5 coisas que aprendemos no eP de Madri da Fórmula E 2025/26
Com vitória de António Félix da Costa e treta na Jaguar mesmo após 1-2, GRANDE PRÊMIO traz cinco lições deixadas pelo eP de Madri — que trouxe novo sofrimento para os brasileiros Felipe Drugovich e Lucas Di Grassi
A Fórmula E realizou o primeiro eP de Madri da história no último fim de semana, no tradicional Circuito de Jarama, e brindou o povo espanhol com uma bela disputa vencida por António Félix da Costa ao lado de casa. E a etapa trouxe emoções em todos os sentidos, incluindo um Mitch Evans bastante irritado pelo segundo lugar e ultrapassagem pelo pódio da última curva da volta final. Felipe Drugovich e Lucas Di Grassi, mais uma vez, não pontuaram e seguem zerados.
Com a segunda vitória consecutiva, Da Costa dá cada vez mais indícios de uma briga pelo título, enquanto Evans volta a ter problemas com a estratégia da equipe após decepções passadas. Mais atrás, a Nissan parece não conseguir enxergar um caminho rumo ao ritmo forte demonstrado no ano passado, o que já acende um sinal importante de alerta para o campeão Oliver Rowland e o errático Norman Nato.
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Drugovich foi de líder do segundo treino livre a último colocado no grid de largada, o que resultou em uma corrida fadada a buscar o top-10 — sem sucesso. Mesmo considerando a influência de fatores externos, o brasileiro vai à sétima de 17 etapas ainda sem um ponto sequer e é outro em estado de atenção. Por fim, Jarama mostrou que não só tem capacidade para receber a Fórmula E, mas um público que está disposto a abraçá-la e um traçado muito interessante para a era Gen4.
Desta forma, o GRANDE PRÊMIO lista cinco coisas que aprendemos no eP de Madri da Fórmula E:
Renovado Da Costa indica briga pelo título
António Félix da Costa parece um piloto diferente na Jaguar. E nem tudo se resume ao ambiente, já que ser feliz não ganha campeonato. O fato é que o português parece mais adaptado ao carro felino, longe do complicado — mas extremamente competitivo — trem de força Porsche, e nunca se mostrou tanto no controle desde o início da era Gen3.
Teve problemas nas primeiras etapas, é verdade, mas pontuou em todas desde então e chegou à segunda vitória consecutiva em Madri. Na classificação, antes um ponto fraco, é o melhor da temporada junto a Edoardo Mortara, com posição média de 5,2 no grid de largada. Neste ritmo, briga com força pelo bicampeonato mundial.

Nissan vê alerta se aproximar do vermelho
Considerando o fim da temporada passada e o início do atual campeonato, não dá mais para negar: a Nissan não é a mesma que levou Oliver Rowland ao título em 2024/25. 16º colocado no eP de Madri, o campeão se agarra ao sétimo lugar do campeonato muito por conta dos três pódios que arrancou na marra, mas o histórico recente de um top-10 nas últimas quatro corridas diz muito sobre o que é o time japonês atualmente. Em todas as corridas que não ficou entre os três primeiros, o inglês não conseguiu nem sequer pontuar.
E o que mais assusta é a competitividade em si, que parecia ter sido reencontrada na segunda corrida de Jedá. Em Madri, contudo, o ritmo foi terrível novamente e, mesmo com uma classificação positiva, não permitiu a Rowland sequer almejar a briga pelas primeiras posições. Norman Nato se deu ainda melhor que o companheiro na definição do grid de largada e saiu em quarto, mas segue cometendo uma profusão de equívocos; dessa vez, errou logo na primeira passagem pela curva 1, passeou pela brita e não conseguiu voltar ao top-10. Pensar em taça parece cada vez mais utópico.
Relação entre Evans e Jaguar em frangalhos?
Com contrato expirando ao fim da temporada e muitos interessados, Mitch Evans parece não falar mais a mesma língua da Jaguar. Mesmo com uma bela recuperação e o segundo lugar, a ordem de não ultrapassar Da Costa — mesmo com mais energia que o português, fruto do próprio trabalho ao longo da corrida — não caiu bem. O neozelandês reclamou com o companheiro logo ao sair do carro, fez cara feia e disse que “venceu quem a equipe queria”.
O chefe Ian James já tratou de botar panos quentes, mas o fato é que o derretimento estratégico da equipe durante a final da temporada 2023/24, quando a Jaguar se embananou e entregou o título a Pascal Wehrlein, nunca sarou completamente aos olhos de Evans. O próprio James reconheceu os “traumas” do neozelandês neste aspecto, e uma nova chefia pode significar mesmo uma mudança de rota — resta saber se com Mitch dentro ou fora do time. O reserva Stoffel Vandoorne observa de perto.

Drugovich precisa de pontos
Ainda que seja um novato, Felipe Drugovich chega como um campeão da Fórmula 2 e com certa experiência em carros de Fórmula 1, dada a passagem pela Aston Martin. Além disso, as experiências em categorias de endurance e o tempo de carreira credenciam o brasileiro a ser visto, mesmo neste início, como alguém que pode somar desde o início em uma equipe. Não é, porém, o que tem acontecido. Com uma classificação muito ruim, fruto de um erro da Andretti na preparação dos pneus em pista molhada, Felipe foi condenado ao último lugar na largada e não conseguiu se recuperar. Em seis corridas, ainda não conquistou pontos.
O brasileiro ainda teve um leve brilho ao ser o primeiro a ativar o Modo Ataque e engolir todo o pelotão, mas a estratégia da Andretti não ajudou e o ritmo não foi suficiente para buscar posições após o Pit Boost. Mesmo com todas as nuances, o fato é que Drugovich precisa pontuar. O piloto substituiu Nato justamente porque o francês não conseguia acompanhar Jake Dennis e, em resultados de corrida, é basicamente o que tem acontecido. O potencial é evidente e a categoria oferece dificuldades muito particulares, mas estar zerado após seis provas chama atenção (mesmo considerando as boas atuações em São Paulo e Miami). No fim das contas, os pontos é que vão fazer a diferença para o time.
Jarama entrega e dá recado à Fórmula E
Estreante, Jarama foi palco de uma corrida de pelotão diferente. Cheia de disputas, como é de se esperar, mas menos caótica que o habitual e com menor dose de importância da sorte. O resultado foi um final absolutamente eletrizante, com quatro pilotos colados rumo à linha de chegada e disputas em todas as partes do grid.
De quebra, a Fórmula E se viu abraçada pelo povo de Madri, que lotou as dependências do circuito e se fez presente nas arquibancadas de forma até surpreendente. Com a chegada do carro Gen4, o potencial do traçado poderá ser explorado de forma ainda mais profunda, o que gera uma sensação clara: Jarama precisa ficar.
A Fórmula E agora faz pausa de pouco mais de um mês antes da próxima etapa, a rodada dupla do eP de Berlim, entre os dias 1º e 3 de maio. A capital alemã recebe a categoria elétrica no Aeroporto de Tempelhof e marca a metade da temporada 2025/26. Emissora oficial no Brasil, o GRANDE PRÊMIO transmite todas as atividades de pista AO VIVO e COM IMAGENS no YouTube e na GPTV.
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