Vitória da BMW reforça por que Da Costa a deixou: time sempre está pronto para amanhã

A BMW melhorou de um ano para cá e, certamente, Max Günther está de parabéns pela vitória. Mas a indicação de que ano vem o time será forte só corrobora a decisão de Da Costa ao partir para a DS Techeetah

Desde que André Lotterer aceitou, ainda no fim da temporada passada, a abordagem para deixar a DS Techeetah e assumir o papel de piloto principal da Porsche, a equipe campeã soube de imediato quem queria: António Félix da Costa. E a rapidez com a qual o negócio se desenrolou até espantou. Da Costa era piloto da BMW, afinal, tinha contrato e estava em condições privilegiadas para ser bem-sucedido muito em breve. Mas não há mais dúvidas sobre o que deixava de ver na fábrica alemã.

Tenhamos calma e abordemos o assunto parte por parte. Inicialmente, a DS Techeetah. Nem sequer é necessário se estender muito. O time franco-chinês tem uma fábrica por trás, venceu os dois últimos campeonatos de Pilotos e o último de Equipes. Apesar de contar também com Jean-Éric Vergne, o bicampeão, Da Costa acreditou que podia desafiá-lo. Correu o risco de ser #2 lá quando seguiria #1 na BMW, mas aceitou que fosse assim. Longe da engenharia de obra pronta, mas, ainda que desse errado, era perfeitamente fácil entender o que atraiu o português.

À BMW. Da Costa chegou à Andretti na segunda temporada da história da Fórmula E, lá em 2015, para um time que tinha enormes dificuldades para render. Nos primeiros três anos, carros bastante abaixo da crítica, por vezes o pior do grid, e nenhum pódio. Faltava de tudo, mas, em 2016, chegou a BMW. Era uma parceria técnica nos primeiros dois anos, mas com a promessa – um segredo bem mal escondido – de que assumiria como equipe de fábrica a partir da temporada 2018/19.

Da Costa foi o cara que fez parte de todo desenvolvimento e, qualquer um que acompanhava a Fórmula E com mais atenção durante esse período, esperava o momento em que piloto e fábrica se alçariam à briga pelas primeiras posições. E, então, chegou 2018 e o GEN2, nova geração de carros da categoria. A BMW estava na área e impressionava nos testes de pré-temporada. O futuro do qual esperavam há tempos, chegou.

Veio a primeira prova, vitória de Da Costa. Recebeu status de favoritismo. A segunda corrida, então, e a BMW tinha tudo para uma dobradinha dominante quando o próprio AFC se embananou ao não deixar o então companheiro Alexander Sims, muito mais rápido naquele final, passar. Batida que pôs a corrida a perder, mas os alemães indicavam sobrar no grid.

Ledo engano. Da Costa até voltou ao pódio mais três vezes, mas terminou o campeonato somente na sexta colocação, atrás de pilotos de cinco equipes diferentes: DS Techeetah, Nissan, Audi, Virgin e Jaguar.

Mas tudo bem, era o ano inicial como equipe de fábrica, ainda que depois de duas temporadas na categoria. O ano que vem seria brilhante. Poderia até ser, mas o português preferiu olhar para onde já sabia haver uma estrutura de sucesso que sorria para ele.

Na DS Techeetah, casou rapidamente com o carro e dominou Vergne até aqui. A BMW, assim como ano passado, começou dando as cartas: venceu duas das três etapas iniciais, além de duas poles. Dava a sensação de que escaparia, mas não escapou. Chegou em Berlim, porém, com amplas chances de ganhar os dois campeonatos, de Pilotos e Equipes. Aí, enquanto Da Costa se descolava da realidade do grid para fazer duas poles e vencer duas corridas, a BMW marcou dois pontos – só isso, nada mais – na primeira rodada dupla.

Quando o dia nasceu no sábado, o campeonato estava perdido. Contudo, Günther classificou bem e tomou a frente de Vergne no fim da corrida, enquanto Da Costa cuidava de si, do carro e da liderança para terminar numa saborosa quarta colocação. Venceu. A vitória valeu a vice-liderança, mas com 68 pontos de desvantagem para o piloto que substituiu. No Campeonato de Equipes, 70 tentos a mais para os franco-chineses.

A BMW até pode ter evoluído, mas é inconstante e viu o título escapar de suas mãos como bolha de sabão. A vitória de Günther mostra que a BMW vem forte na próxima temporada, assim como ano passado e no anterior e antes disso. Mas não será campeã: Da Costa será.

Tem sempre o ano que vem, certo?

Maximilian Günther venceu a segunda do ano (Foto: FIA Fórmula E)

MAX GÜNTHER

O vencedor da corrida afirmou que apressou uma ultrapassagem para cima de Vergne, ainda cinco voltas antes do fim, para fugir da pressão que começava a vir por trás. Por fim, comemorou a vitória na casa da BMW.

“Foi uma corrida intensa até o final. Atacar JEV era planejado, mas Robin chegou e tinha mais energia. Estou muito feliz por mim e pela equipe, por vencer em casa, em Berlim. Finalmente as coisas deram certo”, falou.

“A Fórmula E tem o controle [de energia] como elemento principal. A equipe me disse para continuar gerenciando e esperando. Sabia que os caras atrás tinham mais energia e que eu precisava tentar alguma coisa o mais rápido possível. Precisava ser com o mínimo possível de tentativas. Assim que eu fiz a ultrapassagem, não olhei mais o retrovisor”, seguiu.

“Foi uma disputa limpa, muito justa, corrida de verdade, mas nos respeitamos. Foi minha decisão de mergulhar antes do planejado, senti que precisava fazer e aquele era o momento”, finalizou.

Robin Frijns voltou ao pódio (Foto: Fórmula E)

ROBIN FRIJNS

Com a segunda colocação e de volta ao pódio após um ano inteiro, o holandês exaltou a estratégia de poupar energia e, apesar de ter sentido gosto da vitória, afirmou que estava satisfeito em chegar na segunda colocação.

“É muito bom voltar ao pódio. É a primeira vez nessa temporada! Estávamos muito bem de energia na metade da prova e no final. Ficamos sempre jogando o jogo do aguardo”, falou.

“Günther e Vergne duelaram muito durante a corrida, então eu imaginei que pudesse arriscar no fim. Vi a chance de passar Vergne e encostar em Max. Estava ganhando velocidade em relação a ele, mas, no fim, estou feliz de terminar com os bons pontos no segundo lugar”, finalizou.

Jean-Eric Vergne (Foto: Fórmula E)

JEAN-ÉRIC VERGNE

Já Vergne saiu rapidamente da liderança para a terceira colocação da prova. Segundo ele, uma quebra no regen acabou fazendo com que faltasse energia no fim.

“Perdi muita energia durante o modo ataque – o recuperador de energia em um dos pneus estava quebrado. Briguei com Max pela liderança e, quando vi Robin chegando, sabia que era inútil lutar com ele. Mas é bom voltar ao pódio”, afirmou.

Antonio Félix da Costa está perto da glória (Foto: Fórmula E)

ANTÓNIO FÉLIX DA COSTA

O líder do campeonato pode confirmar o título já no domingo. Apesar de reclamar de duelos na pista, o comentário do português foi de quem não pode esperar para que chegue o dia seguinte. O momento de comemorar o título se aproxima.

“Alguns caras ali foram muito sujos hoje. Essa coisa [o carro] é rápido, o que é bom. Temos outra chance amanhã, espero classificar melhor, o que vai me ajudar”, declarou.

“Há algumas coisas que podemos melhorar no carro. Estou animado, não vou mentir. Todo mundo se importa, é bonitinho. Meu telefone não para de piscar com mensagens. Todo mundo quer que eu ganhe. Acho que é minha hora”, encerrou.

Lucas Di Grassi no Tempelhof (Foto: Fórmula E)

LUCAS DI GRASSI

O oitavo colocado da terceira prova em Berlim falou pouco e lamentou pelo dia não ter sido bom como a última quinta-feira. Entretanto, com quatro pontos, segue na terceira posição do campeonato.

Felipe Massa quase teve sucesso (Foto: Fórmula E)

FELIPE MASSA

O brasileiro, que ocupava a quinta colocação quando foi punido, lamentou o toque com Di Grassi e a penalização que veio disso.

“A corrida começou boa para mim, eu estava definitivamente me divertindo. Tinha bom ritmo, estava brigando e ganhando posições. Na largada, poupei energia comparado aos carros que estavam próximos e me pus em posição competitiva, mas veio o contato com Lucas. Ele tentou me passar por fora na curva 1 e virou um pouco cedo, quando eu ainda estava na parte de dentro, eu não esperava”, comentou.

“Tocamos e, por causa disso, ele saiu da pista e eu acabei recebendo um drive-through. Estou decepcionado porque a corrida estava indo muito bem para mim no momento, e sinto muito por Lucas. Precisamos recomeçar amanhã, consertar todos os problemas e voltar lutando”, encerrou.

Sérgio Sette Câmara teve começo promissor, mas… (Foto: Fórmula E)

SÉRGIO SETTE CÂMARA

O piloto mineiro teve um começo de dia promissor, batendo o companheiro Nico Müller com sobras na classificação. Entretanto, na corrida, participou de uma big one de pequenas proporções e abandonou a prova. Depois, foi responsabilizado pelos comissários como causador do acidente e punido com três posições no grid de domingo.

A corrida do Dia dos Pais está marcada para as 14h03 (de Brasília).

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