Indy precisa inovar sem tornar lado financeiro inviável para equipes, diz novo diretor da categoria

Mark Miles foi contratado neste início de ano para assumir o comando da Hulman & Company, a empresa que é dona da Indy, e trabalha em medidas que popularizem a Indy entre o público norte-americano sem elevar os custos da categoria. Uma das prioridades é aumentar a audiência da TV, e a F1 pode ajudar, afirmou

Rosto ainda pouco conhecido no ambiente da Indy, Mark Miles carrega a responsabilidade – e o desafio – de fazer a categoria crescer em popularidade sem aumentar exageradamente os custos envolvidos com o esporte. Ex-dirigente da ATP (Associação de Tênis Profissional), o norte-americano assumiu o comando da Hulman & Company, empresa dona da categoria, no início deste ano e pela primeira vez acompanha de perto um evento que não seja o mais importante do calendário, as 500 Milhas de Indianápolis.

A tarefa não é nada fácil, ainda mais no momento complicado que a Indy vive. O ano de 2012 foi conturbado nos bastidores e terminou com a demissão do antigo CEO, Randy Bernard, que estava em constante rota de colisão com os times. A postura de Miles, bem mais discreta que a de Bernard, tem sido elogiada pelas equipes até aqui.

Mark Miles falou aos jornalistas neste sábado (Foto: IndyCar)

“Precisamos trabalhar em busca de inovações sem afastar os times do esporte por causa dos custos”, declarou Miles em entrevista coletiva na tarde deste sábado (23), em São Petersburgo. “Não é fácil fazer isso. Precisamos olhar para uma variedade de coisas: pneus contribuir para deixar os carros mais rápidos, kits aerodinâmicos podem contribuir e gerar certa diferenciação para o público, mais cavalos de potência no motor podem contribuir para velocidade. Essa é a categoria mais rápida do automobilismo [dos EUA]”, continuou.

Para Miles, o produto Indy é ótimo. A questão é que rumos tomar na busca pela popularização do campeonato. Ele garantiu que conta com o apoio de pilotos e equipes, que “têm seus interesses próprios, mas todos estão unidos pelo interesse comum em fazer a Indy crescer. Eles querem uma luz, querem liderança e querem fazer as coisas que precisamos fazer neste momento para colocar todos na mesma página”.

O relatório produzido por uma empresa de consultoria a pedido da Indy está sendo avaliado e, segundo Miles, trouxe informações valiosas. “Eles fizeram as perguntas corretas. Como você consegue um maior envolvimento do público? Como consegue audiências de TV maiores? Como o calendário norte-americano e o calendário internacional ajuda a conseguir fãs? O que podemos fazer para garantir uma execução melhor de tudo isso?”, enumerou o dirigente.

Uma das recomendações dos consultores foi ter todo o campeonato sendo televisionado apenas por um canal nos Estados Unidos – neste ano, NBC e ESPN dividem os direitos de transmissão. Miles concordou, e vê com bons olhos ter tanto a Indy quanto a F1 passando – pelo menos em algumas datas – no mesmo canal, a NBC. “Eu acho que ter F1 e Indy no mesmo canal é uma grande oportunidade. Mais fãs vão saber onde procurar e, se a F1 tiver uma audiência alta, vai ser bom para a Indy, mais tarde, no mesmo dia”, opinou. Esse expediente acontecerá pela primeira vez neste domingo (24), com a realização do GP da Malásia, ainda na madrugada, e do GP de São Petersburgo, no início da tarde.

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Outro ponto abordado por Miles é a organização da categoria em si. “A nossa companhia é dividida em duas: o Indianapolis Motor Speedway, que tem sua vendas, marketing, licenciamento e comunicação, e a Indy, que tem exatamente a mesma estrutura e fica do outro lado da rua. Podemos ser uma organização com mais dinheiro para investir se juntarmos as duas coisas”, ressaltou o dirigente.

Neste ano, a Indy já introduziu algumas medidas que visam aumentar reconquistar o público norte-americano. As principais novidades são as rodadas duplas marcadas para Detroit, Toronto e Houston e a adoção de largadas paradas, a princípio, em Toronto e Houston.

O calendário também aumentou de 15 para 19 etapas e inclui a ‘Tríplice Coroa’, que compreende as provas disputadas nos três maiores ovais que receberão a categoria, Indianápolis, Pocono e Fontana.

O Grande Prêmio acompanha ‘in loco’ a abertura da temporada 2013 da Indy, em São Petersburgo, com o repórter Renan do Couto

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