Salto para F2 é única boa opção para Petecof, mas representa também tiro no escuro

Com dificuldades financeiras, Gianluca Petecof tinha de topar o que quer que surgisse para 2021. O grande salto para a Fórmula 2 com a Campos não é ideal, mas é ótimo por levar carreira adiante

Gianluca Petecof resolveu o futuro, finalmente. Depois de longa especulação sobre o 2021 do brasileiro, ameaçado pela falta de suporte financeiro, uma vaga na Campos no grid da Fórmula 2 caiu do céu e garantiu a tranquilidade necessária. Junto disso, entretanto, vem uma dúvida: será que Petecof não está dando um passo maior do que a perna?

A resposta não é simples. Se for para responder em uma palavra só, seria ‘talvez’. Mas é lógico que a questão é bem mais complexa do que isso: por um lado, Petecof é um cara habilidoso em uma equipe bastante respeitável do grid da F1; por outro, até grandes pilotos podem pagar caro por queimar etapas.

A maioria dos cases de sucesso da F1 em anos recentes foram de pilotos que respeitaram a escadinha do automobilismo de base à risca: Lewis Hamilton, Nico Rosberg, Daniel Ricciardo e Charles Leclerc são pilotos de gerações diferentes, mas foram de degrau em degrau até virarem grandes nomes. Há exceções em Max Verstappen, Sebastian Vettel e principalmente Kimi Räikkönen, mas aí é necessário entrar em outro aspecto: todos os pilotos citados nesse parágrafo são extraclasse, destinados ao pináculo do automobilismo de um jeito ou de outro. E Petecof, sejamos honestos, não deu sinais de que é brilhante ao ponto de poder queimar etapas sem consequências negativas.

Em contrapartida, é preciso apontar também que ir para a Campos na F2 não é exatamente a trajetória dos sonhos de Petecof. Com título na Fórmula Regional e vaga na Academia da Ferrari, o mais lógico seria a Prema na F3, lutando por título e ganhando experiência. Não rolou, com o vice-campeão Arthur Leclerc sendo privilegiado. Chegou um ponto em que Gianluca precisava fazer algo funcionar para manter a carreira na Europa em 2021.

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Gianluca Petecof conquistou o título da Fórmula Regional Europeia em 2020 (Foto: Prema Powerteam)

Com isso em mente, a ida para a Campos passa a ser ótima. Afinal, a alternativa seria uma vaga ruim na F3, relegando a um provável esquecimento na metade do grid, ou um retorno ao automobilismo brasileiro, acabando com sonhos de F1. Petecof precisava fazer de seus limões uma limonada e, apesar de limitações financeiras, manteve a esperança de uma carreira sólida na Europa.

A Campos tem tudo para permitir pontos nas corridas principais e, nas de grid invertido, até mesmo sonhos com pódios. Foi o que Jack Aitken, com mais experiência do que talento, fez em 2020 pela escuderia. Não há como esperar uma campanha épica, mas não será aceitável ficar se arrastando no grid, como fazia Guilherme Samaia no outro carro ano passado.

É um tiro no escuro. As chances de sucesso existem, claro. Só que as perguntas ainda são infindáveis: será que Petecof vai se adaptar rapidamente? Será que o companheiro Ralph Boschung vai dar algum trabalho? Será que vai dar para brilhar da mesma forma que Felipe Drugovich fez em 2020?

É claro que Petecof gostaria de ter menos incertezas em 2021. Seria muito melhor seguir a trajetória natural, sem pular degraus. Só que o que ele realmente não gostaria seria de fazer as malas, pegar um avião e desistir do sonho da F1. Esse objetivo foi cumprido e o pulso ainda pulsa. Junto da inquietude sobre o futuro, o brasileiro também pode olhar para um lado positivo: é o senhor de seu próprio destino e vai ditar o que será do futuro de uma carreira cada vez mais empolgante.

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