Virada de Dixon sobre Montoya faz lembrar da única similar que aconteceu na F1: a de Hunt sobre Lauda

Juan Pablo Montoya liderou todo o campeonato da Indy, mas perdeu o título na corrida decisiva para Scott Dixon. Na história da F1, tal virada só aconteceu uma vez, em 1976, envolvendo Niki Lauda e James Hunt

Juan Pablo Montoya venceu o GP de São Petersburgo para abrir a temporada 2015 da Indy no topo da tabela de pontuação, e nesta posição permaneceu até o último domingo (30), antes da decisão em Sonoma. Nos livros de história, no entanto, é o nome de Scott Dixon que aparecerá para sempre ao lado do número 1.

Viradas enormes já aconteceram no automobilismo. Como esta, já são bem raras.

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Na principal categoria do planeta, o Mundial de F1, houve apenas uma ocasião em que um piloto liderou o campeonato após todas as etapas, com exceção da última: em 1976, há 39 anos. Para isso, foi preciso que uma quase-tragédia acontecesse.

Niki Lauda tinha o título de 1976 bem encaminhado até sofrer um grave acidente no GP da Alemanha (Foto: Getty Images)

Niki Lauda venceu o GP do Brasil, em Interlagos, e o da África do Sul, em Kyalami, para disparar na frente. Enquanto os adversários mostravam-se bastante irregulares, o austríaco da Ferrari foi ao pódio em todas as sete primeiras etapas e se recuperou do abandono por uma falha mecânica no GP da França com vitória na nona prova do ano, na Inglaterra.

Tudo parecia bem encaminhado para o bicampeonato consecutivo, algo que a Ferrari não conseguia desde Alberto Ascari. Porém, no GP da Alemanha, um grave acidente quase lhe custou a vida — e o impediu de ser campeão. No antigo traçado de Nürburgring, Lauda perdeu o controle da Ferrari após uma aparente falha na suspensão traseira. Ele chegou a receber a extrema unção.

Esta foi a oportunidade da vida de James Hunt, inglês contratado naquele ano pela McLaren para substituir Emerson Fittipaldi. Com Lauda se recuperando, Hunt conquistou o GP da Holanda e se aproximou na tabela de pontuação. Sua reação na pista fez Lauda acelerar a recuperação e o retorno ao cockpit, que se deu apenas um mês e meio depois, no GP da Itália, ainda que não estivesse 100%.

Lauda e Hunt: perfeitos opostos que protagonizaram uma das brigas mais espetaculares da história da F1. (Foto: Getty Images)

Lauda manteve a liderança até a última corrida, o GP do Japão, do qual se retirou ainda nas voltas iniciais devido à chuva torrencial que caía no circuito de Fuji. Ele decidiu que não valia a pena se arriscar pelo título em tais condições. Sabia que, o ano seguinte, teria outra chance — e tratou de aproveitá-la.

Já Hunt se contentou com aquilo. O britânico era conhecido por uma pilotagem arrojada e talentosa, mas também pelos excessos fora das pistas, um ótimo exemplo de bon-vivant. Para ele, um título bastava. E a única vez na vida em que ele ocupou a liderança do Mundial de F1 foi justamente após aquele GP do Japão de 1976.

O caso de Dixon é diferente. O neozelandês sagrou-se, neste fim de semana, tetracampeão da Indy graças à vitória assegurada em Sonoma. O resultado da corrida decisiva, com Montoya em sexto, deixou ambos empatados com 556 pontos, sendo que Dixon levou a melhor no primeiro critério de desempate: três vitórias, contra duas do colombiano. Montoya não engoliu muito bem, especialmente pela regra da pontuação dobrada na final, e disse que o rival fez uma "temporada de merda".

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