Retrospectiva 2020: ano de revelações na F2 coroa Schumacher como estrela do futuro

Callum Ilott, Yuki Tsunoda, Robert Shwartzman: todos esses foram bem, mas Mick Schumacher é quem fecha 2020 como uma nova estrela do automobilismo. O alemão deu a volta por cima em uma das melhores temporadas da história da Fórmula 2

Foi um ano diferente de todos. Essa frase é usada frequentemente para se referir aos desafios de um ano marcado pelo coronavírus, mas é verdade também para uma temporada da Fórmula 2 que não será esquecida tão cedo: um ano de disputas incrivelmente apertadas aparenta ter criado uma nova geração de pilotos promissores, capitaneada por Mick Schumacher.

A temporada começou sem favoritos claros, algo que ficou claro já desde o primeiro fim de semana. Callum Ilott venceu a prova de sábado no Red Bull Ring, mas em uma atuação que esteve longe de ser incontestável. Guanyu Zhou parecia destinado ao triunfo antes de abandonar, enquanto outros nomes promissores perdiam tempo com azares e contratempos.

Um dia depois, outra prova de que não havia uma força dominante: Felipe Drugovich, apenas em sua segunda corrida na categoria, usou o grid invertido para largar da pole-position e fazer atuação impecável. A vitória veio, criando expectativas de um ano de superação pela mediana MP.

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Mick Schumacher terminou 2020 com duas vitórias e um título (Foto: Ferrari)

A semana seguinte foi de novas corridas no Red Bull Ring. A primeira teve triunfo de Robert Shwartzman, que superou Yuki Tsunoda, com estratégia comprometida após problemas de rádio. O russo estava em boa posição para acabar a segunda etapa como líder do campeonato, mas acabou abandonando na prova complementar após erro na largada. O piloto da Prema liderava, é verdade, mas o top-3 do campeonato seguia separado por 5 pontos.

O fim de semana na Hungria era mais uma chance para Shwartzman. E uma chance bem aproveitada, com vitória no sábado e quarto lugar no domingo. Com Ilott também pontuando bem, os dois surgiam como possíveis favoritos ao título. Um tinha 81 pontos, outro tinha 63. O resto sofria para ir além de 40, incluindo Schumacher com 39.

Só que essa sensação de domínio de um ou dois pilotos seria breve. No primeiro fim de semana em Silverstone, vitórias inéditas de Nikita Mazepin e Dan Ticktum. No seguinte, triunfos de Ilott e Tsunoda, mantendo variedade. Ainda assim, Callum deixava o Reino Unido com 106 pontos, 19 de vantagem para Christian Lundgaard, vice. As semanas foram péssimas para a dupla da Prema, com Shwartzman e Schumacher sofrendo para pontuar bem e até mesmo se tocando em briga por pódio.

Chegamos em Barcelona para um fim de semana que seria marcante. Uma corrida de sábado que parecia destinada a ser vencida por Ilott acabou com uma série de acidentes e reviravoltas jogando a favor de ninguém menos que Nobuharu Matsushita. O japonês venceu pela MP, que voltaria ao alto do pódio com Drugovich no dia seguinte. Nessa corrida, aliás, Schumacher conseguiu um terceiro lugar. Parecia pouca coisa, mas era o começo de uma sequência importante do alemão na temporada.

FÓRMULA 2; SILVERSTONE; CALLUM ILOTT; UNI VIRTUOSI;
Callum Ilott foi o grande rival de Mick Schumacher no ano (Foto: F2)

Chegamos em Spa-Francorchamps, oficialmente na metade da temporada 2020. Seguimos na tendência de vitórias muito bem compartilhadas e parcos sinais de protagonismo de um ou de outro. Tsunoda venceu uma corrida, Shwartzman venceu a outra. Schumacher, por sua vez, conseguiu dois pódios e subia para quarto no campeonato. Robert ainda liderava, com 132 pontos, mas via o companheiro ganhando terreno aos poucos, chegando aos 106.

Monza confirmou essa tendência. Após bater no treino classificatório, Schumacher conseguiu uma reação notável e venceu a corrida principal. Na segunda, foi terceiro colocado, atrás do vencedor Ilott. Com Shwartzman penando, a briga pelo título começava a ficar entre esses dois: Callum com 149, Mick com 143. E o momento favorecia o alemão, com cinco pódios seguidos para turbinar a arrancada.

A situação não mudou muito em Mugello, palco da rodada seguinte. Quem vinha bem, seguiu bem; quem vinha mal, seguiu mal ou até mesmo piorou. Tsunoda e Shwartzman não pontuaram em nenhuma das duas corridas, virando outsiders na caça ao título. Este tinha tudo para ser definido apenas entre Schumacher e Ilott, com o alemão indo particularmente bem. Mesmo sem pódio, dois resultados superiores aos do britânico ajudavam a ampliar a vantagem na classificação.

Ainda era cedo para apontar Schumacher, com 8 pontos de vantagem sobre Ilott, como favorito. Só que isso viria a mudar em Sóchi: uma vitória e um terceiro lugar de Mick voltaram a superar o terceiro e o sétimo de Callum. O alemão ia para a pausa na temporada da F2 com 22 pontos de vantagem sobre o britânico, e com Tsunoda, Lundgaard e Shwartzman dependendo de milagres para reagir.

YUKI TSUNODA, POLE; F2; SPA;
Yuki Tsunoda também saiu muito valorizado (Foto: Twitter/F2)

Dois meses se passaram e a F2 estava em Sakhir para as rodadas duplas finais de 2020. Uma no traçado normal, outra no externo. Schumacher tinha motivos de sobra para aproveitar a primeira dessas, já que depender da loucura de uma pista que remete a um oval poderia colocar tudo a perder.

O começo não foi favorável. A corrida de sábado do primeiro fim de semana trouxe um quarto lugar, com Ilott em segundo. Só que o britânico se complicou sozinho no dia seguinte: um acidente completamente evitável com Jehan Daruvala significou uma corrida sem pontos, isso com Mick em sétimo. A diferença entre os dois caiu para 14 pontos, com um sendo ainda o favorito ao caneco.

Uma semana depois, Schumacher parecia destinado a se complicar ainda mais. O alemão bateu na classificação e largou na parte de trás do grid. Poderia ser o momento decisivo do ano, só que uma reação repleta de manobras ousadas levou o alemão ao sexto lugar. O britânico, por sua vez, foi quinto. A diferença ficava em 12 pontos, isso com apenas 17 ainda em jogo. Era só Mick não fazer bobagens que a conquistaria seria simples.

Só que uma decisão sem reviravoltas não faria justiça ao entretenimento da temporada 2020. Schumacher travou pneus ainda nas primeiras voltas da corrida 2, ficando com desempenho claramente comprometido. Depois de se sustentar inicialmente, a derrocada para fora da zona de pontos veio. Um pit-stop foi necessário, vindo a um alto custo em uma corrida que não obriga troca de pneus. Ilott chegou a flertar com uma virada inimaginável, mas sofreu destino semelhante: os pneus cederam nas voltas finais e, sem velocidade, Callum nem sequer pontuou. Estava definido: Mick virava campeão da F2 em 2020.

ROBERT SHWARTZMAN; PREMA; BAHREIN; FÓRMULA 2; F2;
Robert Shwartzman começou bem e perdeu fôlego (Foto: Prema Powerteam)

A briga pelo título reflete, de certa forma, o momento da carreira de Schumacher e Ilott. Um deles vai para a F1 com apoio pesado da Ferrari, enquanto o outro foi esnobado por equipes e tem a sequência da carreira incerta. Ainda assim, é inegável que Callum fez um grande trabalho e ganhou valor de mercado. Schumacher também, deixando de ser apenas o piloto do sobrenome famoso.

Tsunoda acabou a temporada em terceiro e merece menção honrosa. Estreante do ano, o japonês deixou de ser um virtual desconhecido para virar nova aposta do programa da Red Bull, assinando com a AlphaTauri. Shwartzman murchou na reta final, mas segue na F2 por mais um ano, vindo forte em busca do título. Até Mazepin, que sobe para a F1 manchado por um caso de assédio, mostrou que pode pilotar bem em condições favoráveis.

Será difícil ter uma temporada melhor em 2021. A F2 de 2020 será lembrada no futuro como uma das melhores de todas, e com justiça. Mesmo assim, não custa torcer: que o próximo ano mantenha o bom momento do que se encerra nesta semana.

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