Williams retrocede e corre atrás de Ozempic para pesado FW48 na Fórmula 1 2026

A Williams bem que gostaria que existisse um medicamento estilo Ozempic na Fórmula 1 para ajudá-la no trabalho de redução de peso do FW48, que tem atrapalhado bastante o desempenho de Carlos Sainz e Alexander Albon. A equipe, no entanto, também tem outros problemas para resolver e corre contra o tempo para tentar recuperar o protagonismo no pelotão intermediário

Se a Williams já tinha uma montanha para escalar no objetivo de alcançar as equipes do pelotão de cima da Fórmula 1, o desafio ficou ainda maior com a chegada do novo regulamento. Isso porque a escuderia liderada por James Vowles, que deu passos importantes em 2025, tem sofrido principalmente com a questão do sobrepeso e também com o chamado “problema das três rodas”, deixando Carlos Sainz e Alexander Albon com dificuldades de superar, inclusive, as rivais do pelotão intermediário.

Na temporada passada, o time de Grove terminou em quinto lugar no Mundial de Construtores, com 137 pontos na conta. Para surpresa de todos, o espanhol do #55 até foi capaz de desbancar Ferrari, McLaren, Mercedes e Red Bull em determinados momentos para conquistar três pódios — Azerbaijão, Catar e sprint de Austin —, algo inimaginável para um conjunto que se encontrava muito atrás do top-4. Como resultado, as expectativas aumentaram em relação ao que os azuis poderiam aprontar nas novas regras, já que abandonaram o projeto anterior mais cedo para focar totalmente no FW48.

Mas o otimismo logo se transformou em preocupação. No fim de janeiro, a Williams perdeu o shakedown em Barcelona após ser reprovada nos testes de impacto da Federação Internacional de Automobilismo (FIA). A necessidade de ajustes estruturais de última hora comprometeu o cronograma e o planejamento para a temporada. Semanas depois, nos testes do Bahrein, a equipe até reagiu parcialmente, sendo a terceira que mais completou voltas — embora a quilometragem acumulada não tenha escondido as limitações do novo carro.

Antes mesmo do GP da Austrália, etapa que abriu os trabalhos, Sainz alertou que os ingleses “não estavam no mesmo nível do ano passado”, apostando em uma evolução ao longo do campeonato. Com um carro 28 kg mais pesado, conforme o próprio Vowles admitiu, o espanhol cruzou a linha de chegada na 15ª posição — duas voltas atrás do vencedor George Russell — em Melbourne, ao mesmo tempo em que Albon conseguiu ser ligeiramente melhor e concluiu em 12º. É importante destacar, porém, que seis pilotos não começaram ou completaram a prova, incluindo Oscar Piastri, Nico Hülkenberg e Isack Hadjar.

Na semana seguinte, no GP da China, o time viveu uma verdadeira montanha-russa de emoções. Depois de ver a configuração da suspensão do #23 ser alterada, o que o faria sair do pit-lane, o tailandês nem sequer largou devido a um problema hidráulico descoberto momentos antes do início da prova. O espanhol, por outro lado, passou ileso e completou as 56 voltas em uma ótima nona posição, garantindo os únicos 2 pontos somados pelos azuis até aqui no Mundial de Construtores.

Carlos Sainz somou os únicos pontos da Williams até aqui no GP da China (Foto: Williams)

Ainda que os dois carros tenham conseguido largar no GP do Japão, o resultado final não melhorou: Albon foi o último dentre aqueles que completaram a corrida, enquanto Sainz teve de se contentar com o 15º lugar, comprovando que a briga da Williams é mesmo contra Cadillac e Aston Martin em um tipo de segunda divisão do pelotão intermediário. E o cenário não deve mudar tão cedo, com Vowles admitindo que a escuderia vai precisar de seis etapas para resolver a questão do sobrepeso do FW48.

“A maior parte dos problemas está relacionada ao peso. Reduzir o peso do carro não é complicado. Tenho muitos e-mails falando não apenas sobre como reduzi-lo, mas até sobre como ficar bem abaixo do peso mínimo. Essa possibilidade existe para nós. Se este fosse um mundo sem o teto de custos, eu começaria isso amanhã. Estaria resolvido em poucas semanas, mas não é assim. Então, é preciso planejar com base em quando esses componentes chegam ao fim da vida útil e quando vamos introduzir atualizações mais adiante na temporada”, afirmou o dirigente.

A pausa forçada da F1 durante o mês de abril, com o adiamento das etapas no Bahrein e na Arábia Saudita, abriu uma janela de cinco semanas entre a corrida em Suzuka e o retorno em Miami, no dia 3 de maio, e deu tempo à Williams para que entendesse melhor as próprias fraquezas. A tendência é que a equipe desembarque nos Estados Unidos com atualizações relevantes em áreas essenciais como assoalho e carroceria, visando uma melhora na eficiência aerodinâmica e na recuperação de downforce, além de mudanças profundas no chassi, com redução de peso de diversas peças.

Mas Albon não mentiu quando disse que a lista de problemas é “enorme e surpreendente”. O emagrecimento é apenas uma das necessidades mais urgentes, considerando que os dois pilotos demonstraram preocupação com a falta de aderência nos pneus dianteiros — que se agravou no Japão —, o que causa a sensação de o carro estar andando com três rodas em determinadas curvas. Essa questão, inclusive, é antiga, mas havia sido corrigida no ano passado, retornando agora para assombrar.

Williams contratou Dan Milner, ex-Mercedes, para reforçar área técnica (Foto: Williams)

O fenômeno acontece quando uma das rodas — normalmente a traseira interna — perde contato efetivo com o solo em curvas, comprometendo tanto a aderência mecânica quanto a estabilidade aerodinâmica. O resultado é um carro imprevisível e com baixo nível de confiança para o tailandês e o espanhol.

“Se pensarmos no que aconteceu até agora este ano, de modo geral, como todos estão correndo com menos downforce, o problema parece estar mais em evidência. Portanto, é apenas uma área na qual estamos focados. O pneu não está realmente no ar, mas, se você observar, ele simplesmente não tem a mesma área de contato com o solo que os outros três”, explicou Albon.

Desta forma, a Williams sabe que tem muito trabalho pela frente para retomar o ótimo caminho evolutivo que havia encontrado até o ano passado. Para isso, anunciou recentemente a contratação de Dan Milner para a função de chefe de engenharia de tecnologia de veículos, já que o britânico atuou por 14 anos na Mercedes e possui ampla experiência em áreas como simulação, design e integração de unidades de potência. Em Grove, terá como foco a assimilação entre diferentes frentes — como hardware, simulação e testes — para transformar conceitos técnicos em ganhos de desempenho na pista.

Mesmo que a fase não seja das melhores, a equipe já provou anteriormente que tem ferramentas e pessoas capacitadas para dar a volta por cima. Claro, o atraso neste início de temporada 2026 não foi uma boa notícia para o ambicioso plano de se colocar entre as principais forças da F1 em um futuro próximo, mas também não é o fim do mundo. Ainda há muita coisa para acontecer neste ano e também nos próximos, com todos ainda buscando entender muito bem como lidar com as novas regras.

A Williams trabalha para retomar o protagonismo no pelotão intermediário (Foto: Williams)

É bom destacar que a Williams conta com a unidade de potência da Mercedes, a mais forte do grid, o que significa que ainda há muito desempenho a ser extraído à medida que os ingleses passem a entender como o propulsor exatamente funciona. Com melhorias esperadas no chassi e um bom potencial no lado do motor, o time de Vowles pode, pelo menos, vislumbrar um futuro mais promissor na luta contra as adversárias do pelotão intermediário.

Fórmula 1 entrou em hiato após a suspensão dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita e retorna no fim de semana de 1º a 3 de maio com o GP de Miami.

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