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Depois de alguns meses de interrogações aos montes quanto ao local ou mesmo a realização do eP de Berlim, chegou mesmo a hora da nova pista de rua receber a F-E. E com um significado ainda maior para o campeonato, visto que a saída do eP de Moscou faz da corrida alemã a última antes da rodada dupla que encerra a temporada da Londres. A briga pelo título sai da capital alemã para o tudo ou nada.
O imbróglio da etapa alemã começou ainda no ano passado e nada teve a ver com fatores esportivos. Acontece que o aeroporto desativado de Tempelhof passa a maior parte do ano sem atividades – salvo certos eventos culturais e esportivos. Mas com a grave crise dos refugiados sírios e o asilo cedido pelo governo alemão, os terminais do aeroporto foram dados como local de abrigo para as pessoas que conseguem fugir dos horrores no Mediterrâneo.
Sem a casa estabelecida, a F-E se viu numa sinuca de bico. Precisava encontrar outra parte de Berlim ou se mudar da capital para alguma outra cidade alemã. Norisring chegou a ser vista, mas sair de Berlim não era algo que Alejandro Agag e a Formula E Holdings viam com bons olhos depois de todos os elogios sobre as diretrizes sustentáveis obstinadas da cidade.
Se quiser ser campeão, Sébastien Buemi precisa simplesmente ser melhor (Foto: Getty Images)
Encontrada uma solução em meados de fevereiro, a pista passa pela Strausberger Platz e Alexanderplatz, com o pit-lane colocado na grande reta da Avenida Karl-Marx. Está no distrito de Friedrichshain, antiga parte da Alemanha Oriental. Serão 11 curvas distribuídas por 2,03 km. A localidade é muito boa. Talvez não como em Paris, mas vai dar para fazer o trabalho.
Sobre a briga pelo título, já não se sabe mais, neste ponto, o que se esperar. Ainda é aceito pela opinião geral que a e.dams tem o melhor carro do grid. Mas – e talvez para tirar o seu da reta – Sébastien Buemi andou colocando interrogações. É um momento estranho onde a percepção geral não é certeza e ninguém sabe qual e.dams vai aparecer em Berlim. Em Paris, o ritmo de corrida era bom, mas o de classificação era absolutamente horrendo.
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Ainda que não tenha mais o melhor carro, Buemi não tem uma desvantagem para Lucas Di Grassi em termos de máquina. São, claro, 11 pontos atrás num campeonato que deveria estar ganhando enquanto tinha tamanha frente com seu carro. As chances foram se esvaindo, as oportunidades foram passando e a fuga não chegou e nem nunca vai chegar. Com duas etapas (e três corridas) para o fim, um eventual título será não mais que na conta do chá.
Di Grassi está ainda com mais moral, por sua vez, desde o último encontro com os monopostos elétricos. Depois de vencer as 6 Horas de Spa-Francorchamps com a Audi no Mundial de Endurance, agora tem a ponta, certa segurança de pontuação para queimar e todo o 'momentum' possível. Numa pista ainda desconhecida, a capacidade de adaptação deve ser importante.
Na casa da Audi ABT, o piloto quer repetir o que conseguiu fazer ano passado: vencer em Berlim. É bem verdade que seu triunfo em 2015 acabou revertida por um erro bobo da equipe e sua subsequente desclassificação horas após a prova. Mas Di Grassi guiou à perfeição naquele dia. Caso vença de novo, carrega uma vantagem de pelo menos 18 pontos para a decisão.
O mais importante neste momento da briga, porém, não é sequer uma possível vitória de Lucas, mas que Buemi terá que arrancar o título no fórceps. Salvo outro erro grande da Audi ABT no México, que fez Lucas ser desclassificado de novo, ele foi ao pódio em todas as provas da temporada. Três vezes, vencendo. Sua estratégia sempre foi, desde que o campeonato começou, marcar o maior número de pontos possível. Fez isso da melhor forma até aqui, e não há motivo para pensar que isso mudará. Buemi, para tomar o controle da F-E de volta, vai precisar apenas de uma coisa: ser melhor. Ele pode? É a pergunta de R$ 1 milhão.
Lucas Di Grassi fez o dele até aqui, e isso dificilmente vai mudar (Foto: Getty Images)
Nicolas Prost e Daniel Abt também passam a ser jogadores muito maiores numa luta que foi uma surpresa ainda maior, a do Campeonato de Construtores. A equipe francesa lidera com míseros sete tentos de vantagem, 165 contra 158 dos tedescos.
E atrás, a Virgin pode enfim confirmar que passou a Dragon e se tornou a terceira força do grid. Depois de uma sequência de grandes corridas, a Dragon não passou sequer perto de andar em mais que o meio da zona de pontos em Long Beach e Paris. Enquanto isso, Sam Bird não para de anotar pole-positions – são três nas quatro últimas corridas – e Jean-Eric Vergne conseguiu, enfim, brigar pelo pódio. Subiu, inclusive, com o segundo posto em Paris. A Dragon ainda está na frente da Virgin no campeonato, são 112 contra 106 pontos.
A recuperação da Virgin, certamente embalada pelo dinheiro e expertise da parceira Citroën, mostra como dá para mudar as fortunas de uma equipe mesmo com o congelamento do trem de força para toda a temporada. O carro pesado da equipe inglesa deixou de ser dor de cabeça na maior parte do tempo e virou positivo.
Sem Moscou, Berlim mostra definições antes que a F-E vá ao Parque Battersea. Tem tudo para ser uma das grandes etapas, ao menos em tensão, da história curta da categoria elétrica.
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