Aprilia toma holofotes na Indonésia com liderança do dia 1 de treinos da MotoGP

Habitual protagonista de 2023, a Ducati viu Francesco Bagnaia se enrolar com uma bandeira amarela e um erro na volta final e ficar fora do top-10 desta sexta-feira (13) em Mandalika. Melhor para a Aprilia, que fechou o dia com uma dobradinha liderada por Aleix Espargaró

O primeiro dia da MotoGP na Indonésia foi da Aprilia. A casa de Noale viu Aleix Espargaró estabelecer em 1min30s474 o novo recorde da pista de Mandalika, apenas 0s154 melhor do que Maverick Viñales, que fechou com o segundo tempo.

Os dois, porém, não foram os únicos a rodar mais rápido do que o registro de Jorge Martín no ano passado — a marca anterior tinha sido estabelecida pelo piloto da Pramac em 1min31s811. No total, foram 18 pilotos abaixo do registro prévio do traçado indonésio.

Aleix Espargaró liderou o primeiro dia da MotoGP em Mandalika (Foto: Divulgação/ MotoGP)

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‘Dono da bola’ no dia 1 na Indonésia, Aleix destacou que se divertiu na pista e se mostrou confiante para as corridas.

“O importante é que me diverti muito hoje”, disse Aleix. “Não só no tempo de ataque, [mas] depois de cair e conseguir fazer a volta rápida, porque vinha muito rápido, encontrei uma bandeira amarela e tive de repetir três ou quatro vezes, mas também em termos de ritmo com o pneu usado. Isso é positivo para a corrida. As Ducati melhoram muito de sexta para sábado, mas tomara que nós também possamos melhorar amanhã”, torceu.

Aleix explicou, ainda, a razão da boa performance da RS-GP da Aprilia em pistas com a mesma característica de Mandalika: falta de aderência.

“A moto tem um ritmo de curva muito bom e nós estamos limitados na aceleração e nas freadas fortes. Quando há muitíssima aderência, nos custa muito parar a moto em comparação com nossos rivais. Parece que eles têm uma moto mais baixa, mas quando você precisa de tração em altas velocidades, com curvas rápidas, a Aprilia é uma moto espetacular. Sempre foi”, elogiou.

“[E tem] o meu estilo de pilotagem. Sempre fui um piloto que se move muito em cima da moto, mas que, no centro da curva, vai muito rápido. Assim concebi a Aprilia e, desde que cheguei, sempre pilotei assim. Ela segue se comportando de uma maneira brutal em pistas assim”, frisou.

Por fim, o mais velho dos irmãos Espargaró evitou apontar adversários específicos para a corrida de Mandalika.

“Cada um é adversário de si mesmo. Preciso tentar melhorar para amanhã, analisar bem se posso melhorar em algumas curvas em relação a Maverick e aos pilotos da RNF e seguir crescendo”, ponderou.

Companheiro de Aleix, Viñales celebrou a posição “excelente”, mas se mostrou ainda mais satisfeito com o conjunto da obra.

Maverick Viñales fez 1-2 com Aleix na Indonésia (Foto: Divulgação/ MotoGP)

“Foi um dia extremamente positivo, mesmo além da posição final, que é, obviamente, excelente”, comentou Viñales. “E o tempo veio apesar de não ter conseguido fazer uma volta verdadeiramente limpa por causa das bandeiras amarelas”, avaliou.

“Trabalhamos bem e é extremamente satisfatório ver o quanto nós melhoramos desde o ano passado”, sublinhou. “Agora nós precisamos seguir trabalhando bem. Temos o TL2 amanhã para ter uma boa ideia de como a moto funciona e para fazer a escolha de pneus”, concluiu.

Fora a Aprilia, a sexta-feira em Mandalika se destacou pelo dia menos positivo da Ducati. A equipe oficial da casa de Borgo Panigale viu Enea Bastianini cair e ficar só em 20º, enquanto Francesco Bagnaia terá de passar pelo Q1 da classificação. O líder do campeonato deu azar com uma bandeira amarela e ainda errou na última volta, fechando os trabalhos apenas 16º, 1s161 atrás de Aleix.

Apesar do revés, o italiano saiu satisfeito, pois entende que conseguiu solucionar as dificuldades que vinha tendo na freada.

“Nunca tinha imaginado ficar fora do Q2, porque as sensações são muito boas. Finalmente voltei a me sentir muito bem na freada, na entrada das curvas, que era o que me faltava um pouco em relação a Martín”, comemorou. “Nos falta um pouco na eletrônica, porque a moto ficou um pouco nervosa. Por sorte, a parte eletrônica não é tão preocupante como o chassi, então estou mais tranquilo. Mas temos de resolver”, avisou.

Apesar de ter ficado fora do top-10 combinado, Bagnaia tem certeza de que poderá avançar para a fase final da classificação, além de se mostrar confiante para a corrida.

Francesco Bagnaia não garantiu lugar no top-10 (Foto: Ducati)

“Em termos de ritmo, fizemos todos os testes que podíamos fazer. Nesse sentido, acho que meu ritmo está muito em linha com os mais rápidos. Me falta um pouco em termos de desgaste de pneus, especialmente na dianteira”, apontou.

“A última vez que eu passei pelo Q1 foi em Jerez, porque eu era lento, mas ganhei a corrida. Desta vez, não fomos ao Q2 por outras circunstâncias, mas estou tranquilo. A serenidade é fundamental. Quando um problema está muito localizado, tenho certeza de que resolveremos”, assegurou.

Só três pontos atrás do #1 na briga pelo campeonato, Jorge Martín ficou em quinto, 0s4 mais lento do que o ponteiro. O titular da Pramac ainda tem dúvidas em relação à escolha de pneus, mas destacou que o acerto está quase perfeito.

“De manhã lutei um pouco mais, mas à tarde estava bem”, avaliou. “Esta é uma pista muito física, é preciso ter suavidade ao pilotar, e vamos trabalhar para ter uma moto mais fácil, mas o acerto já está quase perfeito”, finalizou.

Jorge previu, também, melhora na performance das Ducati com a evolução da pista, que vai ficando mais emborrachada com o passar das voltas.

“Amanhã, com o asfalto mais limpo, as Ducati vão melhorar. Não estamos tão longe quanto parece na classificação”, ponderou. “Só o Aleix está um grande passo à frente de todos, mas, comparado ao Viñales, me sinto mais rápido”, destacou.

“Ainda tenho dúvidas em relação ao pneu dianteiro, pois o macio tem uma queda grande depois de quatro ou cinco voltas. Vou testar outros, mas com o duro sou competitivo”, acrescentou.

O #89 comentou, também, a ausência de Bagnaia no top-10. Martín cutucou e avaliou que o #1 “talvez sinta a pressão”, mas avaliou que ele não terá dificuldades em avançar para a fase final da classificação.

Jorge Martín ficou satisfeito com o primeiro dia na Indonésia (Foto: Red Bull Content Pool)

“Estar no Q1 é um erro, pois ele terá um pneu a menos amanhã na classificação se passar para o Q2”, disse Martín. “Talvez ele sinta um pouco mais de pressão, mas, em termos de ritmo, ele não está mal. Vi os dados dele, não acho que estará fora do Q2 amanhã”, seguiu.

O fim de semana em Mandalika pode ser decisivo. Afinal, Martín tem já na corrida sprint a chance de assumir o comando da classificação.

“Se eu conseguir, esse é o objetivo, estamos muito próximos no campeonato, mas eu penso dia após dia. Hoje estou feliz”, declarou. “A escolha de pneus é um pouco complicada, mas me sinto confortável na moto”, apontou. “O importante era chegar no Q2 e eu me sinto forte para amanhã”, completou.

Um dos grandes destaques do dia foi Marco Bezzecchi. Operado no último domingo de uma fratura na clavícula direita, o italiano chegou a Mandalika apenas nesta manhã, mas foi aprovado no exame médico e não só completou os dois treinos do dia, mas também assegurou o terceiro melhor tempo, 0s170 mais lento que Aleix.

“Não foi uma semana fácil”, disse Bezzecchi. “Cheguei esta manhã e não me senti tão mal quando subi na moto. As últimas 24h foram as mais fáceis de todas. A dor está lá. Eu esperava que fosse doer um pouco mais, mas simplesmente porque me preparei para o pior”, contou.

“Me afeta especialmente a cada freada. De tarde, comecei pouco a pouco, incrementando o ritmo com o passar das voltas. Só corro riscos onde é necessário”, frisou.

O dia, contudo, não foi 100% limpo. Marco caiu no primeiro treino do dia, o que resultou em um inchaço do ombro.

Marco Bezzecchi foi bem apesar de lesão (Foto: Divulgação/ MotoGP)

“Amanhã será mais duro e, de tarde, eu terei de medir um pouco a minha força, tanto na cronometrada quanto na corrida sprint”, assumiu. “Para domingo, espero que a adrenalina e o espírito da corrida me ajudem. Hoje eu tomei analgésico, mas nada muito forte. Não gosto muito, mas vai depender da dor”, contou.

O #72 brincou, porém, que o champanhe do pódio é um “analgésico muito bom”. Ainda, o titular da VR46 explicou que queimou “a bunda tentando evitar tocar os braços no chão” na queda desta manhã.

Descontraído, Bez contou o processo pelo qual passou após a lesão sofrida em uma queda em um treino no Rancho Motor, em Tavullia, e admitiu que teve dificuldade em convencer a mãe que era uma boa ideia correr em Mandalika.

“Quando voltei para casa depois da cirurgia, estava morrendo. Achava que ia perder essa corrida e viajaria para Phillip Island. Na segunda, trabalhei com os meus fisioterapeutas e, na terça, levantei muitíssimo melhor”, relatou. “Eu me via melhor, me sentia melhor e movia muito mais os braços sem tanto esforço. Me testei na academia e tomei a decisão de noite. Não foi fácil convencer todo mundo, especialmente a minha mãe”, apontou.

“Valentino [Rossi], no início, era mais conservador do que eu, mas depois viu que era viável. Ele é piloto”, completou.

MotoGP volta a acelerar ainda nesta sexta-feira, para a classificação do GP da Indonésia, que acontece em Mandalika, a partir de 23h50 (de Brasília). O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como de Moto3 Moto2.

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