Aos 44 anos, Villeneuve explica ida para a F-E: “Estava nervoso de assistir pelo sofá em vez de estar lá”

O momento da vida é outro, F1 e Indy ficaram no passado há muito, mas o capacete e o espírito de piloto de Jacques Villeneuve, esses não mudaram. Ao ver a primeira temporada da F-E em casa, o canadense decidiu que queria estar ali - e vai, por toda a temporada 2015

20 anos após o título na Indy e 18 depois a conquista do Mundial de F1, Jacques Villeneuve é um novo homem em novo momento. Já se vão bons dez anos desde que o canadense deixou a F1 e parou, também, de correr como regular em qualquer categoria. Fez um pouco de tudo neste tempo. Mas agora é hora de voltar a disputar um campeonato. A fase não é mais aquela do cabelo amarelo, mas o capacete ainda é o mesmo. Ao se encantar com a primeira temporada da história da F-E, Jacques decidiu que queria acelerar os carros elétricos. E vai.
 
Em entrevista concedida à revista norte-americana 'Forbes', Villeneuve respondeu uma pergunta simples: por que a F-E? Não parece ser nada tão complicado assim para ele explicar. Ainda gosta de correr, e ficou nervoso ao ver que estava de fora da F-E, enquanto a televisão de sua casa mostrava corridas impressionantes de tão disputadas.
 
"Por que não? É uma pergunta estranha – se você é um piloto, você quer guiar. É simplesmente o que você faz. Durante os últimos dez anos, eu fiz algumas coisas e fiquei feliz. Aprendi muito, mas sempre eu estava chegando no último minuto, e isso era um obstáculo", lembrou.
 
"Ano passado, eu estava assistindo corridas da F-E e pareceu muito animador, e eu estava nervoso por estar apenas no sofá assistindo em vez de estar lá correndo entre os muros, porque o nível é tão alto, os times são tão profissionais, senti que seria um bom momento para voltar. Era algo que eu simplesmente queria acordar pela manhã e fazer", seguiu.
Jacques Villeneuve em reunião na Venturi (Foto: F-E)
"Eu gosto da ideia de estar sempre pensando, encontrando maneiras de ir 0s1 mais rápido, e trabalhar junto aos engenheiros. E na F-E você pode fazer isso", falou.

Muita gente se recorda de um Villeneuve um tanto quanto arrogante nos tempos áureos na F1, mas nem de longe é a impressão que se tem do canadense com tantos anos passados. O que parece se manter é a paixão para fazer o que tornou Jacques muito mais do que somente o filho de Gilles.

 
Do momento que decidiu que queria participar da brincadeira até ter a chance de andar com a Venturi, passou pouquíssimo tempo. A resolução foi rápida. Aquém do que planejava na temporada inicial, a equipe monegasca perdeu Nick Heidfeld e estava mesmo à procura de alguém. 
 
"Houve uma comunicação breve com o Gildo Pallanca Pastor (diretor-geral da Venturi), porque nós dois crescemos em Mônaco e temos mais ou menos a mesma idade. Isso fez o contato inicial muito fácil. Três dias depois disso, recebi a primeira ligação para testar o carro; foi bem, e eu realmente me conectei com o time. No dia seguinte, assinei. Foi muito simples", contou.
 
O importante continua sendo se divertir. Segundo Villeneuve, ele conseguiu isso em todas as categorias que fez. Além de tudo que envolve as próprias corridas, as pistas e suas localizações são outra coisa que motivam Jacques para a F-E.
 
"Eu me diverti em tudo que guiei. Me diverti muito na F1, em Le Mans, na Indy e estou tendo aqui. Você tem que realmente tirar o próximo 0s1, e uma vez que entra no ritmo da corrida precisa poupar energia, e é muito difícil saber como manter os mesmos tempos, mas salvar mais energia. É um processo mental muito interessante", avaliou.
 
"As pistas são ótimas porque são em cidades e todas curtas e irregulares, o que faz os carros parecerem mais rápidos. Há boa corrida, boas ultrapassagens, e isso é tudo que você realmente precisa. Isso é tudo", seguiu.
 
Uma das críticas mais comuns dos pilotos, especialmente da F1, à F-E é sobre a velocidade notoriamente mais baixa. Outra que vem do público diz respeito aos sons dos carros. Para Jacques, essas coisas são um fator realmente importante numa corrida apenas se as outras coisas que estiverem acontecendo não forem boas o bastante.
Jacques Villeneuve vai vestir as cores da Venturi (Foto: F-E)
"Você não precisa da velocidade, precisa da impressão de velocidade. Som e velocidade são um problema apenas quando a corrida é chata. Mas quando é boa, você não pensa nisso, porque está absorvido visualmente pelo que está acontecendo. Na realidade, estou feliz de não estar tendo meus tímpanos destruídos desta vez", afirmou.
 
"É a sensação do limite que importa ao piloto. Você pode guiar um carro incrivelmente rápido e não ter muito feedback, ou pode guiar um mais lento e realmente ter que trabalhar e brigar com ele, o que é mais divertido. É uma questão de quão competitivo todo mundo é contra você, também", disse.
 
O objetivo? Não é brincar, não é "férias". É lutar na frente, garante o campeão mundial.
 
"Eu quero lutar na frente, chegar ao pódio aqui e ali, talvez ganhar algumas corridas. Não estou aqui de férias. Corrida é corrida. O que você gosta mais é quando está numa posição de vencer, quando está batalhando na frente. Quando está correndo atrás, ainda que com o carro mais incrível de guiar, você não gosta. Eu aprecio muito esse aspecto. Parece que vão acontecer muitas batalhas próximas de novo nesta temporada, e eu gosto muito disso", continuou.
 
"Eu quero ficar aqui enquanto a categoria progride, definitivamente. Estou me divertindo muito até agora com a Venturi, e espero ter contribuído com o time. Estou aqui há pouco tempo, mas que continue por muito", encerrou.
 
A temporada da F-E começa, com Villeneuve e tudo, em 24 de outubro com o eP de Pequim dando volta no Ninho do Pássaro.

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