CEO da Fórmula E defende carros elétricos e cutuca fãs da F1: “Som da ineficiência”
Jeff Dodds explicou que resistência de fãs tradicionais à Fórmula E vem da curta história e do som dos carros e criticou busca por barulho dos modelos da Fórmula 1
A Fórmula E tem investido em ações para atrair novos públicos, mas o CEO Jeff Dodds vê que ainda há resistência entre fãs mais tradicionais do automobilismo. Para ele, dois fatores em especial dificultam a aproximação com a audiência que acompanha categorias como a Fórmula 1: o som dos carros e a falta de história.
A Fórmula E promoveu uma série de iniciativas para tornar a categoria mais popular, principalmente entre quem nunca teve muito contato com esporte a motor. Entre as ações, estão parcerias com celebridades, incluindo MrBeast — YouTuber com mais inscritos do mundo —, além das chamadas Evo Sessions, em que convidados pilotam os carros elétricos.
Mas atrair os fãs de categorias tradicionais, como a F1, continua sendo um desafio. Em entrevista ao site e-Formula News, Dodds destacou os atrativos da categoria elétrica para qualquer amante de automobilismo e apontou dois aspectos específicos para fãs mais tradicionalistas.
“Quando falamos sobre público clássico de automobilismo, resumimos a quem acompanha F1, certo? Temos fatores que os fãs gostam: monopostos, com rodas descobertas, corridas com muita disputa e contato próximo. Posso falar imprevisibilidade também porque há oportunidades reais para pilotos surpreenderem e subirem ao pódio”, afirmou.

“Talvez as duas coisas que joguem contra nós: temos apenas pouco mais de dez anos de existência, não 75 como a F1 ou 100 como outras categorias históricas. E a outra é o som. São os dois pontos que sempre levantam. Por melhor que sejamos, não podemos voltar no tempo e criar uma história mais longa. Então precisamos nos apoiar no fato de que somos jovens, disruptivos, tentamos coisas novas — e é isso que atrai novos fãs”, reconheceu
Sobre o som, Dodds foi mais direto e disse que tentar imitar o passado não faz sentido. Para o dirigente, essa barreira deve desaparecer com o tempo.
“O barulho do automobilismo vem do motor a combustão, uma tecnologia de 130 anos. É o som da ineficiência. Nossos carros soam como jatos de combate, não como carros antigos, porque são extremamente eficientes. A perda de energia é mínima”, exaltou.
“Fazer nossos carros soarem como os antigos nunca vai acontecer. Por que transformar uma tecnologia de ponta em algo que pareça velho?“, questionou.

“O novo público que está surgindo vai ter outro parâmetro. Esse será o som de um veículo para eles. Precisamos abraçar isso, em vez de ficar nos defendendo o tempo todo por não soarmos como carros antigos. Com o tempo, as pessoas vão gostar de ver corridas muito rápidas com modelos empolgantes — talvez até mais rápidos que os da F1 — e vão aceitar que soam como jatos de combate ou como caças de Star Wars e não como os velhos”, completou.
Com o encerramento da temporada, a Fórmula E só volta à pista de maneira oficial justamente no dia 6 de dezembro, no eP de São Paulo — que vai abrir a próxima edição da categoria. Com o maior calendário da história, o campeonato também vai passar por Cidade do México, Miami, Jedá, Madri, Berlim, Mônaco, Xangai, Tóquio e Londres, além de duas rodadas simples ainda não confirmadas.
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