Classe rainha do Mundial de Motovelocidade vê decisão do título na última etapa pela 17ª vez desde 1949

Assim como acontece neste fim de semana com Valentino Rossi e Jorge Lorenzo, o Mundial de Motovelocidade viu outras 16 temporadas da classe rainha terminarem com o campeão definido apenas na última etapa do ano

Os fãs do Mundial de Motovelocidade, definitivamente, não têm do que reclamar. A temporada 2015 do campeonato da FIM (Federação Internacional de Motociclismo) foi uma das melhores da história do certame, com direito a corridas memoráveis — como o GP da Austrália — e confusões igualmente inesquecíveis — como o barraco envolvendo Valentino Rossi, Marc Márquez e Jorge Lorenzo.
 
E como se as 17 provas disputadas até aqui não fossem o bastante para satisfazer o espectador, a decisão do título ficou para a etapa final, com Rossi e Lorenzo chegando à Comunidade Valenciana separados por apenas sete pontos.
 
Como tensão pouca é bobagem, o toque entre Rossi e Márquez na Malásia resultou em uma punição ao #46, que vai ter de largar na última colocação no circuito Ricardo Tormo. Apesar do revés, o sonho do décimo título não acabou, embora o próprio multicampeão reconheça que a coisa ficou um tanto difícil para o seu lado.
 
Nos 67 anos de história do Mundial, esta é apenas a 17ª vez que o título da divisão principal vai ser decidido na etapa final. E naquela que é a decisão mais apertada desde 1992.
Valentino Rossi e Jorge Lorenzo vão disputar o título de 2015 neste fim de semana(Foto: Yamaha)
A primeira vez em que a disputa pelo título chegou à etapa final foi em 1950. A bordo de uma Gilera de quatro cilindros, Umberto Masetti chegou ao circuito de Monza com uma pequena vantagem para Geoff Duke. Com uma Norton de um cilindro, Duke venceu a corrida, mas o segundo lugar foi o suficiente para que Masetti ficasse com o título por uma diferença de apenas um ponto.
 
Em 1952, Masetti repetiu a experiência, mas desta vez teve de disputar a taça com Les Graham, da MV Agusta, e Reg Armstrong. O campeão de 1949 venceu a prova de 48 voltas de Montjuïc, em Barcelona, mas Umberto conseguiu o título mais uma vez com um segundo lugar.
 
 Em 1957, Libero Liberati venceu a última corrida do ano, em Monza, para escrever seu nome na Torre dos Campeões derrotando Bob McIntyre. A história do piloto da Gilera, entretanto, poderia ter sido diferente.
 
Liberati perdeu uma vitória no GP da Bélgica por ter trocado de moto sem notificar os comissários. Após o fim da temporada, a sanção foi removida, o que significa que ele já chegou à Itália como campeão.
 
A prova final só voltou a ver uma decisão de título em 1966, com Mike Hailwood e Giacomo Agostini. A dupla travou um bom duelo no início da corrida em Monza, mas a Honda deixou o britânico na mão e permitiu que o piloto da casa completasse a etapa com tranquilidade para conquistar o primeiro de seus oito títulos nas 500cc.
 
No ano seguinte, Hailwood teve uma nova chance de enfrentar Agostini na etapa final, na primeira e única visita do Mundial ao Canadá. Mike venceu a corrida e empatou com Ago em número de pontos. A dupla também tinha o mesmo número de triunfos — cinco —, então Giacomo ficou com o título por ter um número maior de segundos lugares — três contra dois do britânico.
 
Em 1975, Agostini mais uma vez encarou a tensão da decisão na etapa final, desta vez num confronto com Phil Read, que tinha conquistado o título nos dois anos anteriores e exibia o #1 na MV Agusta. O ‘Príncipe da Velocidade’ venceu em Brno, mas Giacomo, que defendia as cores da Yamaha, recebeu a bandeirada em segundo para se tornar o primeiro piloto a conquistar o título da classe rainha em motos de dois e quatro tempos.
A cobertura completa do GP da Comunidade Valenciana no GRANDE PRÊMIO
Giacomo Agostini disputou o título na prova final três vezes, duas delas pela MV Agusta (Foto: MV Agusta)
Na temporada 1978, foi Kenny Roberts que teve de enfrentar os 22 km do antigo circuito de Nürburgring com oito pontos de vantagem para Barry Sheene. A bordo de uma Yamaha, ‘King Kenny’ recebeu a bandeirada na terceira colocação, logo à frente do rival da Suzuki, e se tornou o primeiro norte-americano campeão da classe rainha.
 
No ano seguinte, a disputa pelo título também foi até o limite, com Roberts defendendo sua coroa de Virginio Ferrari em Le Mans. O jovem italiano liderou o início da prova, mas caiu e entregou o título nas mãos de Kenny.
 
 Em 1980, Roberts mais uma vez teve de enfrentar um piloto da Suzuki na última corrida do ano. O rival da vez foi o também norte-americano Randy Mamola, que brigou pela coroa em Nürburgring, na última vez que a pista alemã foi usada no Mundial.
 
Embora Mamola tenha liderado o início da disputa, Roberts tinha uma situação confortável na corrida, já que precisava apenas de um oitavo lugar para renovar seu título. A coisa ficou ainda mais fácil após um problema mecânico na moto de Randy.
 
No ano seguinte, Mamola voltou a brigar na etapa final. O norte-americano chegou na pista sueca de Anderstrop atrás de Marco Lucchinelli na classificação e ficou fora da zona de pontuação em uma corrida realizada debaixo de uma chuva fina. Com o nono posto na corrida, o italiano ficou com o título de 81.
 
Em 1983, Freddie Spencer e Kenny Roberts chegaram ao circuito de Ímola separados por cinco pontos. Durante a corrida, King tentou segurar o ritmo do rival da Honda para permitir que seu companheiro de equipe, Eddie Lawson, se aproximasse e tentasse se enfiar entre os dois. ‘Fast Freddie’, entretanto, conseguiu cruzar a meta em segundo e foi o primeiro piloto da marca da asa dourada a conquistar o título das 500cc.
Nicky Hayden também foi campeão com um título decidido na última corrida (Foto: Repsol)
Na temporada 1989, a disputa mais uma vez foi para a etapa final e entre dois pilotos norte-americanos: Lawson e Rainey. O piloto da Yamaha terminou e segundo e ficou com o título, depois de uma corrida intensamente disputada com Wayne e Kevin Schwantz, também dos Estados Unidos. 
 
Mick Doohan e Wayne Rainey também decidiram o título na prova final em 1992. O australiano teve um belo início de temporada, mas sérias lesões sofridas em Assen o tiraram de combate e permitiram que o rival da Yamaha descontasse boa parte de seus 65 pontos de vantagem.
 
Mesmo longe de sua melhor forma, Doohan voltou para as duas etapas finais e quando o Mundial chegou em Kyalami, na África do Sul, para a última prova, os dois estavam separados por apenas dois pontos.
 
Apesar do esforço de Mick para completar a corrida na sexta colocação, Rainey conseguiu o terceiro lugar e o título.
 
 No ano seguinte, as 500cc viram sua última disputa até o fim da temporada, com Kevin Schwantz chegando a Jarama com 18 pontos de vantagem para Rainey. Na prática, porém, título tinha sido ganho duas etapas antes, na Itália, quando Wayne sofreu a queda que encerrou precocemente sua carreira.
 
13 anos mais tarde, em 2006, o Mundial voltou a ter um título definido em sua derradeira corrida. Valentino Rossi chegou ao circuito de Valência com oito pontos de vantagem para Nicky Hayden depois de conseguir se recuperar de uma temporada marcada por inúmeros problemas.
 
A prova no circuito Ricardo Tormo foi vencida por Troy Bayliss, que substituía o lesionado Sete Gibernau, com Loris Capirossi aparecendo no segundo posto. Hayden completou o pódio e virou o jogo para cima de Rossi, que caiu na quinta volta e recebeu a bandeirada em 13º. O hoje piloto da Aspar foi o último campeão da era das 990cc.
 
Sete anos depois, a MotoGP voltou a ter um campeão decidido na última corrida. Em sua temporada de estreia, Marc Márquez apareceu em Valência com 13 pontos de vantagem para Jorge Lorenzo. O piloto da Yamaha venceu a corrida, mas o terceiro lugar foi o suficiente para o piloto de Cervera se tornar o mais jovem campeão da história da classe rainha.

document.MAX_ct0 ='';
var m3_u = (location.protocol=='https:'?'https://cas.criteo.com/delivery/ajs.php?':'http://cas.criteo.com/delivery/ajs.php?');
var m3_r = Math.floor(Math.random()*99999999999);
document.write ("”);
//]]>–>

GOSTA DO CONTEÚDO DO GRANDE PRÊMIO?

Você que acompanha nosso trabalho sabe que temos uma equipe grande que produz conteúdo diário e pensa em inovações constantemente. Mesmo durante os tempos de pandemia, nossa preocupação era levar a você atrações novas. Foi assim que criamos uma série de programas em vídeo, ao vivo e inéditos, para se juntar a notícias em primeira-mão, reportagens especiais, seções exclusivas, análises e comentários de especialistas.

Nosso jornalismo sempre foi independente. E precisamos do seu apoio para seguirmos em frente e oferecer o que temos de melhor: nossa credibilidade e qualidade. Seja qual o valor, tenha certeza: é muito importante. Nós retribuímos com benefícios e experiências exclusivas.

Assim, faça parte do GP: você pode apoiar sendo assinante ou tornar-se membro da GPTV, nosso canal no YouTube