Ticktum detona pilotos “patéticos” da Fórmula E após batida: “Correm como crianças”
Dan Ticktum abandonou após ser abalroado em incidente envolvendo Nick Cassidy, António Félix da Costa e Maximilian Günther. Piloto da Cupra Kiro disparou contra rivais e direção de prova da Fórmula E
Dan Ticktum saiu revoltado do eP da Cidade do México da Fórmula E, disputado no sábado (10), após abandonar a prova em um acidente múltiplo na curva 5. O piloto da Cupra Kiro foi atingido em um engavetamento iniciado por uma disputa entre Nick Cassidy e António Félix da Costa, que levou o português a acertar a traseira de Maximilian Günther. Ainda no carro, o britânico chamou os rivais de “crianças mimadas” em ataque de fúria que seguiu nas entrevistas pós-corrida, quando disparou contra a direção de prova.
A confusão aconteceu no trecho mais estreito do circuito, quando Cassidy se colocou por dentro de Da Costa, que perdeu o controle e acabou sendo lançado contra Günther. Ticktum, que vinha por fora, não teve como evitar o choque e acabou coletado na sequência, encerrando prematuramente mais um fim de semana em que tinha potencial para brigar por posições de destaque.
Logo após o acidente, ainda pelo rádio da equipe, o britânico não escondeu a irritação com o nível das disputas na categoria e disparou críticas duras aos adversários.
“Eles correm como um bando de crianças, crianças mimadas. Patético. Já chega disso. Isso não é uma categoria de talento”, disse Ticktum ao engenheiro Nic Morel.
Os comissários analisaram o episódio por um longo período, mas decidiram que não haveria punições. No relatório oficial, a direção de prova classificou o acidente como resultado de “uma série de elementos infelizes”, avaliando que o toque inicial entre Cassidy e Da Costa foi leve demais para justificar investigação. Também foi considerado que Günther adotou uma linha um pouco mais fechada que o habitual, mas dentro do que lhe era permitido, caracterizando o lance como um incidente de corrida.
Mesmo após o término da etapa, a revolta do britânico não diminuiu. Já na zona mista, o alvo das críticas passou a ser o trabalho da direção de prova e dos comissários da Fórmula E. Ticktum relembrou um toque anterior de Da Costa, poucas voltas antes do acidente definitivo, que o fez perder várias posições sem que houvesse punição mais severa.
“Da Costa já tinha me tocado duas ou três vezes antes do acidente que me tirou da corrida. Perdi três ou quatro posições com esses incidentes, mas ele só levou uma reprimenda”, lembrou.
“O nível de arbitragem neste campeonato no momento é simplesmente terrível, então todo mundo está pilotando como idiota. Tem muitas meia-manobras, muitos mergulhos. Nem sempre é culpa dos pilotos, mas não está sendo fiscalizado corretamente. Parece uma corrida de carro alugado. Não sei em que outro campeonato do mundo você pode acertar outro piloto por trás, fazê-lo perder posições e não acontecer absolutamente nada. É uma piada”, disparou.

O abandono no México agravou ainda mais o início de temporada do britânico. Nas duas primeiras corridas do campeonato 2025/26, Ticktum foi vítima de incidentes oriundos de disputas que não estava envolvido diretamente e abandonou, apesar de ter ritmo para disputar pódios.
No eP de São Paulo, largando na primeira fila, teve a corrida comprometida por um furo de pneu após contato com Nyck de Vries logo na primeira curva, outro episódio que terminou sem punição. Segundo o piloto, aquele lance segue vivo na memória e reforça a percepção de falhas graves na condução das provas.
“Houve situações em São Paulo que o diretor de prova e os comissários simplesmente admitiram que deixaram passar. Não sei como isso acontece em um campeonato mundial. Não é a Fórmula 1, mas ainda assim é um campeonato mundial”, criticou.
O desabafo encontrou eco, ainda que em tom bem mais moderado, nas palavras do chefe da Cupra Kiro, Russell O’Hagan. O dirigente reconheceu a frustração do piloto, mas ponderou que o problema envolve não apenas o comportamento em pista, como também a clareza das regras e das decisões.
“Compartilhamos parte da frustração do Dan. É duro sair de São Paulo e do México sem pontos, especialmente da forma como aconteceu. Não colocaria tudo apenas na conta do padrão de pilotagem, mas também das regulamentações e das decisões dos comissários. Algumas abordagens mais agressivas acabam sendo recompensadas, e precisamos entender onde estão esses limites”, explicou.
A próxima parada da Fórmula E é nos Estados Unidos para o eP de Miami, entre os dias 30 e 31 de janeiro. Emissora oficial no Brasil, o GRANDE PRÊMIO transmite todas as atividades de pista AO VIVO e COM IMAGENS no YouTube e na GPTV.
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