Análise: Indy ruma para decisão entre trio da Penske e franco-atirador Dixon

Com o fim da maratona que começou no GP de Indianápolis, a Indy começa a entrar na reta final da temporada 2015. Como era esperado desde a pré-temporada, a Penske aparece na liderança, mas a vantagem para a Ganassi e para as demais rivais é pequena e as disputas seguem acirradas

A temporada 2015 da Indy começa a entrar em seu momento de definição. Após a maratona de eventos que se iniciou com o GP de Indianápolis, se estendeu por todas as atividades das 500 Milhas de Indianápolis, a rodada dupla de Detroit, o GP do Texas e o GP de Toronto, pilotos e equipes ganham um final de semana de folga antes da prova no oval de Fontana.
 
Passadas dez das 16 etapas do campeonato, o domínio da Chevrolet sobre a Honda é evidente – confirmando o que a pré-temporada já indicava – e os principais postulantes ao título utilizam os kits da montadora americana.
 
Entretanto, a distância entre as maiores equipes – Penske e Ganassi – para o resto dos times poucas vezes esteve tão pequena e a temporada 2015 da Indy aponta um número impressionante na distribuição de vitórias: seis equipes e sete pilotos já triunfaram no campeonato.
 
Restando seis provas para o fim do campeonato – quatro delas em ovais –, o GRANDE PRÊMIO preparou uma análise do desempenho das equipes e pilotos até aqui e de quem realmente tem possibilidades de erguer o caneco ao final da temporada.
Juan Pablo Montoya vai liderando a classificação geral desde o início da temporada  (Foto: AP)
Na frente, mas poderia estar mais
 
Não era segredo para ninguém que a Penske seria a equipe a ser batida. Com Kits e motores da Chevrolet, defendendo o título do ano passado e com um quarteto espetacular de pilotos, era difícil que alguém apostasse contra o time de Roger Penske. 
 
O que se viu até aqui foi uma Penske claramente mais veloz que as rivais e absolutamente dominante nas classificações – já são nove poles no campeonato. Entretanto, o ritmo de corrida da equipe nem sempre é melhor que os das concorrentes e ainda falta ao time trabalhar melhor nas estratégias para evitar que outras equipes acabem surpreendendo. 
 
São três vitórias no ano, mais do que qualquer outra equipe, mas menos do que o que se esperava o no começo do campeonato. Responsável por duas delas – São Petersburgo e Indy 500 –, Juan Pablo Montoya vem dominando a temporada da Indy com 374 pontos. O colombiano lidera o campeonato desde a primeira prova e espanta com sua regularidade. Em dez corridas, só não fez top-10 no Alabama. Regular nas classificações e excelente nas corridas, Montoya se coloca como o principal favorito ao título da temporada.
 
Seu maior adversário é Will Power. Companheiro de equipe e atual campeão, o australiano venceu o GP de Indianápolis, mas vem decepcionando nas corridas. Dono de cinco poles na temporada, Power vai tendo um ano cheio de altos e baixos e, por isto, pena para cortar de vez a diferença para Montoya. Sabidamente especialista em mistos, o australiano precisará ir com tudo para buscar a vitória em Mid-Ohio e Pocono.
 
Helio Castroneves segue sem vencer em 2015, mas a regularidade faz com que o brasileiro ainda seja um dos grandes postulantes ao título. Com oito top-10, o veterano tem 52 pontos a menos que Montoya e, com um triunfo já nas próximas provas, entra de vez na luta.
 
A grande decepção da Penske – e talvez de todo o campeonato – é Simon Pagenaud. Após ótimos anos na modesta SPM, o francês vem sofrendo muito nas corridas e só foi ao pódio na corrida 1 de Detroit. Bem na maioria dos treinos classificatórios, Pagenaud precisa de uma vitória para tentar melhorar seu desempenho em seu primeiro ano de Penske.
Will Power vem cheio de altos e baixos, mas ainda está bem vivo na briga pelo título (Foto: AP)
Exército de um homem só
 
Desde o começo do ano se esperava que a Ganassi tivesse dois pilotos na briga pelo título – Tony Kanaan e Scott Dixon. Porém, apenas o neozelandês vai mantendo um bom ritmo e está infiltrado no meio dos pilotos da Penske na disputa pelo título do campeonato. Até aqui, são duas vitórias – Long Beach e Texas – e 45 pontos a menos que o líder do campeonato. Vale lembrar que a Ganassi teve excelente segunda metade da temporada em 2014, algo que pode animar bastante o experiente neozelandês.
 
Kanaan faz campeonato bastante discreto. Com dois pódios e três top-5, o baiano está bem longe das primeiras posições e, a menos que tenha um final de temporada perfeito, dificilmente briga pelo bicampeonato. Charlie Kimball está em 11º na classificação geral e um pódio, nada que não fosse esperado no início do ano. Sage Karam e Sebastián Saavedra pouco fizeram até aqui.
Scott Dixon é quem mais ameaça a Penske em 2015 (Foto: Richard Dowdy/IndyCar)
Salvando a honra da Honda
 
Existe alguma dúvida de que Graham Rahal é o piloto que mais se transformou de 2014 para 2015? O solitário piloto da RLL, tão famoso por seus erros e arrojo excessivo em outros anos, faz um campeonato irrepreensível e protagonizou algumas atuações espetaculares como no segundo lugar no Alabama e o terceiro em Detroit. Em um ano cheio de vencedores diferentes, quem mais merece ser o próximo é Rahal, quinto no campeonato e ainda com chances remotas de título.
 
Nos extremos
 
A KV vive situações bastante distintas com seus dois pilotos. Muito experiente e multicampeão, Sébastien Bourdais está em plena forma e é um dos grandes nomes da temporada. Com vitória na corrida 2 de Detroit e seis top-10 no ano, o francês deve completar o campeonato próximo dos líderes.
 
Por outro lado, Stefano Coletti é uma tremenda decepção. Com resultados relevantes no automobilismo europeu, esperava-se do monegasco ao menos bom rendimento nos circuitos mistos. Mas nem isto vem acontecendo. Coletti tem apenas 122 pontos e é o pior dentre os que disputaram todas as etapas. Para se medir como o desempenho do piloto é ruim, Coletti aparece atrás até de James Hinchcliffe – que sofreu grave acidente durante testes em Indianápolis e perdeu as últimas cinco provas.
Sébastien Bourdais vai carregando a KV nas costas (Foto: Chris Owens/IndyCar)
Gigante adormecido
 
A temporada da Andretti é discretíssima. Totalmente atrapalhada pelos kits e motores da Honda, o tradicional time passa muito mais tempo no pelotão intermediário que nas primeiras colocações. Entretanto, consciente do baixo rendimento do carro, a Andretti vem buscando estratégias ousadas corrida após corrida e mostrando muita competência nesta parte.
 
Foi assim, na estratégia, que a Andretti ajudou o ótimo Carlos Muñoz a vencer a sua primeira na Indy em Detroit. Também foi desta forma que o time viu Muñoz e Marco Andretti em boas colocações no GP do Texas. Ou seja, o desempenho do carro ainda é ruim, o trabalho nas classificações é péssimo, mas, não fossem duas quebras no motor de Muñoz, a Andretti poderia estar mais próxima da Ganassi e o colombiano, possivelmente, brigando pelo quinto lugar no campeonato. 
 
Além de Muñoz, Marco também merece destaque. Errando menos que o de costume e trabalhando muito para o time, o piloto é sétimo na classificação geral e pode ser colocado no grupo de boas surpresas da temporada. A decepção fica por conta de Ryan Hunter-Reay que faz pouquíssimo em 2015 e aparece em 14º no geral.
 
Surge um ídolo
 
Midiático, cheio de carisma e, principalmente, de talento, Josef Newgarden desencantou na temporada 2015. O americano quebrou um longuíssimo jejum de vitórias de ex-campeões da Indy Lights na categoria principal ao vencer no Alabama e ainda ganhou a etapa de Toronto do último final de semana.
 
Newgarden vem acumulando ótimas apresentações e, não fossem os três abandonos já sofridos, seria candidato real ao título da temporada. 
 
Companheiro do americano nos circuitos mistos, Luca Filippi vinha tendo ano bastante apagado até chegar em Toronto. O italiano teve excelente final de semana na pista canadense e completou a dobradinha da CFH, subindo na classificação geral da temporada.  Resta o time caprichar no carro para provas em ovais, para que Newgarden e Ed Carpenter possam ter chances reais em corridas deste tipo.
Josef Newgarden é um dos grandes nomes da temporada até aqui (Foto: Richard Dowdy/IndyCar)
O resto 
 
Os outros quatro times da Honda – SPM, Foyt, Bryan Herta e Dale Coyne – vivem de lampejos. A primeira é a única das três que já venceu em 2015 e, convenhamos, isto jamais teria acontecido em condições normais. O triunfo veio com Hinchcliffe no GP da Luisiana que mais teve bandeiras amarelas do que qualquer coisa e fez com que alguns pilotos não precisassem de uma última parada nos boxes, como foi o caso do canadense.
 
A Foyt teve um bom momento no ano até aqui. Ele aconteceu com Takuma Sato que travou ótima disputa com Rahal e fechou a corrida 2 de Detroit no segundo lugar. A Bryan Herta conta com o talento de Gabby Chaves, mas o carro, até aqui, não mostrou quase nada e é difícil que o colombiano consiga algo melhor que o parcial 15º lugar. A Dale Coyne, por fim, protagoniza bizarrices, teve Francesco Dracone – o pior piloto do grid com sobras – e só merece um destaque positivo pela grande atuação de Tristan Vautier ao ficar em quarto na corrida 2 de Detroit.
 
Ainda restam seis provas para o fim do campeonato e é muito cedo para cravar quem será o campeão. O que pode ser dito, entretanto, é que Montoya, Power, Dixon e Castroneves são os grandes favoritos nesta disputa.
 
Fontana recebe a categoria no último final de semana do mês. O GP de Milwaukee acontece no dia 12 de julho e o de Iowa no dia 18. Agosto terá as últimas três provas do campeonato em Mid-Ohio, Pocono e Sonoma.

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