Em êxtase após primeira vitória em Indianápolis, Kanaan celebra sorte: "A amarela foi minha melhor amiga"

"Eu estava no lugar perfeito, exatamente onde eu queria estar". Foi assim que o brasileiro descreveu o momento que definiu seu triunfo na Indy 500. Na relargada após o acidente de Rahal, Tony voou para cima do então líder Hunter-Reay, assumiu a primeira posição e contou com a sorte: Franchitti bateu em seguida e causou amarela que encerrou a prova


A epopeia de Tony Kanaan em Indianápolis parece ter encontrado, enfim, o seu final feliz. Foram anos de espera, azares, incidentes inusitados e estratégias equivocadas. Mas no último domingo (26), absolutamente tudo conspirou a favor.
 
O brasileiro da KV se beneficiou de uma trinca de fatores que funcionou com perfeição: talento, trabalho e sorte. Se a pilotagem e a estratégia foram impecáveis, parecia, também, haver uma equação a favor de Tony para que ele estivesse exatamente no lugar certo e na hora certa para vencer pela primeira vez as 500 Milhas de Indianápolis.
Tony Kanaan precisou superar os carros da Andretti para vencer (Foto: Getty Images)

A tensão das últimas voltas, o leite da vitória, o beijo nos tijolos da linha de chegada, as lágrimas dentro e fora do carro, o delírio do público… Tudo isso fez com que Tony elevasse a níveis altíssimos a emoção – sua e dos espectadores – por sua conquista histórica.

 
"Nem sei por onde começar. Nós tivemos um grande carro. Foi um daqueles dias, cara", contou o piloto. "Tudo foi muito suave. Jimmy [Vasser, chefe da equipe] estava calmo, eu estava calmo… Ninguém gritou, nada. Senti que estava tudo sob controle."
 
"Mas em outras 11 vezes aqui, tive a mesma coisa. Então quando restavam seis voltas para o fim, veio a bandeira amarela e eu não estava na liderança. Eu disse: 'Pode ser hoje, hoje pode ser o dia', porque eu estive na posição de Ryan [Hunter-Reay] muitas outras vezes."
 
Hunter-Reay era o líder da prova no momento da bandeira amarela provocada por Graham Rahal. Foi a penúltima interrupção da Indy 500. Na relargada, Tony voou para cima do piloto da Andretti e assumiu a liderança. Na sequência, Dario Franchitti também bateu e causou a derradeira amarela, a quatro voltas do fim. O brasileiro não perderia mais a primeira posição.
 
"Eu sabia que ia dar tempo. O Pace Car estava realmente lento. Caminhávamos para terminar a corrida sob bandeira verde. Em cima disso, eu sabia que com uma bandeira amarela restando seis, sete, oito voltas para o final, era grande o potencial para outra amarela bem em seguida", comentou.
 
"Eu não queria estar na liderança porque eu sabia que seria alcançado na relargada. Eu estava no lugar perfeito, exatamente onde eu queria estar, bem atrás do líder, com quatro voltas para o final, porque eu sabia que que uma amarela poderia acontecer. Foi exatamente o que aconteceu."
 
"Eu sabia que tinha que pegar a liderança na relargada, porque poderia ter uma amarela, como aconteceu comigo muitas vezes aqui, e foi o que aconteceu. Como a vida é engraçada. A amarela foi minha melhor amiga", brincou o brasileiro.
Tony Kanaan festeja em Indianápolis (Foto: Carsten Horst)

Por conta da grande amizade entre Kanaan e Franchitti, surgiram comentários de que a batida do escocês teria sido intencional, já que uma bandeira amarela naquele momento encerraria a corrida e daria a vitória ao brasileiro. Naturalmente, Tony rechaçou o boato.

 
"Você não pode prever uma amarela. Eu estava em segundo. Quando veio a bandeira verde, eu disse: 'Estou indo para a liderança'. Tentaria me manter na frente nas três últimas voltas."
 
"As pessoas estão dizendo que ele fez isso de propósito. Obviamente, não. Pude vê-lo louco fora do carro. Quando ele viu que eu estava na frente, ele balançou a cabeça, como se estivesse acenando para mim. Foi especial, muito especial."
 
Curiosamente, foi a 12ª participação de Tony, que chegou à vitória largando da 12ª posição. Com isso, o brasileiro do carro #11 – cujo número jamais havia vencido em Indianápolis – encerrou o ciclo de azar de suas 11 participações anteriores.
 
"Nunca tive dúvidas de que poderia vencer isso. Falei sobre isso muitas vezes, que eu poderia fazer isso ou não, mas este lugar continuaria sendo especial. Hoje aconteceu", completou o baiano.

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