Análise: Para voltar a vencer na MotoGP, velho Rossi encontra fórmula da juventude

Aos 35 anos, Valentino Rossi se recusa a sucumbir ao peso da idade e segue fazendo história no Mundial de Motovelocidade. Triunfo no GP de San Marino o colocou como o piloto com a mais longa carreira vitoriosa no certame

307 corridas, 192 pódios, 107 vitórias e nove títulos mundiais. Com um histórico desses, Valentino Rossi poderia ter pendurado o capacete anos atrás e seria sempre lembrado com um dos maiores talentos que o motociclismo já viu.

Apesar de já ter garantido seu nome na história – há muitos anos, aliás –, o italiano de Tavullia segue treinando, se preparando e lutando, buscando uma forma de não sucumbir à idade e fazer frente a pilotos mais jovens. Aos 35 anos, Rossi encara nas pistas um misto da segunda e da terceira gerações de rivais, pilotos como Marc Márquez, cujo talento já encantou fãs ao redor de todo o mundo.

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Sempre disposto a encarar um desafio, Rossi viveu seu inferno particular na Ducati, mas conseguiu reencontrar o caminho para casa. De volta à Yamaha, Valentino precisou se readaptar à YZR-M1, que, até pelas mudanças no regulamento da MotoGP, não era mais a mesma moto que ele havia deixado para trás em 2010.

A moto, no entanto, não era seu único desafio. Recém-chegado à categoria rainha do Mundial de Motovelocidade, Márquez trouxe consigo um novo estilo de pilotagem, uma forma de condução que trazia em sua essência o dirt-track norte-americano e o permitia extrair o máximo dos pneus Bridgestone.

Rossi logo entendeu que, para fazer frente ao jovem de Cervera, teria de mudar seu estilo de pilotagem, se adaptando aos novos tempos e à nova moto, sem tentar ajustar a 1000cc ao seu estilo de guiar.

Valentino Rossi quebrou recorde ao vencer GP de San Marino, em Misano (Foto: Yamaha)

Depois de um primeiro ano mediano nesse retorno à Yamaha, Rossi apostou todas suas fichas em 2014, colocando a atual temporada como decisiva para seus planos de aposentadoria. Apaixonado pelo esporte, Valentino buscou alternativas para melhorar sua performance e a própria dispensa de Jeremy Burgess, seu lendário chefe de equipe, já era uma mostra de suas intenções.

Com 1,82m, Rossi é um dos mais altos do grid em um esporte onde os baixinhos levam vantagem. Assim, o italiano, que nunca foi um grande fã do trabalho em academia, reforçou sua preparação física e chegou para a temporada com 65 kg.

Além do trabalho físico, Valentino também mudou sua preparação na pista, deixando o motocross um pouco de lado e dedicando mais tempo ao dirt-track. Nesse processo, a Academia de Pilotos VR46 se tornou um grande trunfo.

Em uma parceria com a Federação Italiana de Motociclismo, Rossi passou a usar seu Rancho para preparar a nova geração de pilotos da Itália. Além do irmão mais novo do multicampeão, Luca Marini, a academia conta com jovens como Andrea Migno, Niccolò Antonelli, Franco Morbidelli, Francesco Bagnaia e Romano Fenati, que treinam lado a lado com o piloto da casa de Iwata.

Amparado pela confiança da Yamaha, Rossi conseguiu melhorar seu ritmo e voltar à briga. Antes da vitória em San Marino, o italiano já tinha conquistado oito pódios no ano, divididos igualmente entre segundos e terceiros lugares, o que o mantém vivo na briga pelo vice-campeonato.

Correndo no quintal de casa, já que o Circuito Marco Simoncelli fica apenas alguns quilômetros distante da residência de Valentino, o eneacampeão do Mundial de Motovelocidade conseguiu sua vitória mais significativa desde que deixou a marca dos três diapasões em 2010. Ao contrário do triunfo de Assen no ano anterior, desta vez todos os rivais – Márquez, Dani Pedrosa e Jorge Lorenzo – estavam em perfeitas condições de saúde e, portanto, em iguais condições de brigar pelo triunfo.

Ao cruzar a linha de chegada de Misano na primeira colocação, Rossi se tornou o piloto com a mais longa carreira vitoriosa no Mundial, superando Loris Capirossi. Entre o primeiro triunfo no certame, conquistado na etapa de Brno das 125cc de 1996, e a vitória em Misano, se passaram 18 anos e 27 dias.

A vitória em San Marino também o garante como piloto com a mais longa carreira vitoriosa na categoria de elite, com o primeiro triunfo e o mais recente separados por 14 anos e 67 dias. Antes, Alex Barros ocupava esta posição.

Valentino Rossi, aos 35 anos, ainda está disposto a vencer (Foto: Yamaha)

Além disso, com 35 anos e 210 dias, Valentino se tornou o segundo piloto mais velho a vencer na MotoGP, atrás apenas de Troy Bayliss, que venceu em Valência em 2006 aos 37 anos e 213 dias. Levando em conta os resultados das 500cc, o italiano aparece em décimo em uma lista liderada por Fergus Anderson, vencedor em Montjuïc em 1953 aos 44 anos e 237 dias.

Com uma longa e vitoriosa carreira no Mundial de Motovelocidade, Rossi acredita que está em seu melhor momento e não credita o número reduzido de vitórias – em relação ao seu período mais vitorioso – aos seus 35 anos.

“Acho que agora, especialmente neste ano, acho que sou o melhor Valentino da minha carreira”, avaliou. “Não sinto que sou mais lento do que quando ganhei dez ou 12 provas por temporada”, continuou.

“O problema principal é que meus rivais são mais fortes, mais jovens, a geração seguinte”, apontou. “São mais profissionais, mais focados, então este é o grande problema”, completou.

Rossi é um dos poucos esportistas que conseguiu encontrar a fórmula da juventude e está aí mostrando para todo mundo que, como ele mesmo diz, “galinha velha ainda dá bom caldo”.

As imagens da carreira de Valentino Rossi
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