Da estreia na Hispania em 2011 ao ato final em Singapura, no domingo (22), Daniel Ricciardo construiu uma carreira com capítulos memoráveis na Fórmula 1. Relembre alguns deles no 10+

Por mais que as últimas performances tornem quase que inexplicável a insistência do Grupo Red Bull em ter mantido Daniel Ricciardo no grid da Fórmula 1 desde o início da temporada 2024, é inegável que ele carregará para sempre a marca de ser um dos pilotos mais carismáticos e queridos do paddock. Mas o australiano não tem apenas no sorriso inconfundível méritos que mereçam destaque, pelo contrário. O início na Fórmula 1, sobretudo o primeiro ano de Red Bull, é digno de pilotos de ponta e o colocaram como um dos principais nomes do mercado.

A reta final, contudo, soou muito mais melancólica do que o esperado. Depois de uma demissão dolorida na McLaren, o retorno à casa austríaca veio como a chance final para provar que, sim, ainda tinha muito a entregar nas pistas do que a passagem por Woking mostrara. Mas uma lesão no meio do caminho trouxe forte rival para jogo e transformou o futuro de Ricciardo em um complicado duelo experiência × juventude.

O fim da linha, portanto, chegou, como há de chegar para todos os pilotos, e o 10+ listou alguns momentos que marcaram a caminhada de Ricciardo ao longo das 14 temporadas disputadas na F1. Confira.

Daniel Ricciardo é um dos pilotos mais carismáticos que já passaram pela F1 (Foto: Mercedes)

2011: a estreia na F1

Ricciardo chegou à categoria máxima do automobilismo mundial pelas mãos de Helmut Marko, mas não na equipe B da Red Bull, na época intitulada Toro Rosso. Com um início de carreira nos monopostos embalado pelo título na Fórmula 3 Britânica, em 2009, realizou o primeiro teste com um carro de F1 com a Red Bull. O tempo de volta 1s mais rápido que os rivais ligou o alerta dos taurinos, que trataram de buscar um assento para o pupilo. A primeira chance veio como reserva, até que o time dos energéticos negociou vaga na nanica Hispania.

Ricciardo estreou no GP da Inglaterra de 2011 até mudar para a Toro Rosso no ano seguinte. E já na primeira corrida com o time de Faenza, marcou pontos ao terminar a corrida caseira, o GP da Austrália, em nono.

2014: Ricciardo bate tetracampeão Vettel e desponta

O primeiro ano de Red Bull foi, sem dúvida, desafiador, não somente pela responsabilidade de agora representar o time principal do grupo austríaco, mas por ter ao lado ninguém menos que o tetracampeão Sebastian Vettel. Só que 2014 também trouxe uma nova ordem de forças com a chegada dos motores híbridos, com a Mercedes impondo de cara um domínio poucas vezes visto.

Das 19 corridas realizadas, 11 foram vencidas por Lewis Hamilton e cinco por Nico Rosberg. As únicas vitórias sem ser de um carro Mercedes vieram das mãos do australiano: no Canadá, na Hungria e na Bélgica. No fim, Ricciardo terminou o Mundial em terceiro, enquanto Vettel amargou o quinto lugar no último ano de Red Bull.

Daniel Ricciardo e Sebastian Vettel em 2014 (Foto: Red Bull Content Pool)

2016: embate contra Verstappen e vitória na Malásia

O ano de 2016 seguiu a cartilha das primeiras temporadas da era híbrida e trouxe uma ferrenha rivalidade entre Hamilton e Rosberg na Mercedes. E, novamente, a única equipe que conseguiu se aproveitar das parcas brechas que se abriram foi a Red Bull.

Foi o primeiro ano de Verstappen com os taurinos após ascensão meteórica ao chegar à F1 com apenas 17 anos. No GP da Espanha, o acidente entre os pilotos prateados colocou Ricciardo na liderança, mas foi Max quem levou a melhor na estratégia. O troco, no entanto, veio no caótico GP da Malásia, só que, dessa vez, houve embate direto na pista, e quem riu por último foi Daniel.

2017: a vitória inesperada no Azerbaijão

O passeio da Mercedes começou a perder força na temporada 2017, que teve Vettel de volta ao jogo, agora na Ferrari, em duelo mais acirrado contra Hamilton pelo título. Só que a Red Bull continuava à espreita, e Ricciardo chegou à quinta vitória na carreira de maneira improvável. O cenário, claro, não poderia ser mais propício: Baku, circuito de rua, sempre pronto a punir erros e premiar personagens inesperados. Ricciardo vinha de uma sequência de três pódios quando viu a sorte novamente lhe sorrir em meio a um pega insano entre Vettel e Hamilton, mas justiça seja feita, pois a manobra que lhe garantiu a vitória foi das mais belas em tempos: de uma só vez, no fim do retão, ultrapassou três carros.

Daniel Ricciardo fez as pazes com Mônaco e venceu também em Monte Carlo (Foto: Red Bull Content Pool)

2018: a vitória em Mônaco

Mônaco é um GP que causa um misto de amor e ódio nos fãs, pois raramente proporciona boas corridas apesar de toda a tradição. A verdade, todavia, é que vencer nas ruas de Monte Carlo traz um significado a mais para a carreira do piloto, ainda que pelo aspecto puramente pessoal. E Ricciardo alcançou tal feito depois de ter visto a chance escapar em 2016. Novamente partindo da pole-position, liderou todas as voltas e alcançou a tão sonhada glória dois anos depois.

2018: o acidente com Verstappen e o primeiro fim com a Red Bull

Se Mônaco foi o apogeu, Baku representou o declínio da relação Ricciardo/Red Bull. Havia, de fato, certa predileção pelo prodígio Verstappen, que começou a incomodar e mostrar que seria questão de tempo até reverter totalmente a preferência dentro dos boxes taurinos. A gota d’água veio após a controversa batida quando ambos disputavam o quarto lugar no GP do Azerbaijão. No retão, Ricciardo achou espaço pelo lado de fora, porém foi surpreendido pela mudança de direção de Max. Daniel tentou, então, ganhar a curva por dentro, mas a colisão foi inevitável. Apesar da dupla culpabilidade — tanto que a Red Bull puniu internamente os dois —, foi Verstappen quem saiu fortalecido, enquanto o australiano seguiu caminho para a Renault.

Verstappen e Ricciardo no GP do Azerbaijão de 2018 (Foto: Red Bull Content Pool)

2020: a volta da Renault ao pódio

Para encontrar a própria paz, Ricciardo aceitou dar um passo atrás e ir para uma equipe que já não figurava mais no topo como antigamente. Dali em diante, as vitórias pessoais passaram a ser pontos esporádicos, mas 2020 ainda trouxe ao veterano dois importantes pódios, no GP de Eifel — o primeiro da Renault desde o retorno, em 2016 — e no GP da Emília-Romanha. Daniel também manteve o nome forte no mercado ao bater os dois companheiros de equipe que teve, Nico Hülkenberg e Esteban Ocon, e isso o ajudou pronto para o desafio seguinte: a McLaren.

2021: McLaren no degrau mais alto

A McLaren acabou representando a fatia mais melancólica da carreira de Ricciardo, mas foi das mãos do australiano que a clássica escuderia subiu ao degrau mais alto do pódio nove anos após o triunfo de Jenson Button em 2012, em Interlagos. Foi, aliás, um período em que o time de Woking teve de amargar a posição de ‘equipe de meio e fundo de pelotão’. No GP da Itália de 2021, Ricciardo saltou para a ponta logo na largada e ainda contou com o famigerado acidente entre Hamilton e Verstappen para comandar a dobradinha papaia com Lando Norris.

Daniel Ricciardo venceu na China e fez o shoey (Foto: Red Bull Content Pool)

O tradicional shoey

Se tem uma coisa que Ricciardo estabeleceu na Fórmula 1 foi comemorar as vitórias de uma forma um tanto curiosa — e talvez indigesta, dependendo do ponto de vista: beber champanhe na sapatilha usada! A celebração é, na verdade, típica da Austrália, e Daniel não apenas fazia a própria festa como levava os colegas a embarcarem na onda. E não escapava ninguém, desde chefes de equipes a estrelas como os atores Gerard Butler e Patrick Dempsey quando participaram das cerimônias de pódio.

2024: o polêmico ato final

Quis a RB dar a Ricciardo o gosto de deixar o GP de Singapura ao menos com a volta mais rápida em suas estatísticas pessoas. Esse, ao menos, foi o argumento do chefe, Laurent Mekies, e seria bonito, não fosse pela interferência direta no campeonato ao roubar de Norris o tento extra. Daqui para frente, Lando não depende mais de si para ser campeão, pois ainda que vença todas as corridas e as sprints e capitalize os pontos restantes das voltas mais rápidas, no pior dos cenários, perde o título por… 1 ponto! É difícil acreditar que não houve jogo de equipe, já que a Red Bull é a equipe mãe da Racing Bulls, e, de certa forma, Daniel também será lembrado na F1 por este polêmico último ato.

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