Fórmula 2 tem estreia 2.0 no Bahrein com pinceladas abstratas do que esperar para 2025

A sprint na Austrália, única corrida realizada na temporada 2025 da Fórmula 2 até o momento, trouxe muito pouco, mas já deu para notar que Joshua Dürksen tem tudo para incomodar o renascimento de ART e Prema após um 2024 oscilante

Depois do caos que mutilou a etapa de abertura da Fórmula 2 na Austrália, a categoria finalmente dará início à temporada 2025 neste fim de semana, no Bahrein, mas a sprint em Melbourne conseguiu dar algumas pinceladas, ainda que abstratas, do que se pode esperar para valer este ano. Tudo ainda é muito subjetivo, claro, porém já joga atenção especial sobre alguns nomes do grid.

O temporal que comprometeu a rodada australiana acabou impedindo a realização da corrida principal, que teria Victor Martins na pole-position depois da punição sofrida por Gabriele Minì por atrapalhar Jak Crawford na classificação. Seria, portanto, a primeira grande chance do veterano que passou a ser bastante contestado por causa dos sucessivos erros, apesar da inegável velocidade.

Ele, aliás, tem sido um dos destaques desta longa ‘pré-temporada’, tanto que liderou um dos dias de testes realizados exatamente no Bahrein, durante o intervalo em que a Fórmula 1 passou pelos países asiáticos do calendário. Martins também respira novos ares, já que deixou a Alpine e foi resgatado pela academia da Williams para 2025, portanto pode, sim, ser o grande nome da temporada, seguindo os passos de Felipe Drugovich e Théo Pourchaire, que foram campeões no terceiro ano de Fórmula 2, em 2022 e 2023, respectivamente.

A questão é que ainda paira sobre ele uma dúvida quanto à consistência e ao aprendizado com os insistentes erros que marcaram os dois anos anteriores. Quando chegou à F2, por exemplo, precisou dosar a afobação até ser um fator decisivo no título de equipes da ART. Terminou 2023 com a conquista pessoal de novato do ano, mas ficou só na promessa na temporada seguinte.

Victor Martins precisa provar que amadureceu depois dos erros de 2024 (Foto: ART)

É claro que o carro da ART também não colaborou, pois foi um dos que perderam considerável performance com a chegada do novo regulamento e precisou de tempo para entender a aerodinâmica nova. Isso só aconteceu em meados da temporada, por isso a mudança de performance já neste começo.

“Começamos a entender o carro e como ele estava funcionando. A janela é muito pequena, como trazer o carro para ela. É sobre compromisso”, disse Martins recentemente em entrevista ao site oficial da Fórmula 2.

E se a ART pode finalmente andar nos trilhos, a Prema parece que também reencontrou o caminho das pedras, ano menos com Minì. O jovem italiano se sobressaiu na F3, no ano passado, ao brigar pelo título até a última curva da última volta e também costuma ser rápido em classificações. E assim como Martins, liderou sessões de testes realizadas tanto na pré-temporada quanto na pausa entre Melbourne e Sakhir.

“O trabalho durante o inverno está dando resultado. Os resultados estão indo muito bem no momento. Fizemos apenas uma corrida, mas é um bom sinal. Fomos os mais rápidos em Barcelona, ​​nos classificamos na pole em Melbourne, fizemos a volta mais rápida na sprint e ganhamos muitas posições. A temporada é longa, sabemos que precisamos continuar trabalhando, mas, agora, o que fizemos durante o inverno parece estar dando resultado”, disse Minì depois dos testes no Bahrein.

Joshua Dürksen é bom piloto, mas vai precisar de carro para combater ART e Prema (Foto: F2)

Agora, se ART e Prema podem novamente retomar as rédeas da F2, quem deixou a Austrália na liderança foi Joshua Dürksen, da modesta AIX. O jovem paraguaio começou a chamar atenção ainda no ano passado, depois de vencer duas corridas e demonstrar crescimento importante em ritmo e também em consistência, algo fundamental em um campeonato com inversão de grid. Na única corrida realizada no ano até o momento, fez ótima largada e comandou o pelotão com autoridade. E ele impressiona ainda mais por ter feito o mesmo caminho de Andrea Kimi Antonelli, ao saltar da FRECA direto para a F2.

Sim, Dürksen é talentoso, bom piloto, mas talvez esbarre no equipamento da AIX no confronto direto contra os pilotos da ART e da Prema, caso essa evolução vista nos testes e também na pista se confirme para as próximas etapas. A boa notícia é que ele teve bom desempenho nas sessões realizadas em Sakhir e a temporada começa para valer agora, portanto pode sonhar com uma briga mais igualitária, principalmente se conseguir ficar longe de erros.

No mais, ainda há nomes que devem surgir nesse bolo, como Luke Browning e Arvid Lindblad, ainda que o último tenha tido uma sprint complicada, e o carro da Campos também pareça incerto neste início de ano. Hora, portanto, de aproveitar o fim de semana para ajustes que podem ser decisivos para o resto da temporada.

A Fórmula 2 retorna neste fim de semana em Sakhir, de 11 a 13 de abril, para a rodada do Bahrein, a segunda da temporada 2025.

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