Stoner revela crises de ansiedade e conta: “Quanto melhor ia, mais queria morrer”
Australiano contou que foi diagnosticado apenas recentemente, mas revelou que lidou com crises ao longo de toda a carreira. Bicampeão da MotoGP se aposentou no fim de 2012
Casey Stoner revelou que lidou com crises de ansiedade ao longo de toda a carreira. O australiano explicou que foi diagnosticado apenas recentemente, mas considerou que, se tivesse conhecimento prévio do problema, poderia ter lidado com a situação de outra maneira.
Bicampeão da MotoGP, Stoner foi o único piloto a conquistar o título da MotoGP pela Ducati, em 2007, mas encerrou a carreira cedo, aos 27 anos, depois de duas temporadas ― e um título ― com a Honda.

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Falando ao podcast Gypsy Tales, Stoner revelou que, “quanto melhor era o meu fim de semana, mais eu queria morrer”.
“Foi só muito recentemente que fui diagnosticado com ansiedade, algo que realmente não sabia que existia”, disse Stoner. “Sendo sincero, achava que era apenas algo que as pessoas inventavam para dizer. Outra maneira de dizer que estava estressado. Todo mundo fica estressado”, ponderou.
“Até as minhas costas travam por causa da ansiedade. Entre as omoplatas. Agora posso sentir isso acontecendo, quando estou na situação e não é confortável”, relatou. “Teria sido mais fácil na minha carreira se eu soubesse disso e eu poderia ter lidado com a situação um pouco melhor. Peguei uma reputação ruim por ser meio fechado com as pessoas e a mídia, pois nunca fiquei muito confortável com isso. Multidões, nunca fiquei muito confortável. Todo esse lado disso”, explicou.
“E aí no dia da corrida… Por anos, literalmente, até provavelmente os últimos dois anos da minha carreira na MotoGP, quanto melhor o fim de semana que eu tinha, mais eu queria morrer”, declarou. “Eu ficava literalmente enrolado no chão do motorhome, me sentindo muito mal, com o estômago embrulhado. Eu não queria correr. Não podia me sentir pior e mais apreensivo”, seguiu.
O #27 relatou que se sentia pressionado pela cobrança de ter de vencer todo fim de semana.
“Eu sentia a pressão da equipe, de todos que tinham me ajudado, de todo o resto. Você tem uma equipe de 70 pessoas lá e, especialmente, quando você é o piloto número um e todo mundo espera que você vença a cada fim de semana, isso pesava em mim”, assumiu. “E eu só percebi isso depois de encerrar a minha carreira, pois costumava ter muita dificuldade com isso. Aí consegui meu próprio pequeno mantra que me ajudou nos últimos anos, que era: você só pode fazer o que pode fazer e não pode fazer mais do que isso”, completou.
Casey luta já há alguns anos contra a síndrome de fadiga crônica, que o afastou das pistas por três corridas em 2009 e foi decisiva na opção pela aposentadoria. O australiano não soube estabelecer uma ligação direta entre a condição e a ansiedade recém-diagnosticada, mas avaliou que a maneira como lidava com as crises tem reflexos no estado de saúde atual. O ex-piloto já afirmou que, às vezes, tem até dificuldade de sair do sofá.
“Acho que é um pouco parte da razão pela qual meu corpo não está lidando bem com isso agora. Não sabemos bem as causas ainda, então não posso sentar aqui e dizer que foi isso que aconteceu, mas tenho certeza que é uma grande parte do meu corpo estar ruindo”, ponderou. “Eu era muito bom em me desconectar de tudo. Não importa o quão ruim ou o quão nervoso ou o quão furioso eu estava, eu era muito bom em dizer a mim mesmo para engolir e seguir adiante”, concluiu.
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