Indy

Sato supera Carpenter por 0s04 e vence insano GP de Gateway. Kanaan é 3º

Takuma Sato deu sorte com uma amarela na hora certa, segurou Ed Carpenter nos últimos metros e venceu um espetacular GP de Gateway. Tony Kanaan bateu Santino Ferrucci para ir a um inesperado pódio e Josef Newgarden, rodando na última curva, foi sétimo

Grande Prêmio / GABRIEL CURTY, de São Paulo
O GP de Gateway foi o melhor da temporada 2019 da Indy. Em uma prova espetacular, melhor para Takuma Sato na movimentadíssima noite deste sábado (24). É até difícil de resumir tudo o que aconteceu nas maravilhosas 248 voltas no oval curto, mas dá para dizer que Takuma Sato teve uma tremenda sorte para sair do fundo do grid para o lugar mais alto do pódio.

O japonês, Tony Kanaan e Ed Carpenter ainda não tinham feito a última parada quando Sébastien Bourdais, que era forte candidato a vencer, rodou e bateu sozinho. Aquela amarela jogou o trio para a ponta mesmo após os pit-stops e, aí, a briga foi interna. Sato segurou Tony, mas, principalmente, defendeu um ataque de Carpenter na linha de chegada para triunfar por meros 0s040, deixando para trás o final de semana passado em que tudo deu errado em Pocono, com acidente por ele causado logo na largada.

Tony merece um capítulo só para ele. Que atuação espetacular do veterano brasileiro. Muito combativo para se manter na volta do líder, o piloto da Foyt foi recompensado com a sorte e, mesmo perdendo lugar para Carpenter, deu uma aula de defesa em cima de Santino Ferrucci nos metros finais. Mesmo com um carro bem mais lento, arrancou o primeiro pódio do time no ano na marra.

E essa derrota para Kanaan ainda pesou muito para Ferrucci. O americano perdeu o controle e acabou voltando muito lento com tudo para a linha rápida da pista, por muito pouco não batendo em Josef Newgarden, mas forçando o líder do campeonato para fora. Newgarden rodou, na curva final, segurou para não bater, mas caiu de quinto para sétimo, ficando extremamente nervoso com a atitude do novato.

Discreto em boa parte da prova, Simon Pagenaud tirou proveito da situação e foi quinto, reduzindo um pouco a distância para o companheiro no campeonato. Conor Daly, em atuação fenomenal, buscou um sexto lugar muito acima do que a Carlin havia feito em toda a temporada.

Atrás de Newgarden terminou um Ryan Hunter-Reay que quase se envolveu em novos acidentes, seguido por Colton Herta, que lutou muito, e Marco Andretti, o homem mais beneficiado por bandeiras amarelas da prova, mas que foi bem competente ao sair de último no grid para o top-10. Matheus Leist deu azar com boa parte das amarelas, tomou voltas assim e foi 17º. E Alexander Rossi? Bom, deu tudo errado para o americano e, com direito a uma parada inexplicável no fim, foi 13º com volta atrás do líder.
Takuma Sato venceu em Gateway (Foto: Indycar)
Saiba como foi o GP de Gateway
 
Pouco depois das 21h45 (em Brasília), a Indy teve autorizada a largada do GP de Gateway, com Josef Newgarden deixando os problemas de Pocono para trás e sendo bem agressivo, mantendo a dianteira seguido por Sébastien Bourdais, Will Power, Santino Ferrucci e Scott Dixon, os dois últimos que partiram muito bem também.
 
Simon Pagenaud foi facilmente superado pela dupla e caiu para sexto, com Alexander Rossi virando nono e Tony Kanaan já em 14º, ambos assistindo de perto mais um enrosco da dupla Takuma Sato e Ryan Hunter-Reay, que acabou com Marcus Ericsson na grama e uma bandeira amarela bem veloz.
 

Ericsson, óbvio, foi aos boxes, assim como Charlie Kimball, que já tinha alguns problemas em seu carro, que bateu no TL2. A relargada aconteceu na volta 7 e Newgarden voltou a sair bem, mas Bourdais não teve a mesma reação e foi ultrapassado por Power e por Ferrucci. Pagenaud deu uma reagida e passou Dixon.

A corrida entrava em um período de certo marasmo, naquela conhecida janela de voltas reservadas para colocar uma estratégia de paradas em dia. Assim, a ordem estava mantida com Newgarden, Power, Ferrucci, Bourdais, Pagenaud, Dixon, Rosenqvist, Hinchcliffe, Rossi e Hunter-Reay. Kanaan vinha em 13º, atrás de Spencer Pigot e na frente de Conor Daly.
 

Um quase 'big-one' aconteceu ali na volta 42, com Daly tentando sem sucesso passar Kanaan, escorregando e quase dando no muro. Carpenter tentou se aproveitar e Sato também e os três, andando um ao lado do outro, quase se tocaram. Cerca de nove carros passaram a andar juntos na confusão, mas o japonês ficou especialmente lento, virando o primeiro retardatário já na volta 45 e indo para os boxes. Pigot e Rahal também pararam na sequência.
 
O primeiro dos líderes nos boxes foi Pagenaud, com Dixon seguindo o mesmo rumo no giro seguinte, o 51. Newgarden parecia que iria tentar esticar, mas sentiu vibração nos pneus e fez o pit-stop no 52º, se complicando na entrada e na saída com Leist.
 
Todo mundo ia parando e, claro, voltando com pneus bem frios. Era a receita perfeita para dar ruim e foi justamente com Power, virtual segundo colocado da prova. O australiano, já pressionado, tinha mais uma grande frustração em 2019. 


 
Para a prova, quem se dava bem com aquilo era Ferrucci, que estava voltando dos boxes e, principalmente, Hinchcliffe, que assumiu a liderança virtual, dentre os que tinham parado. Newgarden era terceiro nessa ordem e sétimo no geral, com Herta, Daly, Ericsson e Andretti ainda precisavam parar e vinham na frente.

Herta, Andretti, Ericsson e Daly paravam e voltavam entre o sétimo e o décimo lugares, também se dando bem com a amarela. Mas outro carro parou e não estava programado: Dixon. Era praticamente o fim do sonho do título, com tampa do motor sendo levantada, água colocada e nada do carro reagir. Scott foi levado para a garagem, já virando muito retardatário.
 
O top-10 da corrida estava formado, antes da relargada, por Hinch, Ferrucci, Newgarden, Bourdais, Rosenqvist, Pagenaud, Herta, Ericsson, Andretti e Daly. Veio a bandeira verde e Newgarden saiu muito mal, perdendo lugar para Rosenqvist e Bourdais, mas logo passando de volta o sueco. Hinch segurou Ferrucci, enquanto Ericsson já surgia em sexto. Rossi quase tocou em Pagenaud, ficando por fora no duelo.

 
 
A amarela não foi boa para todo mundo. Kimball, Leist e Sato, por exemplo, tomaram volta e praticamente saíram da briga. Andretti, por outro lado, tinha levado várias posições, mas perdeu quase tudo na relargada, indo para trás de Kanaan e Carpenter, em 15º.

A pressão de Ferrucci em cima de Hinchcliffe era muito grande. Na volta 83, o americano assumiu a dianteira após finalmente tracionar de forma ideal a curva 4. E aí, quando foi para a ponta, tratou de abrir e logo apareceu 4s na frente do canadense ali pela volta 92.

A segunda janela de paradas começou ali pela volta 96 com Pigot e Carpenter abrindo os trabalhos. Rahal foi logo depois, antes de um considerável vácuo para os pit-stops seguintes. Todo mundo foi parando e Ferrucci manteve a frente virtual, com Bourdais montando o 1-2 da Dale Coyne na frente de Hinch e de Newgarden.

 
Aliás, o americano líder do campeonato passou muito perto de aprontar uma das grandes. Josef escorregou e conseguiu uma grande salvada, evitando uma ida ao muro que seria desastrosa para o campeonato. Mas a amarela veio na sequência, com Ericsson beijando o muro na curva 4.
 
Muita gente aproveitou para fazer mais uma parada, mas Ericsson passou mais tempo nos boxes, com o carro avariado na suspensão, com carinha de abandono. Ali, Dixon retornava para a pista tentando salvar uns pontinhos. A ordem do top-10 tinha Ferrucci, Bourdais, Hinch, Newgarden, Rossi, Pagenaud, Daly, Rosenqvist, Herta e Carpenter, com Andretti novamente beneficiado pela amarela e em 11º. Tony vinha em 15º e Matheus era 19º, uma volta atrás. 

Veio a relargada, mas a amarela voltou praticamente ao mesmo tempo. Pigot tentou botar uma volta em Kimball e o piloto da Carlin não deu o menor espaço, espremendo o compatriota da Carpenter na grama. Pigot perdeu o controle e deu forte no muro, abandonando pela segunda semana seguida. Antes disso, ainda deu tempo de Rossi passar Newgarden pelo quarto lugar.
Spencer Pigot abandonou (Foto: Indycar)
A bandeira verde voltou na volta 141 e Ferrucci saiu muito bem, enquanto Bourdais ficou preso brigando com um retardatário Veach. Rossi varreu Hinch da frente e ajudou o rival Newgarden, que subiria para quarto no giro seguinte. Herta voltou a sair bem, passou Pagenaud e Rosenqvist e grudou em Daly para ser sétimo.
 
Veach resolveu agredir mesmo e até a volta de Ferrucci conseguiu tirar, mantendo o top-4 muito juntinho, com Hinchcliffe um pouco mais distante e já segurando Daly. Kanaan era 13º, aproveitando pneus novos e mais combustível da última amarela.

Ninguém passava ninguém no pelotão da frente, parecia que tudo ficaria mesmo pras últimas 50, 40 ou 30 voltas. Mais para trás, Pagenaud se livrou de Rosenqvist para virar oitavo, tentando reduzir o prejuízo. 

Na volta 174, mais uma janela de paradas abrindo e, desta vez, quente, com Rossi, Hinchcliffe, Pagenaud e Herta juntos. E Alexander se deu um pouco mal, com um pequeno erro na parada que custou lugar para Hinch. No giro seguinte, um estrago maior: Newgarden voltou bem na sua frente quando parou e Rossi teve de tratar de atropelar Hinch para reduzir os danos, ficando preso num pelotão de retardatários.
 
Tentando passar Hinchcliffe, Pagenaud enfrentou uma barreira canadense, sendo jogado para o lado sujo da pista, quase no muro e ficando absurdamente lento para não bater, caindo para trás até de Rosenqvist. Ferrucci e Bourdais foram aos boxes na volta 188 e o pit-stop de Santino deu errado, com a mangueira de reabastecimento com problema e o pneu traseiro direito também. O resultado foi ser jogado para trás de Newgarden, Rossi e do próprio Bourdais, além de Daly.
 

 
Bom, aí a corrida mudou completamente de história. Bourdais rodou sozinho, deu no muro e voltou atravessado para a pista, jogando no lixo uma bela chance de vencer. Daly tirou o pé para não bater no francês e Ferrucci passou o piloto do #59. A amarela voltava e ajudava o trio Sato, Kanaan e Carpenter, que não tinha parado ainda, mas o líder real da prova era Newgarden que, assim como Rossi, tinha pneus 14 voltas mais velhos que os de Ferrucci.

Enquanto Dixon recolhia após passar Dixon, Sato, Kanaan, Carpenter e Newgarden iam aos boxes e aproveitavam que a amarela havia colocado o quarteto na frente de todo o resto do grid. Assim, retornavam para a pista na mesma ordem. Os demais paravam na sequência, se reposicionando com Rossi em quinto e seguido por Ferrucci, Daly, Andretti, Hunter-Reay e Rahal.

A relargada foi dada com menos de 45 voltas pela frente e Sato e Kanaan saíram muito bem, mantendo a ponta. Newgarden tentou atacar Carpenter, mas foi fechado e quase perdeu lugar para Rossi. Lá atrás, Hinch e Hunter-Reay se tocavam e se enroscavam forte com Pagenaud e Herta. 
Josef Newgarden fez prova bem segura (Foto: Indycar)
Andretti superava Daly na raça para virar sétimo, enquanto Ferrucci atropelou Rossi e colou em Newgarden, forçando o ritmo em cima do líder do campeonato. Lá na frente, Sato abria quase 2s para Kanaan, que respirava também contra Carpenter.
 
Pagenaud resolveu colocar a faca entre os dentes e não tomou conhecimento de Rahal e Andretti, indo parar em oitavo, logo atrás de Daly. Rossi ia perdendo ritmo e segurava um longo pelotão.

Rahal ia para os boxes com problemas no carro e era mais um a abandonar a prova. Num box ao lado, Rossi parava de forma bem surpreendente para fazer suas trocas e retornava em 14º com volta atrás. Precisaria de um milagre.


Ferrucci passou Newgarden com 15 giros para o fim e parecia pronto para até vencer a corrida, mesmo que Josef não tivesse feito esforço para evitar qualquer enrosco. Só que quando o garoto chegou em Carpenter, problemas. O veterano deu um drible bonito e jogou Santino para a parte suja, custando até a posição novamente para Newgarden.

E aí fica até difícil resumir o que aconteceu depois. Primeiro, Carpenter conseguiu tirar Tony do caminho, enquanto Ferrucci voltou a se livrar de Newgarden. Ainda tinham algumas voltas para Sato tentar vencer e Kanaan tentar o pódio milagroso.

O japonês segurou Carpenter por inacreditáveis 0s04, venceu a prova e, logo atrás, Kanaan deu uma aula de defesa para o novato Ferrucci, trancou a porta com maestria e salvou um absurdo pódio. Santino quase bateu, fechou Newgarden e o líder rodou, na última curva. A salvada de Newgarden foi qualquer nota para não ir ao muro, mas o quinto lugar virou sétimo, atrás de Pagenaud e Daly.

Indy 2019, GP de Gateway, Final:

1 T SATO RLL Honda 2:15:53.469 248 voltas
2 E CARPENTER Carpenter Chevrolet +0.040  
3 T KANAAN Foyt Chevrolet +2.246  
4 S FERRUCCI Dale Coyne Honda +4.194  
5 S PAGENAUD Penske Chevrolet +6.274  
6 C DALY Carlin Chevrolet +8.020  
7 J NEWGARDEN Penske Chevrolet +13.805  
8 R HUNTER-REAY Andretti Honda +14.939  
9 C HERTA Harding Honda +17.101  
10 M ANDRETTI Andretti Honda +18.466  
11 F ROSENQVIST Ganassi Honda +19.859  
12 J HINCHCLIFFE SPM Honda +1 volta  
13 A ROSSI Andretti Honda +1 volta  
14 Z VEACH Andretti Honda +1 volta  
15 C KIMBALL Carlin Chevrolet +1 volta  
16 M ERICSSON SPM Honda +1 volta  
17 M LEIST Foyt Chevrolet +2 voltas  
18 G RAHAL RLL Honda +22 voltas NC
19 S BOURDAIS Dale Coyne Honda +59 voltas NC
20 S DIXON Ganassi Honda +112 voltas NC
21 S PIGOT Carpenter Chevrolet +117 voltas NC
22 W POWER Penske Chevrolet +196 voltas NC
 
Apoie o GRANDE PRÊMIO: garanta o futuro do nosso jornalismo

O GRANDE PRÊMIO é a maior mídia digital de esporte a motor do Brasil, na América Latina e em Língua Portuguesa, editorialmente independente. Nossa grande equipe produz conteúdo diário e pensa em inovações constantemente, e não só na internet: uma das nossas atuações está na realização de eventos, como a Copa GP de Kart. Assim, seu apoio é sempre importante.

Assine o GRANDE PREMIUM: veja os planos e o que oferecem, tenha à disposição uma série de benefícios e experências exclusivas, e faça parte de um grupo especial, a Scuderia GP, com debate em alto nível.