Williams toma caminho fácil ao manter Sargeant e põe em xeque temporada 2024

A Williams decidiu dar uma segunda chance a Logan Sargeant em 2024, após um desastroso ano de estreia. A equipe esperou até onde deu para bater o martelo e, no fim, escolheu um caminho conservador. É bem verdade que o apoio financeiro pesou, mas também é justo dizer que a opção pelo norte-americano pode custar muito caro

Como se esperasse algum milagre divino, a Williams enrolou até o último momento para bater o martelo e renovar o vínculo com Logan Sargeant. O anúncio feito nesta sexta-feira (1) preencheu a peça que faltava no quebra-cabeças da F1 para 2024 e ainda abriu um novo capítulo na história: é a primeira vez, em mais de 70 anos de jornada, que a principal categoria do esporte a motor não vê mudança alguma no grid de uma temporada para outra. Tudo por conta de uma decisão conservadora da equipe de Grove — e que pode ter um preço alto ainda.

A segunda vaga na garagem inglesa permaneceu em aberto até uma semana depois do fim da temporada, algo extremamente raro na F1 atual. Portanto, é justo pensar que havia, sim, alguma dúvida com relação à renovação ou não do piloto de Fort Lauderdale. Ou que havia, ao menos, algumas opções sob a mesa de James Vowles. É claro que parte dessa incerteza também tem ligação com o potencial aporte financeiro, o que, no caso de Logan, não é exatamente um problema. A questão aqui é que a temporada de estreia de Sargeant se mostrou consideravelmente cara e pouco competitiva.

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O novato fechou o ano na liderança de um ranking inglório: o de maior prejuízo financeiro. Ao todo, os acidentes do americano custaram aos cofres do time britânico cerca de R$ 21 milhões. E embora a Williams hoje tenha por trás um fundo de investimento, ninguém rasga dinheiro. Além disso, houve uma significativa disparidade técnica na comparação com Alex Albon.

É até compreensível que se minimize alguns aspectos, mas, no geral, o tailandês não tomou conhecimento do companheiro de equipe (27 pontos a 1 no Mundial de Pilotos). Alex venceu Sargeant em todas as sessões de classificação, impondo um humilhante 22 x 0. Logan também jamais terminou uma prova à frente do colega. E ainda que tenha sido a estreia e em um carro difícil, a diferença de performance é gritante e não pode ser desconsiderada.

Uma das pistas que Sargeant destruiu sua Williams foi Suzuka (Foto: Williams)

A verdade é que Sargeant foi alçado ao posto de titular cedo demais. A Williams o promoveu apenas depois de uma única temporada na F2 em 2022. Tudo bem que o piloto norte-americano cresceu na fase final daquela temporada da categoria de acesso e garantiu os pontos da superlicença, apesar dos treinos que a equipe britânica lhe forneceu para isso, mas, ainda assim, a impressão que fica, após esse ano inicial, é que Logan precisaria ao menos de mais um campeonato de base antes de subir.

Porque em diversas vezes, Sargeant precisou da ajuda dos boxes para entender o funcionamento dos pneus — a corrida com pista molhada em Mônaco foi um desses momentos. O próprio Logan reconheceu as dificuldades extremas que enfrentou em 2023. “Foi complicado usar todo o downforce do carro. Pode ser surpreendente quanta aderência existe e é difícil se acostumar com isso”, disse.

“Basta encontrar o nível limite entre aderência e downforce. Sinto que houve uma pequena mudança onde agora entro em uma curva de alta velocidade e sei praticamente onde está o limite.”

Ainda viveu uma fase terrível de acidentes em corrida e classificação. É justo colocar aqui, também, que houve 1 ponto nos EUA, devido à desclassificação de Lewis Hamilton e Charles Leclerc, além de atuações mais sólidas, como em Las Vegas. Mesmo assim, velhos problemas se repetiram, como os erros no Q1 em Abu Dhabi, 22 etapas após a estreia. E isso coloca um enorme ponto de interrogação sobre até onde pode chegar a evolução de Sargeant e se será suficiente. E se não for, muito provavelmente essa será sua última oportunidade na F1.

Albon foi o principal responsável pela sétima posição da Williams na F1 em 2023 (Foto: Williams)

Quer dizer, ainda falta certa quilometragem e, desse ponto de vista, até dá para entender a decisão da Williams, que nunca negou, no papel do chefão Vowles, apreciar uma segunda chance. No entanto, é honesto dizer também que a Williams precisa de alguém mais assertivo ao lado de Albon, se quiser ir além em 2024. Simplesmente, a equipe não tem fichas o bastante para apostar apenas em um piloto, por melhor que ele seja.

E com um pelotão cada vez mais compacto — a aproximação da AlphaTauri nas corridas finais é uma prova —, o cenário todo pedia uma posição menos conservadora e mais atrevida. Não é como se não houvesse opções. Depois da boa atuação ao substituir Daniel Ricciardo, Liam Lawson é um nome que deveria ser o primeiro da lista e alguém que talvez a Williams pudesse ter procurado, em um caminho semelhante ao de Albon. Théo Pourchaire, atual campeão da F2, é outro que poderia ter sido melhor avaliado. E mesmo Felipe Drugovich, apesar da ligação com a Aston Martin.

No fim das contas, a Williams agiu quase como a Alfa Romeo/Sauber, que enrolou e acabou no mais do mesmo por alguns milhões, que certamente não terá de volta. A diferença aqui é que a esquadra de Grove tem potencial e está muito viva no grid.

Às vezes, menos é mais.

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