Chuva, problemas e nenhum ponto: o GP da Estíria dos brasileiros da Fórmula 2 e Fórmula 3

Felipe Drugovich, Guilherme Samaia e Pedro Piquet, na Fórmula 2, e Enzo Fittipaldi e Igor Fraga, na Fórmula 3, viveram fim de semana de novatos na Estíria

As categorias-satélite da Fórmula 1, assim como a própria categoria principal da escalada da FIA, estiveram novamente na pista do Red Bull Ring, na Áustria, no último fim de semana. O GP da Estíria, apesar do mesmo traçado e plano de fundo, apresentou resultados diferentes. Nenhum dos cinco pilotos brasileiros marcou pontos durante as corridas em que estiveram na Fórmula 2 e Fórmula 3.

Felipe Drugovich saiu sem pontos do GP da Estíria (Foto: Dutch Photo Agency)
Felipe Drugovich saiu sem pontos do GP da Estíria (Foto: Dutch Photo Agency)

FELIPE DRUGOVICH

As razões, como sempre acontece, foram diferentes. Felipe Drugovich, que largara na primeira fila em uma corrida e vencera outra na semana passada, teve dias mais difíceis. Na prova do sábado, com chuva, sofreu com problema de superaquecimento de freios quando estava na briga por pontos e acabou prejudicado. Depois, no domingo, repetiu o 13º posto.

Equipe de Drugovich, a MP também saiu zerada; Nobuharu Matsushita foi ainda pior que o brasileiro no sábado e ficou ligeiramente à frente no domingo. No geral, segundo o novato parananese, um fim de semana para aprender e entender.

“Em resumo, foi um final de semana de aprendizado. Testamos algumas coisas no treino da sexta-feira, achamos positivo e utilizamos na corrida do domingo”, contou Felipe.

“Acabou que não casou muito bem com o equilíbrio do carro. A performance era boa, mas o equilíbrio não, e isso acaba desgastando muito mais os pneus. Uma pena também o problema que tivemos nos freios na corrida do sábado. Aprendemos, vamos fazer com que esses erros não se repitam e agora vamos para Budapeste buscar mais um bom final de semana para nós”, finalizou.

Drugovich segue com 21 pontos e o oitavo lugar do campeonato.

Samaia na chuva austríaca (Foto: Dutch Photo Agency)
Samaia na chuva austríaca (Foto: Dutch Photo Agency)

GUILHERME SAMAIA

Guilherme Samaia ainda não marcou pontos no campeonato e teve dias complicados. Na classificação, ainda na sexta-feira, conseguiu fazer somente a 22ª e última colocação e partiu para a corrida na chuva, em condições ainda desconhecidas para ele a bordo do carro da F2. Terminou em 20º.

“Fazia tempo que eu não andava numa pista tão molhada. Foi mais um aprendizado, porque foi a primeira vez que andei na chuva com o carro da Fórmula 2, mais pesado e mais potente. A parte mais difícil foi a visibilidade no começo da corrida, mas o importante foi não ter cometido erros”

“A preparação, o aquecimento do pneu para poder usar todo o seu potencial em todas as fases. Os estágios iniciais das corridas têm sido a parte mais difícil para mim justamente por essa falta de experiência”, comentou.

Já na segunda prova, sentiu-se mais à vontade. Foi 17º, mas acredita que esteve perto de algumas ultrapassagens.

“Foi mais suave, e passada a dificuldade inicial, consegui manter um bom ritmo e brigar quase a corrida toda com o Markelov. No final meu ritmo melhorou muito, e acho que se tivesse mais uma ou duas voltas eu teria ultrapassado tanto o (Artem) Markelov como também o (Giuliano) Alesi, porque eu estava chegando muito rápido neles”, completou.

Veterano de F2, o companheiro de Samaia na Campos, Jack Aitken, foi nono e sexto, respectivamente, nas duas corridas.

Pedro Piquet no GP da Estíria (Foto: Dutch Photo Agency)
Pedro Piquet no GP da Estíria (Foto: Dutch Photo Agency)

PEDRO PIQUET

O terceiro brasileiro, Pedro Piquet, também não pontuou no que foi uma etapa conturbada para seu time, a Charouz. No treino classificatório da sexta-feira, Piquet e o companheiro, Louis Delétraz, foram punidos com a perda de uma posição no grid por guiarem o carro do paddock da F2 ao pit-lane da F1 com pneus de chuva, algo que é proibido. Os dois renderam pouco tanto no treino quanto na corrida e terminaram em 18º e 19º, com Piquet à frente.

O rendimento do domingo foi ligeiramente melhor, mas desta vez com Delétraz na frente: 12º frente ao 14º posto de Piquet. O piloto novato segue zerado na categoria.

O #14 de Enzo Fittipaldi na pista de Spielberg (Foto: Dutch Photo Agency)
O #14 de Enzo Fittipaldi na pista de Spielberg (Foto: Dutch Photo Agency)

ENZO FITTIPALDI

Enzo Fittipaldi, que marcara dois pontos na etapa inicial do campeonato, desta vez terminou com a 15ª e a 13ª posições e sabe bem o que precisa melhorar nas próximas semanas: o ritmo de classificação. Fittipaldi largou em 22º no sábado e conquistou sete posições durante a prova encurtada pela chuva. Mas, para quem larga tão longe, complica.

“O ritmo estava bom durante a corrida, mas no final eu estava melhorando e teve um safety-car. Eu acho que dava para passar mais uns dois carros com um ritmo forte, mas é bem difícil nessa pista quando você tem os primeiros dez, doze ou treze tem o mesmo ritmo para passar, porque todo mundo tem DRS. Eu aprendi muito neste final de semana”, dividiu.

“Eu acho que o nosso foco obviamente é a classificação, como a gente mudou o composto esse final de semana para o pneu duro, não conseguimos o melhor acerto e sofremos um pouco na classificação. Eu e meus companheiros de equipe estamos analisando o que precisamos melhorar porque temos o ritmo de corrida para estar entre os cinco primeiros. Então, precisamos acertar essa classificação e essa vai ser a meta para Budapeste”, finalizou.

Apesar dos elogios de Enzo para o ritmo de sua equipe, a HWA tem somente 2,5 pontos no campeonato.

Ainda sem pontos, as com muitas ultrapassagens: Igor Fraga na Estíria (Foto: Dutch Photo Agency)
Ainda sem pontos, as com muitas ultrapassagens: Igor Fraga na Estíria (Foto: Dutch Photo Agency)

IGOR FRAGA

Ainda pior que a HWA, tem sido a Charouz. A escuderia ainda está zerada na F3 após quatro etapas. Igor Fraga contou que está sofrendo com problemas eletrônicos e, desta forma, o time terá de reavaliar o carro antes da etapa húngara.

“A Charouz vai revisar todo o carro para a próxima corrida e acredito que vamos deixar para trás essas questões de ordem eletrônica”, falou.

Os problemas apareceram diversas vezes no carro durante a classificação, o que empurrou a posição de largada para trás. Na corrida 1, então, fechou em 26º após a interrupção causada pela chuva.

No domingo, entretanto, Igor fez uma sequência de ultrapassagens. Terminou o fim de semana com 14 delas. O suficiente para ser 14º colocado e o melhor do trio de pilotos da Charouz, que também conta com o tcheco Roman Staněk e o alemão David Schumacher, filho de Ralf Schumacher.

“Na prova de hoje competimos sem problemas e então pudemos mostrar que temos o potencial para brigar por um lugar no pelotão da frente. A velocidade está lá. Precisamos agora garantir a constância do carro. Estamos trabalhando para isso acontecer”, finalizou.

As duas categorias retornam, assim como a Fórmula 1, no próximo fim de semana, em Hungaroring, para o GP da Hungria.

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