Coluna Wild Card, por Juliana Tesser: Menino de ouro

Não é exatamente uma surpresa, mas Marc Márquez chegou a MotoGP mostrando de cara que vai dar trabalho. Além de vencer pouco depois da estreia, o jovem espanhol chegou detonando recordes e mostrando que pode mudar todos os registros do Mundial de Motovelocidade

Talvez seja cedo para dizer que a MotoGP tem um novo rei – afinal de contas, Valentino Rossi segue competindo –, mas, para manter as coisas em tom de realeza, é possível dizer que o Mundial de Motovelocidade já tem seu príncipe. 
 
Não é exatamente uma surpresa, mas Marc Márquez já chegou na categoria rainha mostrando a que veio. Em sua prova de estreia, o piloto de 20 anos foi ao pódio, encerrando a corrida à frente de Dani Pedrosa, seu experiente companheiro de Honda. Na prova seguinte, mas uma vez o piloto de Barcelona foi superado, desta vez por um estreante dominante e vencedor.
Márquez divide a pista com seus ídolos e se ocupa em aprender com eles (Foto: Repsol)
Claro que quem viu Márquez correr na Moto2 e até mesmo nas 125cc, não esperava nada muito diferente, mas sempre surpreende ver alguém se adaptando tão rápido e evoluindo na velocidade da luz. Marc chegou chutando a porta e estabelecendo novos parâmetros. 
 
Apesar de estreante, a palavra ‘novato’ não se encaixa bem ao piloto de Cervera. É difícil classificar como novato alguém que parece tão adaptado, tão em casa como Marc. 
 
Em uma recente entrevista, Shuhei Nakamoto, vice-presidente da HRC, afirmou que não espera ver Márquez lutando pelo título em seu ano de estreia, mas não acho nenhum absurdo pensar que ele o fará. Por mais que ele trate de manter as expectativas baixas, o jovem piloto está em busca do título. Como todos os outros estão. Alguns não têm chances reais de lutar por isso, mas como sonhar ainda é de graça, acontece com todos. 
 
Marc, entretanto, tem as duas coisas necessárias para lutar pela coroa: talento e equipamento. Habilidoso como é e com uma RC213V nas mãos, vai ser difícil parar o piloto.
 
Além disso, Márquez tem atuado como uma verdadeira esponja. Andando atrás de seus rivais e ídolos, o piloto aprende um pouco com cada um deles e em um grid com os melhores do mundo, professores é o que não falta.
 
Eu seus primeiros meses da MotoGP, Marc já deixou para trás alguns recordes, como o de pole e vencedor mais jovem da classe rainha, e ainda tem dezenas de outras marcas para derrubar. E ele, provavelmente, fará exatamente isso. 
 
O pior desta história parece mesmo ter ficado para Dani Pedrosa. Não que ele seja um piloto ruim, porque ele não é, mas ele precisa reagir. E logo.
 
Dani já teve outro companheiro forte, claro. Ele dividiu os boxes da Honda com Casey Stoner por duas temporadas, mas o que se viu foi um piloto apagado. Pedrosa ganhou vida no ano passado quando viu o australiano longe e deu um show. Lutou pelo título com Jorge Lorenzo com todas suas armas e realmente merecia a conquista, mas aquele Dani precisa voltar.
 
Se ele der espaço, Márquez vai aproveitar. Não porque é sacana ou qualquer coisa do gênero, mas simplesmente porque ele vai melhorar a cada corrida. De todos os pilotos do Mundial, são os estreantes quem tem mais margem de melhora. 
 
Além disso, Marc tem outra vantagem em relação a Pedrosa: carisma. Isso pode não ser exatamente um ponto de auxílio na hora da corrida, mas pode ajudar muito em todo o resto. Márquez chegou como o menino de ouro do motociclismo e vai ser bem difícil arrumar alguém para atrapalhar esse caminho dourado. 
Márquez detona recordes e garante lugar na história da MotoGP
As imagens da carreira de Marc Márquez

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