Versátil, Piquet se diz apaixonado por pilotar e somente busca "ambiente em que possa se divertir, sem ficar estressado"

Ao GRANDE PRÊMIO, Nelsinho Piquet falou do ano cheio que viveu em 2014 e da adaptação às diferentes categorias que disputou nesta temporada. O brasileiro de 29 anos se disse um apaixonado por pilotar e que apenas procura um “ambiente em que possa se divertir, sem ficar estressado”

Desde que deixou a F1 na metade da temporada 2009, Nelsinho Piquet tem se revelado um piloto versátil, conseguindo transitar sem grandes problemas nas mais diferentes categorias do esporte a motor. Na verdade, após a experiência no principal campeonato de monopostos do mundo e do envolvimento no escândalo do acidente proposital no GP de Cingapura de 2008, o brasileiro primeiro escolheu os EUA como porto seguro para novas aventuras. E não foi na Indy que decidiu dar outro rumo à carreira, como poderia se supor, mas, sim, nas divisões de acesso da Nascar — um passo pioneiro, sem dúvida.

Em 2010, Piquet deu seus primeiros passos nas corridas da ARCA, depois na Truck Series e, finalmente, na Nationwide. Na série de acesso à Nascar, o filho do tricampeão da F1 permaneceu nas três temporadas seguintes, obtendo como melhor resultado uma vitória em 2012, em Elkhart Lake. Junto, Nelsinho também disputou a Truck Series, categoria em que venceu duas vezes, ainda no mesmo ano.

Nelsinho Piquet também está na temporada inaugural da F-E (Foto: Divulgação)

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Só que em 2014 o piloto de 29 anos ampliou sua atuação nas pistas. O brasileiro correu no Mundial de Rallycross da FIA, participou de quatro etapas do Mundial de GT pelo time brasileiro da BMW, além da prova de abertura da Stock Car em Interlagos. Também esteve em corridas na Truck Series novamente e, enfim, fez sua estreia na Nascar, pela equipe Randy Humphrey, em Watkins Glen, prova em que concluiu na 26ª posição. Mais tarde, Nelsinho ainda decidiu aceitar o desafio de fazer parte da temporada inaugural da F-E, a recém-criada categoria dos carros elétricos.

“A verdade é que quanto mais experiência você possui, melhor você consegue se adaptar a outros tipos de carros. Eu sou um cara apaixonado por pilotar, não interessa se é um carro de rali ou a Nascar, um F-E ou um kart. Eu gosto de pilotar qualquer coisa”, disse Piquet ao GRANDE PRÊMIO, durante a etapa de Punta del Este da F-E, ao ser questionado sobre a versatilidade que agora caracteriza sua carreira.

Além de ter como objetivo fazer parte de uma estrutura vencedora, Nelsinho procura acima de tudo um "ambiente legal e sem estresse". “O importante é ter um ambiente legal, um grupo de pessoas bacanas ao meu redor. Você sempre precisa sentir bem. Acho que esse é o foco principal, é aquilo que eu busco na minha vida”, completou.

“Obviamente, eu quero estar em uma equipe vencedora e em um ambiente leve, legal, onde eu possa me divertir, sabe, sem ficar estressado”, acrescentou.

Na F-E, o ex-piloto da F1 defende a equipe China e ocupa a terceira colocação no campeonato. O primeiro pódio veio exatamente no Uruguai, com a segunda posição.

Para 2015, Piquet não descarta nada. O campeonato dos carros elétricos continua em sua agenda, assim como a possibilidade de uma nova temporada no Rallycross. “Ainda estou vendo isso”, disse o piloto ao GP sobre o próximo ano.

Nelsinho Piquet já venceu uma vez na Nationwide (Foto: Nascar)

“Não tenho nada definido para o ano que vem. A meta é terminar esse ano e tentar conciliar com outro campeonato, provavelmente o Rallycross nos EUA”, explicou Nelsinho, acrescentando ainda que a Nascar sempre é algo que está em seus planos.

“Eu adoro a Nascar. É a melhor categoria do mundo. Mas agora está faltando um pouco de patrocínio. Ainda é difícil para um brasileiro conseguir patrocínio nos EUA, mas se pintar alguma coisa, eu estou dentro na hora”, encerrou.

O ÚLTIMO CAMPEÃO

Há um ano e meio, Jacques Villeneuve, o último piloto campeão pela Williams, mostrava-se bastante receoso quanto ao futuro do time. Hoje, o pensamento do canadense é diferente — ainda que ele fale da transformação da equipe com alguma cautela. Em entrevista exclusiva à REVISTA WARM UP, em julho de 2013, Villeneuve dissera que, “no momento em que uma equipe passa a ter pilotos pagantes, está acabado”. O pensamento do piloto é direto: ter bons pilotos é que atrai os bons patrocínios. Neste ano, com Felipe Massa se juntando a Valtteri Bottas, a equação mudou, e o campeão de 1997 avaliou a nova fase do time.

Leia a entrevista com Villeneuve na REVISTA WARM UP.

MELHORES DO ANO
 
E assim, como num passe de mágica, 2014 passou. Foi rápido mesmo. Se Vettel decepcionou, a Mercedes dominou e o medo de acidentes fatais voltou à F1; se a Ganassi não correspondeu e Will Power fez chegar o dia que parecia inalcançável; se Márquez deu mais um passou para construir uma dinastia; se Rubens Barrichello viveu sua redenção, tudo isso é sinal das marcas de 2014 no automobilismo. Para encerrar e reforçar o que aconteceu no ano, a REVISTA WARM UP volta a eleger os melhores do ano.

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