Opinião GP: No Uruguai, F-E mostra popularidade e dá pinta de que vai se firmar no automobilismo mundial
Em momento de claro interesse causado pela F-E a grandes montadoras mundiais, primeiro 'sell-out' expõe também aumento de popularidade da categoria junto aos fãs. Projeto da categoria é consistente, e fracasso não parece ser provável
DE PUNTA DEL ESTE, uma coisa ficou muito clara: a F-E pretende se agarrar a essa prova na cidade mais turística do Uruguai. A reverência dos pilotos foi corroborada pelo diretor-geral, Alejandro Agag, que não apenas repetiu o antigo apelido de Monte Carlo da América do Sul, como também disse que a prova tem tudo para se tornar um clássico.
E se a F-E gostou de Punta del Este, Punta del Este da mesma forma gostou da F-E. Todos os dez mil ingressos colocados à venda saíram. Fica, assim, configurado o primeiro 'sell-out' da história da categoria, após públicos muxibentos nos ePs de China e Malásia.
Se muitas das pessoas que pagaram cerca de R$ 120 para ver os carros elétricos passarem eram turistas, pouco importa. Não era assim, de um dia para o outro, que o uruguaio ia despertar seu interesse em automobilismo, inconsciente por anos. Os turistas de Brasil Argentina, Estados Unidos e os uruguaios lotaram as arquibancadas e vibraram, dando uma roupagem mais impressionante à prova.
Na pista, a troca de carros ainda influencia muito, algo que não deve mudar. Enquanto Jean-Éric Vergne demorou um pouco, Sébastien Buemi foi rápido. Saiu dos boxes com a primeira posição ganha e não a perdeu mais. Venceu a prova, e depois de um início cheio de problemas, o suíço conquista seu segundo pódio seguido e mostra a força que dele esperavam após os testes em Donington.
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Sobre as trocas de carro: é bom acostumar, porque elas ficarão por aí bastante tempo. Foi Agag mesmo quem falou das baterias duráveis por uma corrida inteira. É uma tecnologia que ainda não existe, e a F-E espera que só consiga ter essas baterias, potentes o bastante para empurrar um motor de monoposto por uma hora inteira, dentro de quatro ou cinco temporadas.
Agag, aliás, é bem participativo nas atividades oficiais. Está sempre às vistas, vai à sala de imprensa constantemente, fala quando requisitado. O quanto a F-E pode crescer com ele, ainda não se sabe, é dúvida. Mas o espanhol, ao menos nesse início, dá a cara a tapa.

Nenhuma surpresa que a organização não seja tão formal e cheia de não-me-toques como a da F1. As coletivas acontecem na sala de imprensa e assim que terminam todos os pilotos ficam disponíveis num espaço do lado de fora da sala por algo como 15 a 20 minutos. Quer dizer, nem todos os pilotos aparecem por lá, mas, em tese, deveriam.
O som, embora estranho para quem vive o automobilismo, não é tão desagradável. É baixo e diferente. Parece mesmo com aquela assoprada que as crianças dão em papel de bala, parece de verdade que os carros estão tristes. Mas isso tudo acostuma. Não é o som desses carros que vai determinar o sucesso ou o fracasso da F-E. O panorama na qual a categoria está inserida é muito maior.
A visita de Helmut Marko, para checar viabilidade da entrada da Red Bull no programa, parece ter propulsionado alguns esnobados por seu projeto de desenvolvimento de pilotos para a F1. Buemi, ainda parceiro da empresa dos energéticos, venceu a corrida. Jaime Alguersuari chegou a ser mais rápido em treino livre, andou bem e levou a Virgin a um quinto lugar.
Mas as atenções estavam mesmo voltadas a Vergne, dispensado da Toro Rosso dias atrás e estreando na F-E. Vergne fez a pole e começou a correr dando a impressão de que conhecia o carro há anos – algo que só fizera na sexta-feira – e abrindo vantagem. Mesmo depois de perder a posição dianteira nos boxes continuou mais rápido. Tão mais rápido que viu sua corrida terminar próximo ao fim com a bateria descarregada.
Se vai continuar aparecendo na F-E, não dá ainda para saber. Vergne desconversa e diz que está deixando portas abertas. É inegável, porém, que seria bom para a categoria.
E Lucas Di Grassi está preciso. Consegue fugir de confusões quando ataca e quando defende e é agressivo. Seu eP do Uruguai podia ter terminado na largada quando foi apertado por Alguersuari. Escapou e recuperou as posições aos poucos. O único que o acompanhava de perto na classificação era Sam Bird, que abandonou a prova deste sábado. São 18 pontos que Di Grassi carrega de vantagem para Buemi e Bird. Nada abismal, mas grande para três provas.

No Uruguai, a F-E mostrou um projeto encorajador. Tanto nos planos ambiciosos, nas empresas interessadas a participar da baila conforme a música elétrica, a qualidade das corridas – Putrajaya e Punta foram excelentes. É difícil imaginar que seja uma categoria temporária ou fadada ao fracasso. Mais fácil crer que os carros elétricos passarão pelas ruas do mundo por muito mais tempo.
O Opinião GP é o editorial do GRANDE PRÊMIO que expressa a visão dos jornalistas do site sobre um assunto de destaque, uma corrida específica ou o apanhado do fim de semana de automobilismo.
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Infos que demonstram como a F-E está atraindo atenção de grandes marcas relacionadas à F1:
_ Helmut Marko está em Punta del Este. Certamente não é para ver nenhum talento como Vettel, Ricciardo, Kvyat ou Verstappen nem para rever amigos que lhe parecem desafetos
_ A Mercedes, que dias atrás se disse interessada na F-E, é uma das montadoras que está conversando para entrar no campeonato no ano que vem
_ A Audi é parceira da Abt em questões operacionais, até porque os carros têm a mesma base. A partir do momento em que for aberto, os carros terão um desenvolvimento técnico. E aí os alemães vão participar da brincadeira
Quando o relógio deu 15 nesta sexta-feira em Punta del Este, o safety-car de tecnologia híbrida da BMW saiu dos boxes levando a primeira leva de carros e aqueles que estivessem na parte de dentro do circuito de rua para cerca dos alambrados. Os câmeras das TVs locais usaram as arquibancadas e o espaço do hospitality-center para, além de exercerem suas funções, saciar a curiosidade; o mesmo fizeram os moradores dos prédios que têm visão privilegiada. Era uma série de voltas de reconhecimento do traçado estreito e com curvas de baixa velocidade. De longe ou perto, era possível ver o espanto mesclado à surpresa.
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