Com muita chuva, novos pneus e eletrônica padrão, MotoGP vive ano de recordes com revezamento de vencedores

A temporada 2016 da MotoGP mostrou que a Dorna e a FIM (Federação Internacional de Motociclismo) acertaram ao insistirem na mudança para uma eletrônica padronizada. Além das novas regras, a chegada da Michelin também resultou em uma temporada de recordes e vencedores variados

A MotoGP vive uma grande fase. Embora o campeão tenha sido definido de forma antecipada, com Marc Márquez garantindo o título de 2016 ainda no GP do Japão, o Mundial teve uma temporada para ninguém botar defeito, com nove vencedores diferentes ao longo das 18 corridas do ano. 
 
A bandeirada inicial foi dada com o Mundial ainda curando as feridas de toda a polêmica entre Valentino Rossi e Marc Márquez, mas com a MotoGP repleta de novidades. Fornecedora única desde 2009, a Bridgestone deixou o certame e deu lugar à Michelin, que tinha deixado a categoria ao fim da guerra de pneus. Além da mudança de calçados, a classe rainha também teve sua eletrônica padronizada, uma medida que tinha por objetivo reduzir os custos e aumentar a competitividade.
Marc Márquez faturou o quinto título no Mundial de Motovelocidade em 2016 (Foto: Divulgação/MotoGP)
E a aposta de Dorna, promotora do Mundial de Motovelocidade, e FIM (Federação Internacional de Motociclismo) deu certo. Neste ano, foram duas equipes privadas no topo do pódio: Marc VDS e LCR. A primeira com Jack Miller na Holanda e a segunda com Cal Crutchlow, que venceu na República Tcheca e na Austrália, no molhado e no seco.

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Além dos dois ex-companheiros de equipe, Jorge Lorenzo, Valentino Rossi, Marc Márquez, Dani Pedrosa, Maverick Viñales, Andrea Iannone e Andrea Dovizioso foram os outros vencedores do ano, uma marca que nunca tinha sido atingida no Mundial.
 
Campeão de Construtores e Equipes em 2015, a Yamaha abriu o ano como favorita e amparada naquela que era vista como a melhor moto do grid, fez justamente o que se esperava dela: venceu cinco das seis primeiras corridas da temporada, com exceção do GP das Américas, território ainda dominado completamente por Márquez.
 
Apesar das muitas vitórias, faltou consistência para o time de Iwata. Ao fim do primeiro terço da temporada, era Márquez quem liderava o Mundial. Presente em quase todos os pódios, exceto no GP da França, o #93 tinha 125 pontos, dez a mais que Lorenzo e 22 a mais que Rossi.
 
A partir do GP da Holanda, no entanto, as coisas mudaram no Mundial. Especialmente do lado climático. Em Assen, a prova teve de ser paralisada por conta do acúmulo de água na pista. No reinicio da disputa, Valentino e Dovizioso vinham como favoritos à vitória, mas acabaram sucumbindo às condições. Márquez, então, assumiu a ponta, mas passou a ser pressionado por Miller. Em uma versão muito mais consciente do que aquela demonstrada nos três anos anteriores, evitou o duelo e assistiu ao primeiro triunfo de um time satélite deste a vitória de Toní Elías no Estoril em 2006.
 
Na etapa seguinte, na Alemanha, o trabalho de equipe ganhou destaque. A Honda chefiada por Santi Hernández colocou Marc em condições perfeitas para encarar o fim de uma prova também tumultuada pela chuva, garantindo ao #93 seu sétimo triunfo consecutivo em Sachsenring — contando desde as 125cc, em 2010. A teimosia de Rossi, que não seguiu as orientações da esquadra comandada por Silvano Galbusera, e a performance apagada de Lorenzo na água ajudaram Márquez a se afastar mais na liderança.
Valentino Rossi ficou com o vice da MotoGP em 2016 (Foto: Yamaha)
Na chegada a Áustria, o revezamento de vencedores seguiu, com Iannone encerrando a seca da Ducati. Cumprindo as previsões, a casa de Bolonha se deu bem com o Red Bull Ring e ainda saiu de lá com uma dobradinha.
 

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O imprevisível voltou a acontecer na República Tcheca, quando a chuva mais uma vez se fez presente. Apoiado em uma estratégia certeira de pneus, Crutchlow fez uma exibição de gala e conquistou a primeira vitória da carreira, à frente de um também brilhante Rossi. Lorenzo, por outro lado, teve um domingo para esquecer em Brno.
 
Quando as coisas pareciam que entrariam nos eixos, o Mundial desembarcou na Grã-Bretanha, onde a Suzuki teve sua chance de brilhar. Depois de exibir bom ritmo nos treinos, Viñales disparou na ponta depois de superar Rossi e Crutchlow em uma corrida reiniciada após um forte acidente com Pol Espargaró e Loris Baz e não deu chances a ninguém. Em Silverstone, Márquez até errou, mas conseguiu minimizar os danos. 
 
Depois de sete vencedores diferentes em uma sequência de sete corridas, o precoce bicampeão da MotoGP seguia na ponta da tabela, agora com 50 pontos de vantagem para Rossi, que vinha 14 à frente de Lorenzo.
 
Mais ainda restava tempo para um oitavo vencedor. E foi aí que Dani Pedrosa ressurgiu das cinzas em San Marino. Vivendo um ano dificílimo, o pior da carreira, o espanhol encontrou a velha forma nas colinas de Emilia-Romagna, escalou o pelotão e bateu Rossi para conquistar seu único triunfo no ano.
 
Em Aragão, Márquez quebrou o revezamento e voltou ao topo do pódio, superando um erro e batendo Rossi. Com 52 pontos de margem no topo da tabela, Marc foi para o Japão com o primeiro match-point, mas ninguém esperava pelo tricampeonato na terra do sol nascente, já que a matemática era um tanto complicada.
Jorge Lorenzo mostrou uma performance para lá de apagada na chuva (Foto: Yamaha)
 

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Em Sepang, Rossi enfrentou as Ducati, mas acabou perdendo para Dovizioso, que fechou a conta de nove vencedores em 2016, uma marca inédita em toda a história do Mundial. A temporada terminou em Valência com uma performance dominante de Lorenzo em sua despedida da Yamaha.
 
Em um ano marcado por muitos erros, uma dolorosa quebra de motor em Mugello e também uma maior velocidade que em 2015, Rossi acabou com o vice-campeonato, com Lorenzo fechando o ano em terceiro, mostrando uma clara deficiência em pista molhada. Viñales brilhou com uma Suzuki bastante mais forte e ficou em quarto, à frente de Dovizioso, que fechou o ano mais forte depois de um início de Mundial azarado.
 
Pedrosa fez um ano ruim e ficou em sexto, seguido por Crutchlow e Pol Espargaró. Iannone perdeu algumas corridas por conta de lesão e acabou em nono, como Héctor Barberá completando o top-10.
 
A temporada 2016 ainda teve como destaque a estreia de Alex Lowes na MotoGP. Irmão gêmeo de Sam, o britânico correu pela Tech3 substituindo o lesionado Bradley Smith e pontuou logo na primeira prova que disputou — o GP da Grã-Bretanha. O #22 caiu em San Marino e acabou não correndo em Aragão por conta de uma lesão leve, mas que o forçou a se poupar para priorizar o Mundial de Superbike, onde é titular da Yamaha.
 
2016 também teve a volta de Nicky Hayden, que disputou duas etapas. Primeiro, o norte-americano correu pela Marc VDS, assumindo a vaga do lesionado Jack Miller. Depois, o #69 colocou o uniforme laranja da HRC dez anos após a conquista do título mundial para substituir Pedrosa em Phillip Island.

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