Na fila da classificação, coreografia da Indy tem aplauso, tensão e silêncio que só barulho traz

Os últimos momentos da classificação da Indy, quando os nove mais rápidos tentam a pole-position, são cercados de enorme tensão, em que só se ouve a voz de quem está nas arquibancadas, além do som dos motores. Ali, solitários e calados dentro do carro, os pilotos só querem deixar a linha dos pits o mais rápido possível

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Tensão, precisão, organização e alívio. É mais ou menos assim que funciona a classificação para as 500 Milhas de Indianápolis, a prova mais importante da Indy e uma das mais famosas do mundo. No dia da decisão do grid não são permitidos erros, e o cara ali dentro do carro tem apenas uma chance para conquistar o melhor lugar possível para largar na corrida que neste ano chega a sua 100ª edição.

 
E podemos dizer que o lugar onde a história da classificação realmente começa a ser contada é na saída do pit-lane. Depois que são definidos os nove mais rápidos no dia anterior, o fim do domingo é dedicado exclusivamente à disputa da posição de honra — é o Q3 da F1 em uma versão amplificada e nervosa. 
 
Após a formação do grid entre a décima e a 33ª colocação, cada um dos nove homens mais velozes do fim de semana vai se colocando em uma fila indiana tensa ao longo dos pits. Cada um devidamente acompanhado de seus mecânicos e chefes de equipe, que mal se falam. Tudo é feito apenas por gestos. Os segredos são contados apenas via rádio. 
Josef Newgarden na saída dos pits em Indianápolis (Foto: Evelyn Guimarães/Grande Prêmio)
A equipe de mecânicos, então, cerca o carro com todo cuidado do mundo e não deixa na passar nada e nem ninguém estranho se aproximar. Verificam cada detalhe tantas vezes forem necessárias, de uma sujeirinha na carenagem aos sistemas mais complexos, checam à exaustão a calibragem dos pneus e vão levando vagarosamente o piloto até a linha limite.
 
O competidor, por usa vez, tenta driblar a tensão, mas não tem como escondê-la. Ali solitários e calados, tentam se concentrar, visualizar as voltas que têm pela frente. Como se não bastasse situação de nervos, ainda conseguem acompanhar o desempenho dos rivais, volta após volta. E segue ali esperando pacientemente a sua vez. E é uma espera incômoda, sem dúvida nenhuma.
 
O único som que ouvem vem das arquibancadas. A torcida se faz agitada o tempo inteiro, grita, incentiva, ‘zica’ oponente e não quer perder nenhum detalhe. A todo o momento, alguém coloca o celular para fazer a foto, o vídeo, tenta se chegar perto. Enquanto isso, o piloto segue inerte dentro do carro, com o olhar fixo no mecânico que vai à frente e que indica a hora de ligar o motor e o momento preciso de finalmente ganhar a pista.

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Neste último domingo (22), Simon Pagenaud, Carlos Muñoz, Mikhail Aleshin, Josef Newgarden, Townsend Bell, Helio Castroneves, Will Power, Ryan Hunter-Reay e James Hinchcliffe seguiram à risca esse ritual, em uma coreografia que não precisou ser ensaiada.

 
Muitos deixaram os pits ansiosos por uma surpresa que não veio. Então, na volta, a decepção ficou estampada, mas essa foi só a primeira batalha, como disse o jovem Newgarden mais tarde. “Odeio aquela espera, é uma grande tensão. Eu estava confiante de que poderia sair na pole, passou muito perto, não deu, mas agora é hora de pensar em como ganhar essa corrida”, disse Josef ao GRANDE PRÊMIO.
 
Embora não tenha sido o único norte-americano no ‘Fast 9’, o piloto da Carpenter era o favorito da torcida. Desde o momento em que alinhou no pit-lane, só seu nome estava nas vozes dos torcedores. Suas quatro voltas foram acompanhadas com atenção. Quando passou em primeiro, mecânicos e fãs explodiram em alegria, mas faltavam ainda alguns carros.
 
E essa espera também foi angustiante. E tinha razão de ser. “É meio que um drama”, confessou mais tarde, já consciente da briga perdida para Hinchcliffe, o pole em Indy. 
Americano como Josef, Ryan Hunter-Reay também teve parte da torcida a seu favor. E contou que a velocidade com que tudo aconteceu no fim assusta um pouco, mas “faz parte da magia de Indianápolis”. “A volta toda é como se estivesse prendendo a respiração. É muito estressante, mas é um estresse bom… Não sei se posso falar dessa maneira. Mas isso vale a pena”, reconheceu.
 
E vale mesmo.

'INDY 100sacional'
Assista ao programa desta segunda-feira feito por Victor Martins e Evelyn Guimarães direto do Indianapolis Motor Speedway
 

PARTE 1

PARTE 2

PADDOCK GP #29 RECEBE PIPO DERANI E DEBATE GP DA ESPANHA DE F1

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