Em FE tão parelha, Da Costa usa raro domínio para ser campeão pela primeira vez

António Félix da Costa confirmou seu primeiro título na Fórmula E. A chave para a conquista foi um domínio raro: vencer três seguidas em um certame tão parelho foi o que deixou o português um nível acima de qualquer outro postulante

Era questão de tempo. António Félix da Costa até começou a maratona de Berlim como apenas um de vários candidatos com chances de ser campeão da Fórmula E, mas logo virou favorito absoluto após vencer os dois primeiros ePs sem qualquer resistência dos rivais. Neste domingo (9), o esforço foi recompensado: com o segundo lugar na quarta corrida no Tempelhof, o português confirmou seu primeiro título.

A campanha começou de forma bem menos brilhante. A rodada dupla em Diriyah começou conturbada, com apenas 1 ponto. A combinação de classificações ruins com provas acidentadas impediram Da Costa de surgir como um favorito imediato. Além disso, ainda existia a impressão de que o bicampeão Jean-Éric Vergne seria capaz de seguir trazendo resultados melhores.

Isso, entretanto, começou a mudar já no eP seguinte. A categoria partiu para Santiago, que tem o histórico de promover corridas cheias de acidentes. Da Costa largava em décimo, e seria necessário uma série de plot-twists para lutar por pódio. E assim aconteceu: o português chegou até mesmo à liderança, mas precisou poupar energia e caiu para segundo, vendo Maximilian Günther vencer.

António Felix da Costa virou nome óbvio para o título após tanto vencer (Foto: FIA Fórmula E)

Mais do que isso, a prova representou um momento de ruptura dentro da Techeetah. Da Costa e Vergne se desentenderam a respeito de brigas por posição e ordens de equipe. Além disso, o francês abandonou e começou a ficar longe da luta pelo título.

A corrida na Cidade do México trouxe roteiro semelhante para a Techeetah. Uma prova cheia de acidentes ajudou Da Costa a subir de nono para segundo. Vergne teve mais dificuldades, mas salvou um quarto lugar. No rádio, uma guerra de palavras entre os dois. Na classificação, Da Costa passava de sétimo para terceiro, somente 8 pontos atrás do vencedor e líder Mitch Evans.

Ser segundo era bom, mas não bastava para ser campeão. Era hora de dar um passo adiante, e foi aí que entrou o eP de Marrakech. Da Costa finalmente encaixou uma boa classificação e fez a pole-position. Na corrida, venceu de forma dominante: nada menos do que 11s de vantagem sobre Günther. O português virava líder do campeonato, e com 11 pontos de vantagem sobre o vice-líder Mitch Evans.

Antonio Félix da Costa ganhou vida em Berlim (Foto: Fórmula E)

Só que assumir a liderança é a parte simples. Em um campeonato frenético, é comum o líder trocar de corrida em corrida. A missão de Da Costa era repetir o que Vergne tinha feito um ano antes: assumir a primeira posição no campeonato e não mais sair de lá. A pandemia veio e o português ganhou cinco meses para se preparar antes da ofensiva final rumo ao título.

Um pouco por sorte, outro pouco por competência, a FE retornou em Berlim com um traçado do Tempelhof que se encaixou como uma luva na pilotagem de Da Costa. António foi dominante como poucas vezes se viu, fazendo duas poles e vencendo duas vezes com autoridade. Dominante talvez até como nunca se tinha visto: a única outra vez que alguém venceu três seguidas foi com Sébastien Buemi em 2016/17, com um grid bem mais fraco do que na atualidade.

Com pilotos como Evans, Günther e Sims mal pontuando, Da Costa abriu vantagem incrível no campeonato. Eram 125 pontos contra os 57 de Lucas Di Grassi, novo vice-líder. Restavam quatro corridas e o título era quase certo já.

A terceira corrida em Berlim foi um pouco menos brilhante. No traçado normal do Tempelhof, Da Costa perdeu gás. Largou em oitavo, terminou em quarto. Longe de ser ruim: era uma prova a menos e quase todos os possíveis candidatos ao título seguiam patinando.

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