Na reta final do Mundial do ano passado, Rossi acusou Márquez de atuar em favor de Jorge Lorenzo. No entender do italiano, o espanhol da Honda não queria ver o décimo título do piloto de Tavullia.
Carmelo Ezpeleta afirmou que não quer MotoGP na mídia por polêmicas como a de 2015 (Foto: FBO)
As acusações de Rossi culminaram em um lance para lá de polêmico na Malásia, onde um toque com Márquez terminou com o #93 no chão.
Valentino foi punido com três pontos de punição e, como já tinha um ponto por uma infração anterior, teve de largar em último na final de Valência, quando Lorenzo conquistou o título por uma margem de cinco pontos.
Antes do início da temporada, Carmelo Ezpeleta, diretor-executivo da Dorna, visitou o diário espanhol ‘AS’ e falou sobre os reflexos da polêmica.
O dirigente de 69 anos avaliou que não faz diferença que Rossi e Márquez sejam amigos, e fez uma comparação com Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, astros de Barcelona e Real Madrid, respectivamente.
Indagado se está ao lado de Márquez ou Rossi na confusão da temporada 2015, Ezpeleta foi taxativo: “De ninguém”.
“Para mim tanto faz se haja paz. Não se pode obrigar Messi a ser amigo de Cristiano Ronaldo, e com Rossi e Márquez acontece a mesma coisa. Não faz falta que eles sejam amigos”, ponderou.
Assim como já fez anteriormente, Ezpeleta defendeu que a MotoGP não precisa de polêmicas como a de 2015 para atrair atenção da mídia e frisou que não quer ver o Mundial presente nos noticiários ao custo de incidentes como os do ano passado.
“Eu não gostaria de outro final de campeonato como o do ano passado, por mais que tenha sido midiático. Não precisamos disso para ter espetáculo na pista e a atenção dos fãs do esporte”, declarou. “Se pudermos esquecer atuações como a dos dois últimos GPs, melhor. Gostaria de um Mundial tão midiático como foi até a Malásia. O que aconteceu ali não é positivo”, avaliou.
Carmelo, no entanto, disse não acreditar em um pacto espanhol contra Rossi. “As coisas aconteceram como aconteceram e não houve confabulação entre Lorenzo e Márquez”.
Além disso, Ezpeleta explicou um pouco mais sobre como serão aplicadas as novas punições no Mundial de MotoGP. Na esteira da polêmica de 2015, a Dorna decidiu se retirar do grupo responsável pelas sanções, que agora será formado por Mike Webb, o diretor de provas do campeonato, e por outros dois comissários integrantes de um grupo de oito.
“Teve quem dissesse que nós tínhamos punido Rossi em Sepang porque somos espanhóis, então, a partir de agora, nós não vamos sancionar”, declarou. “Vamos separar a direção de prova do organismo sancionador, que será formado por três comissários”, anunciou.
“Um deles será Mike Webb, que continua na direção de prova como representante das equipes, onde também permanecem Franco Uncini, representante dos pilotos, e Javier Alonso, por parte da Dorna”, explicou. “Os outros dois comissários saíram de um grupo de oito que vamos eleger e revezar”, seguiu.
Polêmica entre Rossi e Márquez resultou em várias mudanças na MotoGP (Foto: Reprodução/Twitter)
“Demos aos pilotos da MotoGP um catálogo de ações e eles tem de devolvê-lo, sem assinar, para que seja anônimo, dizendo qual penalização aplicariam em cada caso”, revelou. “Evidentemente, não serão eles a decidir as penas para cada caso, mas vejo isso como uma consulta muito interessante”, afirmou.
“Vamos utilizar isso, a opinião da FIM e dos comissários. Vamos criar uma espécie de jurisprudência, para que casos iguais sejam julgados igualmente”, julgou. “Os árbitros sempre podem errar, mas é preciso ter claro que a justiça é igual e neutra”, defendeu.
Outra mudança diz respeito ao prazo de aplicação das penas, que não serão arrastadas para a corrida seguinte.
“As sanções de cada corrida se cumprirão em cada corrida, de forma que não se arrastem para a seguinte”, declarou. “Os pontos de penalização seguirão existindo, mas não como até agora, e só os que tiveram um número determinado de pontos, acho que dez ou 12, receberão uma corrida de sanção. Dito de outro modo, quem for castigado com uma corrida de suspensão será aquele que cometer, no mínimo, quatro barbaridades”, indicou.
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