Indy

Em ato com papéis invertidos, Newgarden brilha na estratégia e Dixon mostra que pode ser arrojado

Josef Newgarden e Scott Dixon pareciam estar com os corpos trocados em São Petersburgo. Foi dia do americano vencer com uma estratégia brilhante, enquanto o neozelandês arrancou o segundo lugar na marra com bastante arrojo

Grande Prêmio / GABRIEL CURTY, de São Paulo / FELIPE NORONHA, de São Paulo
A primeira etapa da Indy em 2019 teve altos e baixos. Neste domingo (10), em São Petersburgo, a estratégia falou mais alto, mas houve espaço também para belas manobras e disputas muito interessantes, envolvendo especialmente os dois principais pilotos da Penske e a dupla da Ganassi.
 
No centro das ações estiveram justamente os dois últimos campeões da categoria. Curiosamente, Josef Newgarden viveu um dia de Scott Dixon. E Scott Dixon viveu um dia de Josef Newgarden. Melhor para o americano em sua versão modificada.
 
Conhecido por seu arrojo e por grandes ultrapassagens, Newgarden teve um dia extremamente cerebral. Foi certeiro na hora de encaixar a estratégia, ousou colocando pneus diferentes dos rivais e teve muitos méritos ao conseguir esticar mais o antepenúltimo stint. Resumidamente, Newgarden e Penske pareceram Dixon e a Ganassi em 2018 e em quase todos os anos do neozelandês na Indy.
Josef Newgarden venceu em St. Pete (Foto: IndyCar)
"Falamos sobre isso exatamente antes da corrida. Estávamos tentando entender se deveríamos ir com pneus usados ou com novos, e escolhemos os gastos no último minuto. Teríamos essa vantagem se precisássemos e deu certo. Tudo funcionou de forma perfeita. A Chevrolet entregou tudo neste final de semana. Tivemos um motor incrível, tivemos tudo que precisamos em termos de combustível e confiabilidade. Estou falando sério, realmente entendemos tudo no sábado e a partir daí foi um foguete. Estou muito feliz com essa equipe. Temos os melhores dos melhores aqui", resumiu o vencedor do dia.
 
Enquanto isso, Scott não teve nenhum diferencial na parte tática, parou na mesma hora que os outros concorrentes diretos, teve a mesma estratégia, mas se destacou pelo arrojo. Sim, aquilo que de vez em quando parecia faltar a ele nas brigas com Alexander Rossi e o próprio Newgarden. Dixon teve um dia de coragem e foi assim, na marra e no talento, que fez a ultrapassagem do dia em cima de Will Power, manobra que valeu um crucial segundo lugar, seu melhor resultado na carreira em St. Pete.

"No geral, um ótimo dia para a equipe. O trabalho nos boxes foi fenomenal, buscamos bons pontos. Claro que queríamos vencer, mas faltou pouco, parabéns ao Josef. Ele guiou muito e teve ótima estratégia. O tráfego gerou umas oportunidades para passar, é um circuito interessante. Acho que todo mundo aqui ficou feliz com esse começo de temporada", explicou Dixon.
O pódio do GP de São Petersburgo (Foto: IndyCar)
Falando em Power, o australiano foi um que teve uma atuação bem ao seu estilão. Dividiu curvas, não fugiu de disputas, fez boas manobras e também tomou suas ultrapassagens. Se perdeu o segundo lugar para Dixon tomando bela ultrapassagem, foi na marra que evitou a perda do pódio para Felix Rosenqvist, com dois 'chega pra lá' na saída dos boxes.

"Definitivamente, tive um dia bem melhor aqui que nos últimos anos, então estou feliz. Nós ficamos em situação complicada parando cedo, ficamos sem defesa. Também não poderia ter perdido a posição na relargada. A estratégia ficou prejudicada também com tudo isso. Fiz o meu melhor ali para segurar o pódio. Foi o que deu para fazer nas circunstâncias, tive mais pontos que nos últimos anos, então, estamos no jogo", disse Will.
 
Rosenqvist talvez tenha sido o piloto do dia por tudo que envolveu a prova. Além do ótimo quarto lugar, fez uma tremenda largada ao superar Newgarden, conseguiu grande manobra em cima de Power e teve ritmo de vencedor da corrida. Não levou porque a Ganassi errou nos boxes, fato raríssimo, mas parece candidato a boas vitórias em 2019.
Félix Rosenqvist quase foi ao pódio (Foto: IndyCar)
"O top-5, com certeza, é satisfatório, mas eu acho que poderia fazer mais. Alguns pit-stops não saíram como o esperado, mas o trabalho da equipe foi muito bom hoje. Acho que a gente tinha carro suficiente para vencer, foram detalhes que escaparam, mas estou bem feliz. Preciso agradecer o pessoal da Ganassi, comecei o ano melhor do que poderia imaginar", comentou o sueco.
 
Chamou a atenção a vantagem da Penske e da Ganassi sobre o resto do grid. Na realidade, Alexander Rossi até ficou perto do top-4, mas não ameaçou muito ninguém durante as 110 voltas. O que se pode mesmo dizer é que, depois de Rossi, houve um abismo para James Hinchcliffe e para o novamente decepcionante Simon Pagenaud, que puxaram a fila de um grupo que parecia a 'Indy B'.

"Foi um dia que deu para conseguir o que tínhamos para conseguir, até pela posição de largada. Bons pontos, mas frustrante porque você sempre quer vencer corridas. Tivemos um acerto bom de corrida, só que acho que estávamos atrás dos concorrentes. Conseguimos arrumar um acerto em que eu me sentisse confortável, mas precisamos de um pouco mais. De qualquer jeito, boa reação da Andretti", comentou Rossi.
Simon Pagenaud não foi bem (Foto: IndyCar)
Se a pré-temporada foi complicada, a etapa de abertura em St. Pete não foi melhor para a Foyt. Matheus Leist foi vítima do carro batido de Ed Jones - que inclusive quebrou a mão no lance -, enquanto Tony Kanaan foi 15º, sofrendo com a falta de ritmo do carro e ainda um erro da equipe nos boxes.

"Vinha colado no carro na minha frente e não vi o carro Ed Jones e, quando fui desviar, a traseira do carro acabou encostando no pneu dele e colocou fim na minha corrida. Infelizmente, estava no lugar errado na hora errada. É uma pena porque adoro a pista de St. Pete, a gente tinha feito o quinto tempo no warm-up e tinha um carro para fazer uma boa prova", afirmou Leist.

"Foi uma corrida dura para nós. Não tivemos ritmo, mas tentamos. Tivemos uma largada bem boa e aí veio uma bandeira amarela que não podíamos. Foi um daqueles dias em que nada dá certo. Quando fomos ficando para trás, não tínhamos como acompanhar o resto. Só precisávamos terminar a prova, um dia duro", disse Kanaan.
 
A primeira prova da Indy pode não ter sido um primor, mas mostrou suas principais equipes muito fortes e, principalmente, provou que suas principais estrelas são versáteis e estão em grande forma para a luta pelo título.