Guia F-E 2015/16: Nelsinho Piquet – “Temos a mesma equipe e o mesmo potencial”

Nelsinho Piquet estreia na segunda temporada da F-E como um dos fortes concorrentes pela liturgia do título, mas sua equipe, a China, ainda precisa responder se a falta de rendimento e confiabilidade vista na pré-temporada já foi resolvida

Como terminou, é difícil de esquecer. Nelsinho Piquet venceu um campeonato memorável por um ponto e se despediu de Londres em glória. Alguns meses depois, a F-E volta a se reunir. O panorama, no entanto, é diferente agora. As equipes agora estão construindo suas próprias forças – e fraquezas. Os trens de força embolam uma equação que começava a ser compreendida.
 
Normalmente o campeão começa a temporada seguinte em situação privilegiada. Não é o caso esse ano. Piquet não vai ter uma caminhada no parque exatamente em 2015/16. Os testes de pré-temporada em Donington Park mostraram que a China ainda tem suas dificuldades tanto de confiabilidade quanto de desempenho.
 
Mesmo assim, Nelsinho fala confiante em entrevista ao GRANDE PRÊMIO. Não parece acreditar que vai andar atrás no pelotão ou sem chances de vencer. Como na entrevista que deu ao GP logo após ser campeão, crê que as substituições da regra da F-E não vão mudar tanto a ordem do grid. “A gente acha que tem chance de ser boa igual aos outros. A diferença deve ser muito pequena entre as equipes”.
Nelsinho Piquet se tornou campeão da primeira temporada da F-E (Foto: Reprodução/Twitter)
Também dá a opinião de que não considera perigosa a mudança adotada pela F-E. Pelo contrário: é necessário. Para ele, só a oportunidade de se provar melhor que as demais vai atrair outras grandes montadoras do mercado.
 
Sem testes desde Donington, como colocar o carro de volta na parte de cima do grid? Acredita nisso já para Pequim? Essa possível transformação no grid mantém a China como candidata a brigar pelo título?
 
É difícil saber qual vai ser nosso ritmo. A gente acha que tem chances de ser bons igual aos outros. A diferença deve ser muito pequena entre as equipes. Mesmo ano passado, quando os carros não tinham diferença, nós conseguimos fazer uma diferença nós mesmos de andar na frente. Nós temos a mesma equipe e o mesmo potencial de andar na frente.
 
Óbvio que se alguma equipe achou uma coisa muito melhor aí, o que a gente acha que não deve ser possível, mas, enfim, é muito difícil saber antes da China. mas a gente tem fé e acredita no nosso trabalho.
 
Considera que é um passo muito perigoso da F-E transformar as equipes em construtoras já nessa temporada?
 
Eu acho que não é um passo muito perigoso, porque é uma diferença pequena. Não vai chegar a dar diferença de 1s como na F1. De repente, quando abrirem as baterias, isso pode acontecer. Quanto mais diferenças forem abrindo, os riscos vão aumentando. A categoria vai tomar mais riscos conforme forem tendo mais segurança em termos de acordos e televisão. Mas é muito difícil, eu sou piloto, não promotor. Acho que para você atrair montadoras para a categoria você precisa dar incentivos. Cada uma construir suas coisas, porque senão não tem sentido, vir e ter as coisas iguais a todo mundo. O interesse deles é mostrar que o deles é melhor.
 
Você tem a expectativa de ver muitos problemas de desempenho e confiabilidade com os novos motores?
 
Acho que pode começar o campeonato com mais problemas que a primeira temporada. Porque cada equipe tem sua solução e nem todas vão funcionar muito bem. Talvez na primeira e segunda corridas tenha muito mais quebras, mas as equipes vão solucionar isso com o tempo.
Nelsinho Piquet está pronto para a segunda jornada (Foto: F-E)
Na primeira temporada, a equipe mudou muito o segundo piloto. Agora o Oliver Turvey foi confirmado. O quão importante é ter uma dupla bem definida?
 
Foi muito importante, talvez a mudança mais importante que a nossa equipe fez foi achar um piloto bom e que vai  ficar com a gente no ano todo.. Eu estou feliz, é um piloto muito bom, que não vai querer brigar internamente, sabe? Ele realmente é muito bom, de muita qualidade. Realmente não esperava que ele fosse tão bom quanto foi em Londres. Estou muito feliz, ele vai ajudar muito a equipe. É o que a gente mais precisava.
 
O que muda agora com a maioria das pistas já sendo conhecidas?
 
Acho que com as pistas já conhecidas, as equipes boas podem fazer uma diferença. No primeiro ano, era muito difícil. Acho que os pilotos faziam mais diferença. Quem pega a pista mais rápida, quem consegue a manha em poucas voltas. São poucos pilotos que conseguem. Não sei de onde veio esse dom de aprender essas coisas rápido, mas esse ano na F-E até me surpreendi o tão rápido que eu aprendi essas pistas.

Agora com o segundo ano e as mesmas pistas, acho que as equipes boas vão conseguir carregar informações de um ano para outro e estudar e se preparar melhor para as condições que vão enfrentar. Isso me preocupa um pouco, porque tem várias equipes grandes e boas lá. As equipes vão chegar bem mais preparadas que no primeiro ano, e não é o que o piloto fazia no primeiro ano que era sair e fazer a diferença.

 
O que achou das mudanças na classificação?
 
Sobre a classificação eu acho legal. Vai dificultar mais, mas o único problema que eu vejo é que quando os pilotos pegarem um trânsito na volta de 200 kw vai ser bem frustrante, porque vai perder a volta e não vai ter outra chance. Mas é mais difícil e bota mais pressão. Para o espectador é mais interessante para ver o top-5 no final.
 
Gostou da ideia de fazer a votação para o FanBoost valer até depois da largada da corrida?
 
Se abrir cada FanBoost uma semana antes, mesmo se deixar para depois da corrida começar não é possível que faça tanta diferença naqueles primeiros 15 minutos.  Se você tem gente votando por uma semana, que vai dar 90%, 95% dos votos, não acredito que vai dar para fazer tanta diferença em quem vai ganhar o FanBoost.

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