Crawford embala de vez e vira ameaça real a Dunne e Verschoor na briga por título da F2

Jak Crawford chegou à terceira vitória no ano, assim como Richard Verschoor, mas alcançou na Inglaterra algo muito importante e que costuma fazer a diferença: consistência

No começo da temporada, depois de um ano marcado por todo o brilhantismo dos novatos encabeçados por Gabriel Bortoleto e companhia e que hoje fazem jus ao hype na F1, a Fórmula 2 se viu sem um astro-mor capaz de preencher tal lacuna, porém criou oportunidade ideal para os veteranos roubarem a cena, tal qual Felipe Drugovich fez em 2022. Entre eles, Jak Crawford era, sem dúvida, dos nomes mais interessantes para se ficar de olho, e o norte-americano conseguiu se valer de uma rodada completamente caótica para bagunçar o campeonato e confirmar tal expectativa.

O início de 2025, no entanto, não foi dos mais fáceis, muito pelo contrário. Começou o seu terceiro ano de F2 zerando as duas primeiras rodadas, totalmente ofuscado pelos novatos Luke Browning e Leonardo Fornaroli, com Alexander Dunne crescendo pelas beiradas. Foi o pódio na corrida 2 da rodada da Arábia Saudita que começou a colocar Crawford no jogo. Dali em diante, só ficou sem pontos na sprint da Áustria, porém encaixou a consistência que é tão necessária na base.

Na Inglaterra, debaixo de um aguaceiro, valeu-se de mais uma péssima largada de Victor Martins e saltou de terceiro para primeiro. Depois disso, foi seguro na chuva, não sendo ameaçado em nenhum momento por Dunne — perigo mesmo veio do lado de Browning, que largou fora do top-10, mas teve belíssima performance no asfalto molhado.

Parecia, inclusive, que o britânico brigaria para valer pela vitória, mas a sorte de Crawford em entrar nos boxes imediatamente antes do safety-car virtual frustrou qualquer possiblidade ao piloto da Hitech. O norte-americano ainda venceu em Mônaco do mesmo jeito, porém era o carro de segurança para valer envolvido na história.

Dunne, Crawford e Browning: campeonato da F2 chegou a momento decisivo (Foto: F2)

Sorte de Crawford, azar dos outros. “Diria que estou realmente na briga agora. Depois da Áustria, sabia que as coisas mudariam a cada fim de semana, corro contra os mesmos pilotos todas as semanas. Luke e Alex também estão lutando pelo campeonato, então parece que estamos sempre competindo um contra o outro, o que mantém a disputa acirrada. São vitórias como a de hoje que nos separam um pouco”, avaliou depois da corrida.

Dunne contou na coletiva de imprensa pós-corrida que a estratégia era parar junto com Crawford. “Meu engenheiro disse ‘se ele entrar, siga-o’, mas já era tarde demais, então tive de ficar na pista. Além disso, se eu o tivesse seguido, acho que não teria dado tempo, pois ele entrou bem na hora do safety-car virtual, então foi melhor ter ficado na pista”, analisou o irlandês.

Verschoor continua na liderança, mas a passagem da categoria pela Inglaterra acendeu importante sinal de alerta ao neerlandês: se realmente quiser conquistar o sonhado título, terá de ser mais consistente, a começar pela classificação. No fim de semana, ficou em sétimo no grid da corrida de domingo e foi mero coadjuvante frente aos rivais diretos. Ele ainda é ao lado de Crawford o maior vencedor da temporada, com três triunfos cada, mas o campeonato entrou naquela fase decisiva em que a diferença vai contar a favor do piloto que menos errar.

Fórmula 2 retorna de 25 a 27 de julho em Spa-Francorchamps, palco da rodada da Bélgica.

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