F1

Williams dá primeiro passo em 2019, mas falha em apagar impressão de barco naufragado na pré-temporada

Tanto se queria ver a nova Williams para ver se a crise ficava mais próxima do fim. Não é bem assim: a existência do FW42 não resulta em ritmo imediatamente bom ou mesmo no fim do calvário que 2019 há de ser. No extremo oposto da moeda, Toro Rosso e Alfa Romeo aparecem em primeiro e segundo, respectivamente com Daniil Kvyat e Kimi Räikkönen, como possíveis surpresas agradáveis

Grande Prêmio, de Barcelona / VITOR FAZIO, do Circuito da Catalunha
A Williams está realmente em Barcelona. Não só pilotos, Claire Williams e mecânicos – agora o FW42, que antes sequer existia, chegou aos boxes catalães dois dias após o previsto. Deu até para somar voltas, 23 delas, com George Russell ao volante. Uma visão mais otimista poderia definir a quarta-feira (20) como um dia de progresso, mas talvez otimismo seja mais do que os britânicos fazem por merecer até aqui. Com carro ou sem carro, com quilometragem ou sem quilometragem, a impressão segue igual: de que 2019 vai ser um ano tão sofrido quanto possível para a turma de Grove.
 
Isso porque persistem as previsões iniciais de que o FW42 não nasceu bem. A Williams teve a chance de, mesmo que só com carro disponível durante o turno da tarde, mostrar que tem chance de reagir. O que se viu foi Russell, após 23 giros, ter como melhor tempo 1min25s625. Daniil Kvyat, com a nem tão impressionante assim Toro Rosso, liderou com 1min17s704. O déficit gira na casa de 7s9. Sim, é fato que a escuderia britânica é capaz fazer mais nos próximos dias e amanhã mesmo já deve ser capaz de cortar alguns desses segundos. A questão é que estamos falando de um buraco fundo: apesar de tudo, como acreditar que Russell ou Robert Kubica vão conseguir tirar 7s do bolso?
George Russell em um raro momento com o FW42(Foto: Williams)
Para não ser plenamente pessimista, está claro que a Williams não vai ser tão lenta quanto se viu hoje. Tanto Russell quanto Paddy Lowe, diretor-técnico, comentaram que o dia foi voltado às voltas de instalação, com a missão de detectar problemas mecânicos – que não apareceram, vale lembrar. Mesmo assim, causa surpresa que um ritmo ainda não tão forte tenha sido suficiente para fazer George quase rodar sozinho na aproximação da chicane.
 
E isso é para falar só do que acontece na pista. Fora dela, temos uma equipe sem lideranças sólidas: Claire Williams é alvo de todas as críticas possíveis e até mesmo a permanência de Lowe já começa a ser questionada. Como garantir estabilidade aos que vêm nos cargos abaixo?
 
Situação totalmente diferente é vista na Alfa Romeo, que teve seu melhor dia até aqui em termos de velocidade e voltas. A antiga Sauber, que em 2016 viveu situação análoga à da Williams em termos de crise, segue tirando proveito da curva crescente. Ainda é cedo para dizer onde essa curva chega em 2019, mas Kimi Räikkönen dá grandes impressões. O finlandês quase liderou, sendo superado por pouco por Daniil Kvyat no fim. Mais importante ainda: foram 138 voltas, o melhor número de um único piloto na quarta-feira. É bem provável que a equipe italiana não chegue perto do desempenho de Mercedes, Ferrari e Red Bull, trio que está longe de ter uma pré-temporada ruim, mas parece ter um bólido robusto como trunfo para a empreitada de 2019.
A Alfa Romeo, além da boa quilometragem, aparece com bons tempos(Foto: Alfa Romeo)
A Toro Rosso, mais rápida com Kvyat, também leva pontos no quesito. Foram 137 voltas, indicando que o motor Honda funciona sem grandes problemas em termos de confiabilidade. Para Faenza, vale o mesmo conselho da Alfa Romeo: a imensa dificuldade de buscar o top-3 de equipes da F1 não deve virar impeditivo para a busca por um bom resultado no Mundial de Construtores, ainda mais com rivais como Haas, Racing Point e até mesmo Renault surgindo com problemas distintos nos primeiros dias de trabalho.
 
Na verdadeira dianteira da F1 – a que a tabela de tempos da quarta-feira tempo ofuscar –, o terceiro dia de pré-temporada foi de estabilidade. A Ferrari seguiu com tempos de volta bastante convincentes, além de não transparecer nenhum problema mecânico. Sebastian Vettel foi responsável pelo carro vermelho, sendo o quarto mais rápido com 134 giros. Em linha gerais, nada muito diferente do que se viu nos dois dias anteriores: uma equipe forte, que não tenta esconder o bom carro e que ainda trabalha com cautela.
 
A Mercedes, por sua vez, pode dizer que teve um dia um pouco melhor do que os dois primeiros. Não por tempos de volta, que ainda estão muito altos e deixam Lewis Hamilton e Valtteri Bottas perto da lanterna, mas por quilometragem. Foram incríveis 182 giros na soma das duas sessões, impondo uma derrota clara ao clã ferrarista, com 48 voltas a menos.
Sebastian Vettel voltou a causar boa impressão (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)
Como você pode imaginar, o W10 passou esse tempo todo sem sofrer contratempos mecânicos. É verdade que as informações iniciais são de que a asa dianteira da Mercedes não é um acerto em cheio, sendo menos eficiente que a da Ferrari, mas não dá para negar que o carro prateado tem uma base das melhores. Quando Toto Wolff e companhia resolverem trazer companhia, mas ser para levar adiante um modelo que não causa problema nenhum.
 
A Red Bull, que passou os últimos anos como a menos forte das três equipes de ponta, seguiu cumprindo o papel na pré-temporada. A equipe esteve rápida e teve volta apenas 0s4 pior que a de Vettel, mas ao custo de ter 109 giros, número consideravelmente menor ao visto em Ferrari e Mercedes.
 
Com o terceiro dia de pré-temporada já no passado, a Fórmula 1 se aproxima perigosamente da metade do período de testes. A segunda semana de atividades em Barcelona, entre os dias 26 e 1º, vai ser a última chance de aprendizado antes do GP da Austrália, em 17 de março.

GRANDE PRÊMIO cobre ‘in loco’ a pré-temporada da F1 em Barcelona com os repórteres Evelyn Guimarães, Vitor Fazio, Eric Calduch e o fotógrafo Xavi Bonilla. Acompanhe tudo aqui.