Como Beth Paretta tirou plano do papel e se tornou chefe de equipe feminina na Indy

Beth Paretta teve uma longa trajetória no esporte a motor até conseguir a própria equipe, que vai alinhar Simona de Silvestro nas 500 Milhas de Indianápolis

A edição 2021 das 500 Milhas de Indianápolis marca o grande momento de Beth Paretta no esporte a motor. Ela será a chefe de equipe da Paretta Autosport, que colocará a suíça Simona de Silvestro no grid da prova mais tradicional do automobilismo norte-americano.

O sonho de uma equipe formada por mulheres era antigo por parte de Beth, que tentou pela primeira vez em 2016. Na ocasião, a Grace Autosport tinha a intenção de correr a 100ª edição das 500 Milhas de Indianápolis com a pilota britânica Katherine Legge, mas o desejo não se concretizou.

O time tinha motor, patrocinadores, fundos financeiros e uma equipe, mas jamais conseguiu um carro. Mesmo com várias reuniões visando parcerias, a maior parte das equipes reduziram as operações para 2016. Vários caminhos foram explorados, mas a intenção de Paretta era competir pela vitória. Sem disponibilidade, decidiram abortar o projeto.

Beth Paretta teve longa trajetória até a Indy 500 (Foto: Indycar)

A carreira de Beth como executiva da indústria automobilística e do esporte a motor é extensa. Por quatro anos, foi diretora de marketing e operações da SRT, grupo de alta performance da Fiat Chrysler. Foi a primeira mulher no cargo e liderou projetos de sucesso, que incluem o título da Nascar em 2012, com o Dodge da Penske com Brad Keselowski. E foi com a SRT que veio também o título na classe GTLM do IMSA em 2014, com Kuno Wittmer e Jonathan Bomarito.

E é Roger Penske que dá o apoio para a equipe Paretta existir na edição 2020 das 500 Milhas de Indianápolis. O apoio técnico do maior time da Indy é um dos benefícios do programa Race for Equality and Change (Corrida pela Igualdade e Mudança), fundado em julho de 2020 e que começa a trazer seus primeiros impactos dentro da estrutura do campeonato.

“Roger e eu conhecemos Beth desde 2007 quando ela trabalhou na Aston Martin, e posteriormente, foi responsável pelo programa da SRT Motorsport com a Dodge quando ganhamos o primeiro título da Nascar em 2012. Conhecemos Beth por um longo tempo, e quando anunciamos o Race for Equality & Change em julho passado, ela nos ligou”, revelou Bud Denker, presidente da Penske Corporation, grupo que gere a Indy desde o fim de 2019, ao site da revista americana Racer.com.

Simona de Silvestro será a representante da Paretta (Foto: Indycar)

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“Subsequentemente, fizemos a Indy 500 sem mulheres no grid. Falamos sobre o desejo de garantir que, com base em nosso compromisso com a igualdade – e seja de gênero, etnia ou qualquer cousa coisa -, tomemos as questões em nossas próprias mãos na Indy e na Penske, e tenhamos mulheres que se classifiquem a próxima Indy 500, em maio. Fizemos isso nos alinhando com Beth e fechamos o negócio muito rapidamente. Levamos alguns meses para colocar tudo junto, incluindo alguns contratos”, completou.

A aliança com a Penske que cria a Paretta é mais um capítulo importante na história da Indy com as pilotas. Ao total, nove competidoras participaram das 500 Milhas de Indianápolis ao longo das 104 edições. Um número maior que o de mulheres que já alinharam em grid da Fórmula 1, por exemplo.

Para o cockpit do carro #16 da Paretta foi escolhida a suíça Simona de Silvestro, que tem um pódio na Indy, conquistado em Houston, em 2014, além de ter sido a melhor novata na temporada 2010. Porém, a pilota vai encarar o desafio de tirar a ferrugem para competir no Brickyard, já que a última aparição nas 500 Milhas de Indianápolis aconteceu em 2015, qando fechou em 19º.

“Acho que vai ser a melhor oportunidade para mim, com todos os envolvidos acreditando nos mesmos objetivos, para que possamos ter sucesso quando viermos em maio”, disse De Silvestro. “E espero que inspire mais mulheres a seguir seus sonhos”, completou a suíça.

O grande desafio das vidas de Simona e Beth está marcado para o dia 30 de maio. Independente do resultado, já é um grande passo para seguir vencendo a misoginia dentro do esporte a motor.

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