Ausências de Fittipaldi e Doohan na briga trazem copo meio vazio para decisão da F2
Enzo Fittipaldi brilhou com a Charouz e foi para uma equipe de ponta para brigar pelo título da Fórmula 2 2023. Jack Doohan chegou a ser cotado para a Alpine na F1 e foi apontado pelo CEO da F2 como futuro campeão. Nada disso aconteceu, e a expectativa frustrada deixa a impressão de que falta algo para a final em Abu Dhabi
A melhor safra em tempos da Fórmula 3 somada a nomes que deixaram 2022 cercados de altas expectativas criaram um dos melhores cenários para a temporada 2023 da Fórmula 2. De um lado, as promessas Victor Martins, Zane Maloney, Oliver Bearman, Isack Hadjar. Do outro, Théo Pourchaire, Jack Doohan, Enzo Fittipaldi. Só que, na prática, além dos veteranos terem dominado os novatos com certa facilidade, o campeonato chega à sua etapa final, em Abu Dhabi, com a sensação de que o copo ficou meio vazio por conta da ausência de alguns nomes em especial.
Primeiro, há de se reconhecer que Pourchaire e Frederik Vesti como principais postulantes ao título (com Ayumu Iwasa nada disposto a correr atrás de um milagre) é justo. O primeiro lidera com confortáveis 25 pontos de vantagem graças à regularidade ímpar que o levou a dez pódios. Já o segundo foi o piloto que mais venceu na temporada, cinco vezes, portanto seria estranho não vê-lo ao menos com chances de levantar o caneco. Esse foi o desenho de toda a temporada e será mais uma vez o confronto final que será visto em Abu Dhabi.
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Só que também é preciso admitir que esperava-se mais, ou melhor, esperava-se mais candidatos na decisão. No início da temporada, antes mesmo da rodada do Bahrein, que abriu o campeonato, o CEO da F2, Bruno Michel, apontou Iwasa e Doohan como principais candidatos ao título. O primeiro até conseguiu chegar lá, ainda que precise dos 39 pontos da etapa para sair de Yas Marina campeão, mas Doohan passou longe, muito longe. Chegou a admitir que lutava para se sentir confiante com o carro da Virtuosi por conta de problemas. Só conseguiu desencantar na Hungria, nona rodada do ano, e depois venceu na etapa seguinte, em Spa-Francorchamps. Mas àquela altura, pouco poderia ser feito para cumprir a ousada meta da Alpine, equipe da qual o australiano faz parte: ser campeão da F2.
Quem também viu as chances de título ficarem distantes cedo foi Fittipaldi. Após um ótimo ano completo com a Charouz, equipe menor do grid, o brasileiro foi fisgado pela Red Bull para integrar a academia austríaca. De quebra, ainda transferiu-se para a Carlin, a vice-campeã e time que teve Liam Lawson e Logan Sargeant em 2022.

O objetivo aqui não partiu dos taurinos, como foi com Doohan, mas Enzo sabia que tinha nas mãos uma excelente chance de lutar pelo título. Era, na verdade, um pensamento até óbvio, primeiro pelo que o próprio piloto demonstrou na temporada anterior, mas também pelo equipamento que teria nas mãos. Ao seu lado, Maloney, vice-campeão da F3, poderia ser uma pedra no caminho, mas a experiência de Fittipaldi falaria mais alto — como, de fato, aconteceu.
Só que faltou equipamento em muitos momentos, sobretudo em classificações. Nas primeiras etapas, Enzo esbarrou em problemas que o impediram de colocar o carro no top-10. Via-se nos fins de semana tendo de fazer corridas de recuperação, o que expõe muito mais o piloto ao erro, além de obrigá-lo na maioria das vezes a optar pela estratégia de pneus alternativa aos líderes. Com o passar do tempo, o próprio brasileiro passou a aceitar a situação e buscar metas realistas: melhorar o ritmo de classificação, brigar por pódios, brigar por vitórias.
Ela veio, aliás, na sprint da Bélgica, uma vitória engasgada. O fim de semana em Spa-Francorchamps foi o melhor de Enzo na temporada 2023 da Fórmula 2, com outra ótima performance na corrida principal, dessa vez batendo na pista o companheiro de equipe após disputa acirrada curva a curva. E foi por performances assim que também ver Fittipaldi fora da briga é um ponto baixo para a final da Fórmula 2.
Seria ótimo também ter um dos talentosos novatos oriundos da F3 nessa briga. Muito esperou-se, por exemplo, de Hadjar, que teve um ano bastante irregular. Martins, rápido e arrojado, também precisou encontrar o tom certo com a temporada em andamento após muitos erros bobos. Não fosse isso, seria ameaça muito mais séria a Pourchaire, que é seu companheiro na ART.
Bearman talvez seja o grande destaque desta safra, tendo varrido uma etapa já em seu primeiro ano de F2. Só que a inexperiência também pesou em alguns momentos, porém seria ótimo vê-lo na briga em Abu Dhabi. Para 2024, se mantiver a performance, é um dos grandes candidatos ao título, sem dúvida.
A probabilidade de Pourchaire sair da sprint campeão é grande, e ainda que não seja no sábado, Felipe Drugovich e Gabriel Bortoleto têm razão: só se der tudo errado com o francês para isso não acontecer. Merecido, mas não vai apagar a impressão de que, no final das contas, faltou algo.
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