GUIA 2021: Indy escapa bem da pandemia e se prepara para novo Penske x Ganassi

A pandemia de covid-19 atrapalhou muito o calendário, mas a Indy não parece ter sentido os impactos financeiros da pandemia e entra em 2021 com um grid recheado e com Penske e Ganassi prometendo um novo duelo, agora com cada uma de volta aos quatro carros

A temporada 2021 da Indy vai finalmente começar e, ao que tudo indica, com um confronto pesado entre Penske e Ganassi desde o primeiro instante. Em meio a uma pandemia, a categoria teve problemas com calendário, tanto em 2020 quanto em 2021, abrindo os trabalhando apenas no meio de abril, mas contornou os impactos da crise de forma magistral e, assim, abre um campeonato com grid recheado.

Enquanto várias categorias sofreram golpes pesados, a Indy parece ter pego o caminho contrário, por mais incrível que possa parecer. É que o campeonato, além de não perder equipes, vai ter um dos grids mais parrudos dos últimos tempos e a prova disso é que Penske e Ganassi, depois de quatro anos, voltam a ter quatro carros na temporada completa, quatro pilotos titulares cada.

O crescimento de contingente, somado ao desempenho que tiveram em 2020, deixam Penske e Ganassi um degrau acima da Andretti. Se o costume é prever uma briga dentro do trio de ferro da categoria, o papo para 2021 é um pouco diferente. Penske e Ganassi já comandaram a Indy no ano passado, mesmo tendo dois carros a menos do que a rival, por isso, agora, com os três times tendo o mesmo número de pilotos titulares e pela forma recente que se apresentaram, não seria justo colocar a Andretti no mesmo patamar.

GUIA INDY 2021
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Scott Dixon defende o título da Indy em 2021 contra as investidas da Penske (Foto: Indycar)

Atual campeã com Scott Dixon, a Ganassi sonha com o bicampeonato e, obviamente, conta com o neozelandês para tal missão. No entanto, a grande novidade do time é a chegada de Álex Palou, novato sensação de 2020 que tenta deixar para trás a maldição recente do carro #10. Marcus Ericsson foi mantido no terceiro carro, enquanto o quarto carro chega badaladíssimo, dividido por uma lenda da Nascar, nos mistos, e uma lenda da Indy, nos ovais: Jimmie Johnson e Tony Kanaan. É, sem dúvida, uma escalação mais forte do que as recentes e pode estar aí o trunfo para manter a poderosa Penske atrás.

Considerando que os carros, motores e operações de Ganassi e Penske não devem, mais uma vez, ser tão diferentes assim, a missão de desequilibrar fica com os pilotos. E o grande nome da Penske é Josef Newgarden, que teve um 2020 exuberante e, por muito pouco, não foi campeão em cima de Dixon. O duelo principal pelo caneco deve, mais uma vez, ficar mesmo entre o americano e o neozelandês. Mas o time de apoio de Josef é dos melhores: Simon Pagenaud e Will Power foram mantidos, enquanto que o quarto carro voltou, agora com Scott McLaughlin, grande nome da V8 Supercars e que já mostrou que se adapta rapidamente ao mundo da Indy.

A Andretti perdeu um carro em relação ao ano passado, mas, curiosamente, parece mais forte. É que Zach Veach e o próprio Marco Andretti puxavam o nível do time muito para baixo e, agora, perdem a titularidade. Os excelentes Colton Herta e Alexander Rossi seguem com Ryan Hunter-Reay e ganham a companhia de James Hinchcliffe. Não é o time dos sonhos, mas pode ser suficiente para a recuperação do péssimo 2020 e para desafiar as grandes rivais.

Colton Herta é um dos grandes nomes que podem bater de frente com Ganassi e Penske na Indy (Foto: Indycar)

Depois de um primeiro ano excelente, a McLaren parece disposta a dar o próximo passo e competir mais frequentemente por vitórias e, quem sabe, até pelo título. Pato O’Ward foi mantido como estrela da companhia e, na vaga de Oliver Askew, Felix Rosenqvist chega com mais experiência e como alguém que tem um currículo já interessante na categoria. Com Juan Pablo Montoya no terceiro carro na Indy 500, a McLaren surge como boa aposta também para o ano.

Mantendo Graham Rahal e Takuma Sato, a RLL tenta ao menos recuperar o status de quarta força do grid em 2021. Só que isso não quer dizer que o time esteja em queda, pelo contrário, segue se aproximando e reduzindo a distância para as ponteiras. Pode ser o ano da afirmação.

Bem no meio do pelotão intermediário, Carpenter e Dale Coyne buscam resultados melhores que em 2020 com receitas diferentes: a Carpenter aposta na continuidade com o dono do time, Conor Daly e Rinus VeeKay, enquanto que a Dale Coyne muda tudo com Ed Jones e um segundo carro que chama muito a atenção, dividido por Pietro Fittipaldi e Romain Grosjean, que já é a grande história da temporada antes mesmo dela começar, afinal, escapou de um acidente gravíssimo no GP do Bahrein de F1 e teve uma recuperação impressionante antes do início dos trabalhos na Indy.

Romain Grosjean é a maior novidade da Indy 2021 (Foto: IndyCar)

Equipe emergente no grid, a Meyer Shank parte para mais um estágio de seu crescimento na Indy. Depois de conseguir uma temporada completa com Jack Harvey, o time agora soma um segundo carro para mais de um terço do calendário, com ninguém menos que Helio Castroneves fazendo seis corridas, entre elas as 500 Milhas de Indianápolis. A Foyt, enquanto isso, tenta dias melhores após vários anos de total falta de competitividade, especialmente nas ruas e nos mistos. Sébastien Bourdais é a aposta da equipe, com Dalton Kellett completando a escalação.

Fecham o grid a Carlin, que só sabe por enquanto que terá Max Chilton nos mistos, nas ruas e na Indy 500, e a Paretta, equipe feminina que estreia na principal prova do calendário com o retorno de Simona de Silvestro. Aliás, falando em 500 Milhas de Indianápolis, já são 33 nomes confirmados mesmo antes da temporada começar, uma marca excelente e que leva a crer que o Bump Day volte a acontecer em 2021.

O regulamento da Indy não sofre grandes mudanças na temporada e o que poderia ser o último ano dos carros e motores atuais ficou, ao menos por enquanto, para 2023, especialmente por conta da falta de testes e do tempo de desenvolvimento das novas tecnologias no meio da pandemia. A categoria ainda acredita que, daqui dois anos, possa ter uma terceira montadora ao lado de Chevrolet e Honda.

O calendário chega mais parrudo e diversificado que em 2020, quando foram apenas 14 provas e com repetições de praças. Em 2021, são 17 corridas planejadas, com rodadas duplas em Detroit e no Texas e duas etapas diferentes no misto de Indianápolis. Algumas corridas como o GP de Toronto seguem correndo o risco de serem canceladas pela pandemia, bem como a presença de público nas provas é bastante incerta, tudo depende do ritmo da vacinação e da queda no número de infectados nos EUA e no Canadá.

Um ponto que desagrada o fã de oval é que serão apenas quatro corridas do tipo em 2021, uma a menos do que em 2020, mesmo naquele calendário remendado. É que Gateway perdeu uma prova, Iowa deixou a programação e Richmond, que ia retornar no ano passado, sequer reapareceu. As ruas de Long Beach, em 26 de setembro, fecham os trabalhos da temporada que vai ser toda condensada em cinco meses.

A transmissão da Indy 2021 no Brasil fica com a TV Cultura. Assim como em 2020, a decisão ficou para a última hora, mas a categoria vai aparecer na TV aberta, na mesma casa da Fórmula E.

A temporada 2021 da Indy, que deve ter mais um episódio de Penske x Ganassi, está programada para começar neste domingo (18), com o GP do Alabama, no misto de Barber.

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