida em Sóchi, oficializando o cancelamento da etapa, que seria realizada em setembro.

Como uma bola neve, a Haas também agiu rápido e optou por desfazer o acordo robusto que tinha com a empresa russa Uralkali. Essa ação resultou ainda na demissão de Nikita.

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Como resposta, o piloto se mostrou surpreso com a decisão do time de Gene Haas e afirmou que não teve sequer chance de negociar. “Não tinha razão legal para a equipe encerrar o contrato a partir do momento que a FIA nos deixou correr com bandeira neutra. Eu aceitei ser neutro e queria assinar uma carta para isso, mas não me deram tempo”, disse Mazepin, em entrevista coletiva em Moscou.

“Fiquei sem o sonho pelo qual lutei por 18 anos da minha vida e sem defesa para isso”, seguiu.

“A equipe me disse que se a FIA deixasse, não haveria problema. Eu acreditava 100% nas palavras de Steiner, alguém que respeitava como homem e chefe de equipe, mas não ouvi nada da equipe de que isso ocorreria. Soube da minha dispensa, como todo mundo, pela imprensa. Eu não merecia isso”, acrescentou.

Mazepin afirmou que ainda se vê na Fórmula 1 no futuro, mas revelou que vai se dedicar a Fundação ‘We Compete As One’ (‘Competimos como um’, em tradução livre), que pretende utilizar os recursos que a Uralkali cobra de volta da Haas para apoiar atletas que não podem competir por causa do conflito entre Rússia e Ucrânia.

Nikita Mazepin deixou a Haas após o fim do patrocínio da Uralkali (Foto: Haas F1 Team)

Entenda o conflito entre Rússia e Ucrânia:

No último dia 21 de fevereiro, o presidente russo Vladimir Putin reconheceu, em decreto, a independência das províncias separatistas ucranianas de Donetsk e Luhansk. O movimento gerou sanções da União Europeia e dos Estados Unidos ao governo e a empresas russos, aumentando também o medo de um confronto na região.

A tensão escalou de vez no leste europeu no 24 de fevereiro, quando a Rússia atacou a Ucrânia em um movimento classificado por Kiev como uma “invasão total”. Às 5h45 [23h45 de quarta-feira, no horário de Brasília], Putin anunciou em um pronunciamento uma “operação militar especial” para “proteger a população do Donbass”, uma área de maioria étnica russa no leste ucraniano.

O comando militar russo alega que “armas de precisão estão degradando a infraestrutura militar, bases aéreas e aviação das Forças Armadas da Ucrânia”. Na TV, Putin afirmou que a Rússia não planejava uma ocupação da Ucrânia, mas ameaçou com uma resposta “imediata” qualquer um que tentasse interromper a operação. O mandatário russo recomendou que os soldados ucranianos se rendam e voltem para casa. “Do contrário, a própria Ucrânia seria culpada pelo derramamento de sangue”, avisou.

Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky decretou lei marcial em todo o país, instaurando regime de guerra e convocando grande parte dos reservistas das forças armadas – inclusive impedindo que qualquer homem entre 18 e 60 anos de idade saiam do país nos próximos 30 dias.

De acordo com a ACNUR, a agência da ONU para Refugiados, mais de 2 milhões de pessoas já deixaram a Ucrânia, mas esse número pode saltar para até 5 milhões.

Em resposta, o ocidente aumenta cada vez mais as sanções impostas a Rússia. Na terça-feira (8), os Estados Unidos anunciaram a proibição total da importação de petróleo, gás e carvão russos. O Reino Unido, por outro lado, vai eliminar gradualmente o uso de petróleo russo até o final do ano, enquanto a União Europeia quer cortar em dois terços a demanda por gás russo.

A crise militar é uma das maiores desde a Segunda Guerra Mundial e a mais grave da Europa envolvendo uma potência nuclear.

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