GUIA FE 2019/20: Com Mercedes, Massa vê Venturi capaz de ser “bem mais competitiva”

É hora de Felipe Massa começar a segunda temporada dele pela Fórmula E. Agora, a situação da Venturi é diferente: com trens de força da Mercedes, a expectativa de futuro é mais arrojada. Segundo Massa, além disso, a experiência trazida pela temporada de estreia é fundamental numa categoria com tantos elementos distantes do lugar comum dos monopostos

A temporada 2019/20 da Fórmula E começa no próximo fim de semana, na Arábia Saudita, e será o segundo ano de Felipe Massa no campeonato dos bólidos elétricos. O piloto segue com uma Venturi agora repaginada: a equipe, que desde 2015 produzia os próprios trens de força, agora vai utilizar os da Mercedes. É apenas mais um elemento da temporada em que o veterano piloto brasileiro espera largar de vez o noviciado na competição e dar um salto.

 
Massa lembrou a necessidade dele e da equipe se adaptarem às partes do carro fabricadas pela Mercedes, mas com o destaque de que o prognóstico para o futuro é mais positivo agora do que com motor, câmbio e desenvolvimento próprios. 
 
"A semana de pré-temporada foi muito importante para preparar para a primeira corrida. Temos todo o sistema de motor, câmbio, inversor, software, a parte mais importante do carro é da Mercedes agora. É uma mudança importante, onde o tempo é curto para chegar na estreia pronto", afirmou em vídeo divulgado pela Fórmula E. 
 
"Não é fácil, mas sabemos que a possibilidade de ter um carro muito mais competitivo é bem maior. Espero que a gente tenha um ano bom pela frente, carro mais competitivo e uma equipe bem mais preparada para o campeonato, comparando com meu primeiro ano", falou. 
Felipe Massa (Foto: Venturi)
Embora a Venturi não tenha aparecido com um grande desempenho nos testes coletivos de pré-temporada, em Valência, que duraram três dias durante a parte final de outubro, Massa foi quem anotou a melhor volta entre os quatro pilotos empurrados por motor Mercedes. Alcançou, na ocasião, 1min15s504, pouco mais de 0s4 mais lento que Maximilian Günther, o mais rápido – e com a 12ª colocação geral. 
 
Em entrevista à Rádio Nacional do Rio de Janeiro, falou um pouco mais sobre o que tirou dos testes.
 
"O primeiro dia não foi muito bom. Estávamos sofrendo em algumas coisas que não funcionavam direito, lado eletrônico, configuração, muita coisa tinha alguns pepinos, mas a gente melhorou para o segundo dia e mais ainda para o terceiro", declarou.
 
"O ritmo de corrida era bom nas corridas [de simulação] que tivemos, foi interessante como o ritmo de classificação melhorou de um dia para o outro", finalizou. 
 
A diferença das melhores voltas dos 22 primeiros colocados dos testes de pré-temporada foi de menos de 1s – apenas a dupla da NIO esteve fora desta sequência. Massa lembrou a disputa ferrenha que marca a FE, mas com uma ressalva: Valência conta com uma pista bastante diferente de todas aquelas da temporada competitiva.
"Tem muita gente aí, é bem equilibrada. Ano passado a BMW também estava sempre lá em cima [na pré-temporada]. Valência é uma pista boa para eles e não tem nada a ver com as que vamos correr. No fim das contas, temos que esperar a primeira corrida para ter uma impressão clara", comentou à emissora.
Lucas Di Grassi e Felipe Massa (Reprodução/Instagram)
"A Fórmula E é, sem dúvidas, uma categoria diferente de todas as outras. Não só pelo carro elétrico, mas a pista, a forma que o carro funciona, sem tanta carga aerodinâmica quanto os outros que eu estava acostumado, o pneu de rua", falou sobre a categoria. 
 
"A diferença do carro te obriga a ter experiência e um pouco de tempo para entender. Sem dúvida, a segunda temporada vai me ajudar muito, em termos de experiência, a entender mais, a trabalhar com o carro e a bateria. Agora já conheço as pistas, no primeiro ano não conhecia nenhuma. Estou muito mais preparado e espero ter uma segunda temporada muito melhor que a primeira", argumentou.
 
Com relação à abertura da temporada em formato de rodada dupla, experiência que Massa não viveu no ano passado – em 2017, em Hong Kong, FE também abriu o campeonato em tal formato -, destacou o peso na pontuação.
 
"Se a gente chegar lá e não estiver 100% preparado, pode ser ruim, mas se chegarmos competitivos, é bom, podemos marcar pontos logo de cara. Depois disso tem um intervalo grande. A semana de desenvolvimentos é importante, então às vezes pode ser um pouco negativo, mas tomara que a gente tenha capacidade de ser competitivo logo de cara", avaliou.
Ainda em vídeo da Fórmula E, Massa reforçou o que entende como importância da categoria.
 
"A Fórmula E é muito importante, porque além da competição, do nível dos pilotos, é um exemplo para as pessoas. Exemplo de mobilidade, mobilidade urbana, sustentabilidade", falou.
Felipe Massa (Foto: Venturi)
"Isso é o que a gente precisa mostrar e fazer com que o mundo evolua. O mundo passe a ter carros elétricos, menos poluição. Pensar um pouco mais no planeta, nos nossos filhos, e é isso que a Fórmula E traz como exemplo incrível para todos os países que nós vamos", falou.
 
Por fim, Felipe ainda comentou sobre a preocupação ambiental sempre demonstrada por Lewis Hamilton e elogiou o hexacampeão da F1.
 
"É correto [pensar no futuro]. O Lewis Hamilton pensa no futuro e quem sabe um dia, depois da F1, ele esteja na Fórmula E. Como tantos outros pilotos… Todas as pessoas têm que pensar mais verde, de forma mais sustentável e em todas as coisas mais importantes do nosso futuro. É bacana tê-lo, como o piloto que é, pensando assim", finalizou.
 
As provas que abrem a temporada da Fórmula E estão marcadas para as 8h45 (de Brasília) da sexta-feira, 22 de novembro, e as 9h do domingo, 23.

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