Coluna Wild Card, por Juliana Tesser: E o troféu arrogância 2013 vai para…

A temporada 2013 da MotoGP mal começou, mas Pol Espargaró já está merecendo seu primeiro troféu: o de piloto mais arrogante do ano

Pol Espargaró começou a temporada 2013 como favorito ao título da Moto2, mas as boas atuações apresentadas pelo piloto da Pons no ano passado ainda não deram as caras. Ao que parece, o espanhol pensou que sem Marc Márquez, o título seria um passeio no parque, mas ele não contava com a astúcia de Scott Redding – nem com o bom desempenho de Tito Rabat.
 
Após quatro etapas, Redding lidera o Mundial com 76 pontos, 24 a mais que Rabat, o segundo colocado. Espargaró aparece em quinto, 35 pontos atrás do líder.
 
O último fiasco do piloto da Pons aconteceu em Le Mans, durante o GP da França. Ainda nas primeiras voltas da corrida, Pol e Rabat decidiram apresentar a nova coreografia da equipe de Sito Pons para a próxima competição de nado sincronizado, e caíram, sozinhos e em sequência, na curva 7 do circuito. Com o acidente, os dois foram parar no fim de pelotão e não pontuaram.
Espargaró precisa encontrar seu caminho, mas sem menosprezar os rivais (Foto: Pons)
Depois do acidente, Espargaró deu seu primeiro chilique. “Quando Nakagami me passou, eu pretendia ir mais lento, deixar fluir. Mas Rabat me passou muito nervoso”, reclamou. “É preciso fazer as coisas com mais calma, refletir dentro do box e ficar mais tranquilo”, ponderou. 
 
Ao ser questionado sobre quem deveria refletir, Pol continuou: “Todos. Minha equipe técnica, eu mesmo como piloto, meu companheiro… As corridas não se ganham nas primeiras voltas. É preciso deixar fluir, ser tranquilo e conquistar o maior número de pontos, mesmo que não seja possível ganhar.”
 
Ok, concordo. Se não dá para ganhar, é preciso pontuar. Mas ficar reclamando por ter sido ultrapassado pelo companheiro de equipe é um pouquinho demais. É o começo da temporada, Espargaró não mostrou nada que o colocasse como número um absoluto do time e nós estamos falando na Moto2, um categoria hiper disputada. 
 
É bom frisar que Sito tinha dito um dia antes, em uma entrevista ao ‘As’, que não existe diferença entre seus pilotos.
 
“Isso não vai acontecer nunca. No fim, cada um faz o que pode com os mesmos meios e com a mesma atenção. A pista é quem decide”, assegurou. “Ganhar o Mundial será complicado, não devemos cometer erros. Todos temos de aprender que o Mundial é feito de muitas corridas.” 
 
Não satisfeito em reclamar de seu companheiro de equipe, Espargaró decidiu atacar Redding em uma entrevista para o ‘Mundo Deportivo’. Questionado se a diferença de 35 pontos é recuperável, Pol respondeu: “Sim, recuperar não é o que mais me preocupa. Marc sim me fez pensar no ano passado, quando tinha 15 pontos de vantagem, que era quase impossível recuperar. Redding é mais instável e por seu peso, corre menos nas retas longas, desgasta mais os pneus e quando faz calor, fica pior fisicamente. Tem muitos pontos fracos. Sabemos como recuperar, agora falta fazer.”
 
Desnecessário, querido, bem desnecessário. Tudo bem, é fato que Redding não é Márquez, mas vale ressaltar que Pol também não é. Marc está um passo à frente do resto da humanidade. 
 
Também é verdade que Redding tem um ‘problema de peso’. Com 1,84 m, Scott pesa 74 kg, portanto, 12 kg a mais que Espargaró e seu 1,72 m. Mas, Pol parece ter esquecido que foi introduzida nesta temporada uma regra que estabelece um peso mínimo para o conjunto piloto e moto. 
 
O novo regulamento não tira toda a desvantagem de Scott, já que ele é um dos maiores pilotos da categoria, mas reduz bastante a vantagem de pilotos mais leves, como Pol e Rabat, por exemplo. 
 
Outro ponto que merece destaque é a evolução de Redding. O piloto da Marc VDS iniciou 2013 mostrando um desempenho melhor, mais seguro, menos impetuoso. Em outras palavras, usando mais a cabeça. 
 
O piloto da Marc VDS lidera o Mundial com 24 pontos de vantagem para Tito Rabat, o segundo colocado. Claro, não é uma diferença que lhe garanta o título já, mas o coloca em uma boa posição para lutar por ele. Vai precisar trabalhar muito, óbvio, mas não é justo minimizar o feito de Scott ou creditar sua liderança ao acaso. 
 
Pol não é exatamente um piloto arrogante. Ao contrário. No ano passado, depois de toda a polêmica com Márquez, Espargaró deu provas de sua maturidade com declarações para lá de elegantes em relação ao seu rival. Desta vez, entretanto, o espanhol perdeu a linha. 
 
E é fácil entender o motivo. Pol perdeu o foco. Nos últimos dias surgiram inúmeros rumores sobre a negociação do piloto com a Yamaha. O espanhol está a um passo da MotoGP, mas precisa se lembrar de que ainda não fez seu trabalho na Moto2. Ainda dá tempo de recuperar, mas menosprezar os rivais não é o melhor caminho para isso. 

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