Guia F-E 2015/16 – Bruno Senna: “É cedo, mas espero que a Mahindra brigue”

Bruno Senna ressaltou o progresso que espera ter em sua segunda temporada na categoria dos carros elétricos, que começa neste fim de semana nas ruas de Pequim. O experiente brasileiro destacou a chegada de Nick Heidfeld como reforço para a Mahindra e espera manter a ascensão exibida ao fim da última etapa, em Londres

Bruno Senna encerrou sua primeira temporada na F-E deixando uma ótima impressão. Afinal, o experiente piloto de 32 anos conseguiu o feito de ser um dos protagonistas da decisão do título, em Londres, e brigou com afinco com o suíço Sébastien Buemi, indiretamente garantindo a primeira taça do certame ao compatriota Nelsinho Piquet. Mas para 2015/2016, Senna quer mais. De olho na evolução da equipe indiana Mahindra, o brasileiro almeja uma posição muito melhor que o décimo lugar obtido no primeiro ano do certame dos carros elétricos.
 
Motivos para confiança em um ano melhor não faltam para Bruno. Afinal, a Mahindra abre seu segundo ciclo na F-E mais forte e contando com um piloto mais 'cascudo' para formar dupla com Senna. Depois de um ano cheio de altos e baixos na Venturi, Nick Heidfeld busca uma temporada de afirmação para fazer valer sua experiência nas pistas. Fator que Bruno crê ser de muita importância para o desenvolvimento da equipe.
 
Mas tudo passa, no fim das contas, pelo trem de força que será utilizado pela Mahindra em 2015/2016. O M2ELECTRO, dotado de câmbio de quatro marchas, será preparado pela Campos, a responsável por ter cuidado do carro campeão da primeira temporada da F-E, da equipe China de Piquet. Com um carro mais leve e um motor adaptado em relação ao ano de abertura da categoria, trata-se de um conjunto interessante.
Bruno Senna fechou muito bem a temporada com grande exibição nas ruas de Londres (Foto: F-E)
Mas, ao menos por enquanto, Senna entende que é cedo para avaliar o nível da Mahindra em relação às outras equipes do grid da F-E. Mas, confiante no potencial do time indiano, o brasileiro espera por uma temporada muito mais consistente. Em termos de estrutura, a Mahindra tem boas condições de fazer um trabalho melhor em 2015/2016.
 
Confira a entrevista de Bruno Senna ao GRANDE PRÊMIO como parte do Guia da F-E.
 
A primeira temporada foi dura para você. O que esperar da segunda?
 
Progresso, é a melhor palavra que eu posso expressar. Tanto eu quanto a equipe trabalhamos bastante para melhorar muito de onde terminamos a última temporada e espero que estejamos bem mais competitivos do que fomos na média do primeiro campeonato!
 
O que muda com a chegada da Campos para trabalhar com a Mahindra?
 
Primeiro vem a experiência de vencer o campeonato. A Campos está totalmente motivada para atingir sucesso com as suas duas equipes e a filosofia de trabalho deles realmente é muito animadora, sempre com ideias novas e muito esforço para trazer bons resultados.
 
Levando em conta os testes em Donington, várias equipes tiveram dificuldade com os trens de força. A Mahindra foi bem. Você espera que seja a tônica da temporada?
 
Imaginamos que desde Donington as equipes tenham tido tempo para melhorar os problemas que tiveram de confiabilidade, mas acredito que essa poderá ser uma das vantagens que o nosso carro, uma evolução do ano anterior, venha a ter. De qualquer forma, se isso for um fator, tenho certeza que as equipes resolverão os problemas logo e, a exemplo da temporada anterior, as corridas ficarão mais difíceis a cada etapa. 
 
Você tem a expectativa de ver muitos problemas de desempenho e confiabilidade com os novos motores?
 
Vejo algumas combinações de motor/caixa de câmbio com maior potencial de problemas, mas acho que a maior fonte de dificuldades será utilizar as baterias a 170kW nas corridas. Isso deve gerar superaquecimento das baterias e não será fácil lidar com essa questão.
 
Essa possível transformação no grid faz da Mahindra candidata a brigar pelo título?
 
Ainda é cedo para dizer quem são os candidatos ao titulo. Mas espero que a Mahindra esteja na briga!
 
Considera que é um passo muito perigoso da F-E transformar as equipes em construtoras já nessa temporada?
 
Na minha concepção, teria sido talvez mais prudente casar um desenvolvimento da bateria com o desenvolvimento dos motores/caixas de câmbio. No momento o ganho de performance é pequeno, quando comparado ao investimento, o que coloca as equipes sob pressão financeira. Mas, com certeza, isso vai naturalmente ajudar a trazer mais talentos de engenharia para o campeonato.
Bruno Senna na pré-temporada 2015/2016 em Donington Park (Foto: F-E)
O que muda agora com a maioria das pistas já sendo conhecidas?
 
Ajuda o aprendizado e as estratégias. Ano passado, em Pequim, ninguém tinha ideia do que iria acontecer e muitos carros superaqueceram. Imagino que a etapa de Pequim será mais competitiva e acirrada que da outra vez. E isso deve se estender pelo campeonato todo. 
 
Há uma forte possibilidade de o campeonato ir à Suíça. Como piloto, como é pode fazer parte dessa quebra de tabu histórica?
 
Acho que justamente essa é a grande força da F-E. Já quebramos um tabu na primeira temporada, com a corrida em Londres, e a ideia de ter uma de rua na Suíça realmente abre os olhos do que pode ser possível com carros de corrida elétricos. 
 
Agora você tem o Nick Heidfeld como companheiro, um dos mais experientes do grid. O que muda em trabalhar com ele?
 
O Nick é um piloto muito técnico, com muito conhecimento. Ele sempre está procurando formas diferentes de acertar o carro e explorar os limites de desenvolvimento. Isso ajuda bastante com o regulamento de desenvolvimento mais aberto que temos agora. Espero que o nosso trabalho nos coloque na frente de outras equipes no futuro. 
 
Você acabou “garantindo” o título do Nelsinho na primeira temporada ao segurar o Buemi. Agora, se o momento chegar, vai cobrar o favor?
 
O resultado foi ótimo para o Brasil e para o Nelsinho, mas eu estava correndo pelo meu próprio resultado e segurei o Buemi para terminar na frente. Tenho certeza que o Nelsinho ou qualquer outro piloto faria o mesmo na minha posição.
 

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