Análise: Título de Pigot na Lights evita temporada zerada dos EUA na Indy

O título da Indy Lights conquistado por Spencer Pigot em Laguna Seca evitou que os Estados Unidos ficassem zerados nas quatro categorias da Indy pela primeira vez desde 2005. Mesmo assim, o ano não foi dos piores na categoria principal, que teve a ascensão de Marco Andretti e, principalmente, de Graham Rahal e Josef Newgarden

Os Estados Unidos ficaram muito próximos de uma marca bastante desagradável. Não fosse o brilhante final de semana de Spencer Pigot em Laguna Seca e a consequente conquista do título da Indy Lights, os americanos ficariam sem nenhuma conquista em uma das quatro categorias da Indy pela primeira vez desde a temporada 2005.
 
Em 2005, o inglês Dan Wheldon brilhou com a Andretti para vencer seu primeiro e único título na Indy. Na Lights, foi o neozelandês Wade Cunningham quem triunfou. Cunningham, aliás, pouco – ou quase nada – fez na categoria principal, onde disputou cinco provas entre 2011 e 2012, pela Sam Schmidt e pela Foyt.
 
O título daquele ano na Pro Mazda ficou com o brasileiro Raphael Matos. O mineiro, por sua vez, foi campeão da Lights três anos mais tarde e disputou duas temporadas completas na Indy — 2009 e 2010 — ficando em 13º no primeiro ano com oito top-10 em 17 corridas. Hoje, Matos disputa a Stock Car no Brasil. Na USF2000, outro inglês levou a melhor: Jay Howard, que no ano seguinte venceria a Lights e faria, mais tarde, algumas corridas na Indy, sem nunca se firmar.

Ainda que o título norte-americano tenha saído aos 45 do segundo tempo, não dá para dizer que, tecnicamente, a temporada dos pilotos americanos tenha sido ruim. Nas quatro categorias, ao menos um americano conseguiu ter destaque em cada uma delas, com três pilotos chamando a atenção na Indy.
Na USF2000, Jake Eidson mostrou ter potencial (Foto: USF2000)
Na categoria principal, é quase unânime a opinião de que Graham Rahal foi o melhor piloto da temporada. Quarto colocado ao final do campeonato, Rahal foi quem mais parecia ameaçar a supremacia de Juan Pablo Montoya. Muito mais do que isso, o americano se meteu na briga pelo título com o motor Honda e uma equipe considerada pequena, a RLL.
 
Transformado, o americano mostrou muita maturidade durante todo o campeonato, deixou de lado aquele Rahal excessivamente arrojado e mostrou ao mundo um grande piloto, brigando por vitórias, protagonizando grandes ultrapassagens e se envolvendo bem menos em acidentes. Enfim, uma grandíssima temporada do ainda jovem Rahal.
Graham Rahal deu show na temporada 2015 da Indy (Foto: IndyCar)
Outro piloto americano que merece todo destaque por sua participação na temporada 2015 é Josef Newgarden. Assim como Rahal, com uma equipe modesta — a CFH — o carismático jovem de Nashville também provou ter crescido muito e amadurecido enquanto piloto. Aliando muito talento e um tanto de marketing, Newgarden é, hoje, uma das principais faces da Indy.
 
Nesta temporada foram duas vitórias, uma delas categórica no Alabama – em dia que teve um Rahal também muito inspirado. Mesmo que com chances simbólicas, Newgarden sonhou com o título até a decisão do campeonato no misto de Sonoma e terminou em sétimo. 
Josef Newgarden fez grande trabalho em 2015 e chamou muita atenção (Foto: IndyCar)

O terceiro americano da categoria principal é Marco Andretti. Também muito contestado e muito criticado por algumas posturas dentro da pista, o dono do carro #27 esteve sereno em todas as etapas e, em nono ao final do campeonato, alcançou uma marca impressionante: completou todas as voltas da temporada, isso mesmo, sem nenhum abandono ou mesmo sem concluir corridas giros atrás do líder. Impressionante para alguém que era tão visado por comissários até 2014. 


Considerando especialmente os recentes anos americanos na Indy — dois títulos nos últimos 13 campeonatos — é inegável reconhecer que 2015 foi, sim, positivo e mostrou potenciais futuros campeões. 
Marco Andretti foi outro bom nome na Indy em 2015 (Foto: IndyCar)

Na Pro Mazda – terceira divisão da Indy – o grande nome norte-americano no campeonato foi Neil Alberico. Quase como uma estrela solitária na categoria, Alberico fez 302 pontos, venceu quatro corridas e fez duas poles, perdendo o título apenas para o ótimo uruguaio Santiago Urrutia.

Com 22 anos, o caminho natural do californiano Alberico parece ser a Lights em 2016. Apoiado pelo vice-campeonato da USF2000 em 2013 e agora da Pro Mazda, o piloto do #3 tem boas chances de vingar. O lado negativo para o automobilismo norte-americano, contudo, é que apenas Alberico parece ter potencial para chegar à categoria principal em alguns anos.

Neil Alberico fez boa temporada na Pro Mazda (Foto: Pro Mazda)
Na USF2000, o francês Nico Jamin manteve a série de quatro títulos seguidos para a equipe Cape e nadou de braçadas com incríveis dez vitórias e 13 poles. Aaron Telitz, por sua vez, decepcionou. Com o mesmo carro de Jamin, venceu só uma corrida e fez só uma pole.
 
Mas os Estados Unidos podem, sim, ter esperanças vindas da quarta divisão da Indy. Jake Eidson, de 20 anos, foi vice-campeão correndo pela Pabst e, durante boa parte do ano, incomodou Jamin mesmo sendo menos brilhante. Vale ficar de olho.
 
Mas, nas categorias de acesso à Indy, a grande esperança vem da Lights. Campeão da Pro Mazda em 2014, Pigot chegou com muita moral para vestir as cores da Juncos e, de cara, já começou a mostrar serviço. Com cinco pódios nas cinco primeiras provas, incluindo duas vitórias, Pigot já despontava como um dos postulantes ao título.
Spencer Pigot foi o grande campeão da temporada da Lights (Foto: Indy Lights)
Entretanto, uma ótima arrancada do inglês Jack Harvey — vice-campeão em 2014 — tornaria a missão de Pigot bem mais complicada. Com a calma de um veterano, o piloto de 21 anos fez um final de semana excelente na complicada pista de Laguna Seca, viu Harvey ter problemas e sagrou-se campeão, pavimentando sua estrada rumo à Indy.
 
Mas a boa geração americana na Lights não tem apenas Pigot. Dois outros nomes chamaram muito a atenção em 2015: RC Enerson e Sean Rayhall.
 
Com 20 anos, Rayhall não conseguiu disputar a temporada completa da categoria, mas, em nove provas, mostrou um talento absurdo. Em oito oportunidades, o piloto do carro #8 ficou no top-6, além de ter ido ao pódio quatro vezes e vencido duas corridas. Se tiver sequência, é nome bastante promissor.
Sean Rayhall e Spencer Pigot se destacaram muito na temporada da Lights (Foto: Indy Lights)
Mais jovem deste grupo, Enerson é muito, muito rápido. Após ratear na primeira metade da temporada 2015 da Lights, o garoto de 18 anos arrancou, venceu sua primeira em Mid-Ohio e, até o fim, lutou pelo título.
 
Com muita velocidade, um vice-campeonato da USF2000 em 2014 e agora o quarto lugar na Lights, Enerson logo logo deve aparecer no grid da categoria principal.
 
É claro que o título de Pigot é importante em termos estatísticos, mas a realidade nas pistas indica que o ano norte-americano esteve longe de ser dos piores. Com bons talentos surgindo, mais títulos e vitórias na Indy parecem ser a realidade.

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