Kanaan deixa ‘quase’ no passado e conquista menina dos olhos ao vencer 500 Milhas de Indianápolis

As 500 Milhas de Indianápolis sempre foram o grande sonho de consumo de Tony Kanaan, mas sempre faltava alguma coisa para ele vencer. Neste domingo, não faltou, e o brasileiro, enfim, pôde comemorar a vitória na maior corrida do planeta

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Campeão da Indy em 2004, Antoine Rizkallah Kanaan Filho, ou simplesmente Tony Kanaan, 38, sempre deixou claro o seu grande sonho de consumo, a menina de seus olhos: as 500 Milhas de Indianápolis. O brasileiro queria porque queria vencer a corrida mais importante dos Estados Unidos, considerada, por muitos, maior que o próprio campeonato. Ele já havia sido quinto, quarto, terceiro, segundo, liderado em oito oportunidades, mas, em 11 participações, algo sempre o impediu de vencer. Neste domingo (26), nada atrapalhou.

Largando em 12º em sua 12ª prova em Indianápolis, Kanaan não perdeu tempo nas primeiras voltas. Ganhou quatro posições na largada e, após a primeira relargada, precisou de apenas duas passagens para subir de sétimo para a liderança. Desde aquele momento, o #11 nunca deixou o pelotão da frente, sempre se alternando na ponta com Ryan Hunter-Reay, Carlos Muñoz, Marco Andretti, AJ Allmendinger, Helio Castroneves, Ed Carpenter, enfim, uma penca de adversários. No fim, estava no lugar certo na hora certa: em primeiro no momento em que Dario Franchitti bateu e encerrou a disputa.

A postura de Kanaan durante todas as 200 voltas mostrou o quão decidido a lutar por essa vitória ele estava. Ele talvez não admitisse, mas não queria encerrar a carreira olhando para trás e se lembrando de todos os problemas que teve, como em 2006, quando liderou a prova até a sete voltas do fim: era preciso um splash-and-go para chegar ao final. Ou mesmo no ano passado, quando estava brigando com Franchitti, Scott Dixon e Takuma Sato, mas terminou em terceiro depois que o japonês bateu na Curva 1 na última volta e a prova acabou. Em 2008, Tony abandonou após um forte acidente no 98º giro – deixou a corrida na liderança.

As imagens da 97ª edição das 500 Milhas de Indianápolis
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Há muito tempo que Kanaan sonhava com essa garrafa de leite (Foto: Getty Images)

Ao longo da carreira, com seu carisma e sua pilotagem, o brasileiro caiu nas graças também do público norte-americano. O título de 2004 veio com uma consistência impressionante e o consolidou como um dos principais nomes da categoria. Naquele ano, ele completou todas as voltas disputadas, sem levar volta dos líderes mesmo em ovais; terminou as 16 etapas no top-10, sendo 15 no top-5, e ganhou três corridas. Foi absoluto.

Kanaan continuou na equipe Andretti por mais seis temporadas, até 2010, e só passou em branco em 2009. Mas, como sempre, a consistência foi chave: ele chegou ao final de todos os oito campeonatos que disputou com o time de Michael Andretti entre os seis melhores, incluindo um vice, em 2005, para Dan Wheldon.

No fim de 2010, Kanaan e Michael romperam. O caminho seria uma equipe brasileira, a de Gil de Ferran. Juntos, os dois campeões procuraram por patrocinadores, sem sucesso. Pouco antes da temporada começar, ainda deu tempo de assinar com a KV. Tendo o apoio da Lotus, o ano de 2011 foi promissor e o brasileiro andou bem, especialmente nos ovais. Faltou vencer, mas ele foi o quinto colocado na tabela de pontuação.

2012 é que foi um ano mais complicado, o pior de Kanaan na Indy. Contando com três pilotos (Tony, Rubens Barrichello e Ernesto Viso), a KV demorou a se adaptar ao novo carro da categoria, o DW12, e grandes resultados não foram conquistados. Com exceção dos ovais, o time fez um ano ruim. O brasileiro fechou a temporada em nono.

É tradição em Indianápolis o vencedor beijar o Yard of Bricks, a linha de chegada (Foto: Getty Images)

Esse cenário mudou bastante para 2013. Assim que a temporada passada acabou, Jimmy Vasser e Kevin Kalkhoven assinaram com a suíça Simona de Silvestro e definiram que teriam apenas dois carros neste ano. Tendo o pacote todo fechado durante todo o inverno norte-americano, o início deste campeonato, em São Petersburgo, foi um prenúncio de que a maré de azar passaria. No Brasil, o desempenho também foi bom e, correndo em casa, Tony liderava a prova apesar de muitas dores na mão, luxada, até um erro primário no cálculo de combustível estragar a corrida. Em Indianápolis, a volta por cima foi dada. E não podia ser em melhor estilo.

Kanaan se tornou o quarto brasileiro a vencer no “maior espetáculo do automobilismo”, entrando para o grupo formado por Emerson Fittipaldi (1989 e 1993), Helio Castroneves (2001, 2002 e 2009) e Gil de Ferran (2003). Ainda sobre a consistência, o piloto caminha para se tornar o recordista de largadas consecutivas na Indy. A de hoje foi a 201ª; faltam dez para igualar o chefe Vasser, que estabeleceu a marca de 211.

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