Dia do drama com décadas de tradição: como Bump Day agita classificação da Indy 500
A edição de 1913 das 500 Milhas de Indianápolis foi a primeira que teve eliminados, mas termo Bump Day surgiu em meados da década de 1950 e ajudou a popularizar último dia da classificação da prova
Um dos pontos de maior tensão das 500 Milhas de Indianápolis — talvez, de todo o automobilismo — começa antes mesmo da bandeira verde da tradicional prova, que é o Bump Day. Esta última tentativa de se classificar para o evento, que já vitimou nomes como Emerson Fittipaldi, Al Unser Jr., Fernando Alonso, Pato O’Ward, é um espetáculo à parte. Com algumas alterações ao longo de 108 edições até aqui, o termo surgiu praticamente ao acaso, mas ajudou a dar maior repercussão e tradição ao último dia de classificação da Indy 500.
Ainda sem essa nomenclatura, a primeira vez que se ouviu falar sobre pilotos “bumpados” foi em 1913, na terceira edição da corrida. Como ficou acordado desde a primeira edição da grande prova que o limite do grid seria de 33 carros — uma tradição até os dias de hoje —, na época, não criaram um evento específico, mas apenas os 33 mais rápidos avançaram.
Nas décadas seguintes, o evento crescia, bem como as inscrições para a corrida. Invariavelmente, mais de 33 carros apareciam nas semanas classificatórias durante o mês de maio. Repetiu-se o que fizeram em 1913, com os 33 mais rápidos avançando ao evento.
Importante reportar que foi na década de 1930 que a classificação passou a contar as quatro voltas lançadas, como é nos dias de hoje, e iniciou o sistema com dois finais de semana para alcançar a vaga entre os 33. O primeiro dia definia o pole-position, enquanto o restante do grid era decidido nas sessões seguintes. Formato que seguiu até 2004.

Mas a expressão Bump Day surgiu entre as décadas de 1950 e 1960, quando a busca por competir em Indianápolis saltou consideravelmente. Neste período, a média ficava entre 60 e 70 registros, apesar de que alguns não apareciam na pista ao longo do mês de maio. Neste momento, não havia um formato específico de última tentativa, mas o dia derradeiro de classificação passou a ser conhecido por Bump Day e difundido pela impressa da época.
Nesse período, cada carro podia dar três tentativas por dia e a ordem de ir à pista era feita por meio de um sorteio. Isso poderia mudar em decorrência das condições climáticas. Com muito mais inscritos do que vagas, até aquela catimba digna de Copa Libertadores acontecia — tinha piloto que fazia cera para fazer o cronômetro passar e atrapalhar os rivais que buscavam um lugar no grid.
Mas o ápice dessa programação, certamente, foi na década de 1980, quando a Indy 500 teve as edições com os maiores números de inscritos — em 1983, a organização recebeu 117 registros, o que tornava a classificação um drama absoluto. Em 1984, Tom Sneva, vencedor no ano anterior, sofreu para garantir um lugar no grid tamanha lista de competidores.
Em 1989, Emerson Fittipaldi enfrentou problemas mecânicos e teve uma preparação atribulada para a Indy 500, quase sendo eliminado. Conseguiu sua vaga na bacia das almas para se tornar o primeiro brasileiro vencedor da corrida na semana seguinte.

Por isso, todo esse drama em torno do último dia de classificação fazia o Bump Day ter uma ampla cobertura da mídia — rádio e TV de alcance nacional nos Estados Unidos —, dando mais atenção aos carros que conseguiam um lugar no grid do que o próprio pole-position, que já estava garantido na posição de honra na semana anterior.
A cisão CART e IRL em 1996 causou um enorme dano ao Bump Day, uma vez que se criou duas categorias distintas. Isso fez as inscrições nas 500 Milhas de Indianápolis diminuírem — para bater de frente, a CART fez a U.S. 500, as 500 Milhas de Michigan, no mesmo dia, ainda que a edição de 1997 da Indy 500 tenha tido 74 tentativas.
A fusão entre os dois campeonatos de monopostos só aconteceria em 2008, mas o dano já estava feito ao Bump Day. Com um automobilismo cada vez mais caro, uma eliminação na Indy 500 poderia representar um grande prejuízo, o que diminuiu consideravelmente o número de inscritos.
A partir de 2005, a classificação da Indy 500 mudou para somente um fim de semana, com a disputa da pole e o Bump Day no mesmo dia, mas em blocos separados. Em 2014, a Indy introduziu a linha rápida no dia 1 da classificação, o que permitiu aos pilotos terem prioridade ao entrar na pista, mas tinham de abrir mão dos tempos registrados. Isso acabou se tornando uma alternativa para os competidores que se viam perto de ir ao Bump Day.

Como vai ser o Bump Day da Indy 500 em 2025?
Assim como nos últimos anos, a classificação estará aberta para todos os inscritos no dia 1, marcado para este sábado (17), 12h [de Brasília, GMT -3]. Na sexta-feira (16), após a Fast Friday, haverá um sorteio para saber a ordem da primeira tentativa de 4 voltas rápidas de cada piloto.
Depois dessa primeira rodada, duas filas estarão abertas: a convencional e a prioritária, onde os competidores terão preferência de ir à pista, mas com o risco de perder o tempo que já foi registrado. O pilotos terão até 18h50 para registrar seus tempos. Os 12 primeiros avançam à disputa da pole, enquanto os quatro piores vão para o Bump Day.
No domingo (18), às 17h05, os 12 mais rápidos fazem uma tentativa de 4 voltas rápidas para buscar um lugar ao Fast 6 e disputar a pole. Com o nome de Last Chance Qualifying [Última Chance de Classificação em tradução literal], os quatro mais lentos do sábado terão 1h a partir das 18h15 para garantir um lugar nas 500 Milhas de Indianápolis. Na sequência, às 19h25, o Fast 6 começae, e a pole da corrida é definida para a corrida do dia 25 de maio.
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