Com promessa de disputa até última prova, MotoGP traz novidades em temporada de quatro grandes astros

Com Dani Pedrosa, Jorge Lorenzo, Marc Márquez e Valentino Rossi na lista de favoritos ao título, MotoGP abre 2013 com poucas novidades no regulamento técnico, mas com formato de treino classificatório alterado

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2013 começa neste fim de semana para a MotoGP. Quatro meses e 23 dias se passaram desde a vitória de Dani Pedrosa no GP de Valência, e agora as equipes acertam os últimos detalhes antes de acionarem os motores dos protótipos 1000cc para o primeiro treino livre da temporada, marcado para a próxima quinta-feira (4), no circuito de Losail, no Catar.
 
Construído em 2004, o traçado recebe a prova de abertura da temporada ininterruptamente desde 2007, mas foi só no ano seguinte, após os árabes desembolsarem uma fortuna de cerca de R$ 51,8 milhões, que a prova passou a ser realizada a noite.
 
Sob os holofotes catarianos, a classe rainha inicia um Mundial cercado de expectativas, e que promete ser um dos melhores e mais disputados dos últimos anos. Para 2013, a MotoGP conta com uma ligeira mudança em seu formato, mas o brilho fica por conta de suas estrelas, principalmente aquelas sentadas nas motos de número 26, 46, 93 e 99.
Rossi volta à Yamaha após dois anos com a Ducati (Foto: MotoGP)
Se nas últimas temporadas – com exceção de 2012 – os fãs tiveram motivos para reclamar da previsibilidade do Mundial, este ano se apresenta como uma caixinha de surpresa, com os quatros melhores pilotos do grid alinhando as quatro melhores motos da competição.
 
Tal qual o ‘Quarteto Fantástico’ de Stan Lee, os quatro super-heróis do grid possuem poderes diferentes. Dani Pedrosa, por exemplo, adquiriu uma nova virtude na temporada passada, se tornando um verdadeiro mestre na disputa corpo a corpo. Jorge Lorenzo, por sua vez, tem a consistência como sua maior habilidade. O ímpeto e o destemor típico da idade são traços de Marc Márquez, o menino de ouro do motociclismo espanhol. Por último, mas não menos importante, está Valentino Rossi que, apesar dos 34 anos, segue sendo o mesmo animal faminto de sempre. 
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Com esses quatro habilidosos pilotos e poucos outros com boas chances de atrapalhar a festa das equipes oficiais de Honda e Yamaha, a expectativa é que a disputa pelo título se arraste pelas 18 etapas do calendário. Após o Catar, os 24 competidores voltam a se encontrar no estreante circuito de Austin, que se tornou a terceira parada da MotoGP em solo norte-americano, que já recebia o GP dos Estados Unidos, em Laguna Seca, e o GP de Indianápolis. 
 
Depois do Texas, o Mundial segue por Jerez de la Frontera, Le Mans, Mugello e Catalunha. Assen aparece na sequência, acompanhado por Sachsenring. Depois de um novo giro pela terra de Barack Obama, as motos desembarcam em Brno, Silverstone, Misano e Aragón, e partem rumo à perna asiática da disputa, com Sepang, Phillip Island e Motegi recebendo as três classes do Mundial. Mais uma vez, cabe à Valência ser o palco da última prova do ano.
 
Dois fatos se destacam neste calendário elaborado pela FIM (Federação Internacional de Motociclismo) e pela Dorna, a empresa que promove o Mundial: a ausência das etapas do Estoril e de Las Termos do Río Hondo. 
 
O GP de Portugal saiu do calendário por conta dos sérios problemas econômicos enfrentados pelos países europeus. Com quatro provas na Espanha, a disputa no país vizinho se tornava um problema, já que as provas competem entre si pelo público.
 
O caso Argentino é um pouco diferente. Depois da decisão do governo de Christina Kirchner de nacionalizar a petrolífera YPF, filial da gigante Repsol, o governo da Espanha, ao ser procurado pela Dorna, afirmou que não era seguro que os espanhóis viajassem à Argentina. Essa recomendação só foi retirada no fim de novembro passado, quando já era tarde demais para mudar o calendário. 
 
A prova, entretanto, deve acontecer no ano que vem, com o circuito localizado em Santiago del Estero recebendo uma bateria de testes oficiais ainda nesta temporada. De acordo com fontes do circuito, as datas devem ser confirmadas em breve, mas a expectativa é de que aconteçam perto das provas em Indianápolis e Laguna Seca. 
 
No que diz respeito aos regulamentos técnico e esportivo, foram registradas algumas mudanças. Assim como acontece na Moto3 e na Moto2, as rodas de carbono estão proibidas a partir de agora. Para evitar problemas como o que aconteceu no GP de San Marino do ano passado, quando o procedimento de largada ficou todo atrapalhado após uma falha na moto de Karel Abraham, algumas modificações foram feitas:
 
– Os aquecedores de pneus devem ser retirados imediatamente após a sinalização de um minuto para a largada;
 
– Uma bandeira vermelha não será exibida na frente do grid ao final da volta de instalação;
 
– A abertura do pit-lane será sinalizada com uma luz e uma bandeira verde.
 
Além disso, também vale para a MotoGP a regra que visa combater a indisciplina dos pilotos. Similar ao Código Brasileiro de Trânsito, a categoria introduziu um novo sistema de punição por pontos, no qual os competidores receberão uma pontuação que varia entre um e dez por suas infrações. 
2013 é a melhor – e pode ser a última – chance de Pedrosa para conquistar o título (Foto: Honda)
O piloto que somar quatro pontos, terá de largar da última posição do grid. Quem chegar a sete, vai iniciar a prova partindo do pit-lane. O competidor que atingir a pontuação máxima, será desclassificado da próxima corrida. 
 
A modificação mais significativa, entretanto, diz respeito ao formato do treino classificatório. Em uma tentativa de tornar a sessão mais atrativa para o público, sai de cena o antigo treino de uma hora, que dá lugar a um formato que mistura o que já é feito no Mundial de Superbike e na F1. 
 
Começando em 2013, o resultado combinado das três primeiras sessões livres vai dividir os pilotos em dois grupos: os dez mais rápidos, que passam direto para o Q2; e o restante que disputa o Q1, com os dois melhores ganhando uma nova chance e voltando para brigar entre os 12 mais rápidos. 
 
Para compensar o tempo de treino perdido em relação ao que era feito no ano passado, os pilotos ganham uma quarta sessão de treinos livres, que terá meia hora de duração, mas cujos tempos registrados não valem para a definição do grid de largada.
 
Os favoritos
 
Parece óbvio – e é – que o título de 2013 da MotoGP ficará entre as equipes de fábrica de Honda e Yamaha. Nos testes da pré-temporada foi possível verificar alguma evolução na Ducati, que agora conta com uma maior centralização de massa e outros evoluções menores, mas a fábrica de Borgo Panigale ainda precisará de mais tempo para recuperar o terreno que perdeu ao longo dos últimos anos. 
 
Entre as duas principais equipes, a companhia fundada em Hamamatsu manteve sua tradicional superioridade em relação ao motor da rival nipônica, mas a casa de Iwata conta com um protótipo mais fácil de guiar e um ótimo chassi. 
 
Desta forma, Pedrosa, Lorenzo, Rossi e Márquez são os candidatos a terem seu nome introduzido na taça que reúne todos os campeões da MotoGP no fim desta temporada. Mesmo juntos nesse barco, cada um deles vive um momento profissional diferente.
Campeão vigente, Lorenzo tem como ponto forte seus poucos erros durante a temporada (Foto: Yamaha)
O espanhol da moto 26, por exemplo, terá em 2013 aquela que pode ser sua melhor – e última – chance de assegurar seu primeiro título da classe rainha. Dani vive o melhor momento de sua carreira, tanto no aspecto físico como no psicológico. 
 
Longe das lesões que afetaram boa parte de sua carreira, Pedrosa evoluiu a olhos vistos na última temporada, se tornando um piloto muito mais completo. O titular da Honda melhorou seu desempenho no asfalto molhado e, acima tudo, melhorou incrivelmente na disputa corpo a corpo. 
 
Entre os quatro principais pilotos, é também o mais habilidoso em largadas. Contra Pedrosa, entretanto, está a pressão. Depois do desempenho apresentado no ano passado, todos esperam que ele, enfim, conquiste o Mundial.
 
Além da pressão por seu próprio resultado – já que se trata de um piloto com uma longa história em um time de fábrica sem nunca ter vencido o Mundial –, o ‘fator Márquez’ pode ser determinante. Talentoso, o jovem espanhol é de sobra e, portanto, é apenas uma questão de tempo até que ele deixe sua marca na categoria. O crescimento do novato pode delimitar o futuro de Pedrosa. 
 
Ao contrário do companheiro, Marc vai alinhar no Catar completamente livre da pressão. Apesar de tudo que já mostrou nas categorias de base e de seu inegável talento, a expectativa é de que o novato faça boas provas, tenha boas disputas, mas, se não assegurar o título em sua primeira tentativa, não fechará o ano como um derrotado. 
 
O piloto de 20 anos ainda tem muita margem para melhora e aprende rápido. Seu perfil de nunca se dar por vencido deve ajudá-lo, mas ele também precisa ser cauteloso, especialmente neste início, para evitar acidentes e lesões, que podem ser muito mais graves neste nível. 
 
Assim como Pedrosa, Marc tem um equipamento muitíssimo afiado, gosta e é muito bom em duelos por posição. Contra ele está a inexperiência com o protótipo 1000cc. Apesar de já ter percorrido todos os circuitos do Mundial – exceto Laguna Seca – Márquez terá um mundo novo pela frente, já que o comportamento da moto é bastante distinto das 600cc com que ele estava acostumado. O jovem precisa trabalhar para ser consistente, o que hoje é um fator determinante na MotoGP. 
 
Do lado da Yamaha as coisas também são interessantes. Consistência foi a palavra de ordem para Lorenzo em 2012. O agora bicampeão teve como pior resultado nas provas que completou no ano passado o segundo lugar.
 
Além da impressionante regularidade, Jorge raramente erra. Também, piloto de Palma de Mallorca não tem o que perder. Como ele mesmo diz, já conquistou tudo o que sonhava e o que vier a partir de agora só vai deixá-lo no lucro. 
 
Entre as habilidades de Lorenzo, é possível citar a consciência do espanhol de suas reais possibilidades. Ele não se desespera em busca de vitórias que não pode conseguir e busca sempre o melhor dentro de suas possibilidades. Depois de muitas quedas na classe rainha, Jorge conhece seus limites e sabe trabalhar com eles muito bem.
Estreia de Márquez será um dos atrativos da temporada de 2013 (Foto: Repsol)
Se é verdade que a chegada de Rossi pode modificar a dinâmica na Yamaha, não é menos verdade a habilidade do italiano em melhorar a moto. Valentino estava lá quando as bases desta M1 foram criadas e ele conhece essa moto como poucos. Certamente, será uma ajuda inestimável na evolução do protótipo. 
 
O ponto fraco para o espanhol, entretanto, é o atual momento da Yamaha. A M1 está um pouco atrás do desempenho da Honda, o que deve dificultar as coisas na pista.
 
No caso de Valentino, a idade deve ser seu maior problema. Desde que anunciou seu retorno à fábrica onde viveu o período mais vitorioso de sua carreira, Rossi adotou o discurso cauteloso, mas, como diz o ditado, quem é rei, nunca perde a majestade. 
 
Rossi é apaixonado pelas corridas, pelo mundo da MotoGP e está desesperado para vencer. O italiano precisa disso. O piloto sabe que não tem nada mais a provar, mas quer triunfar por si mesmo. Voltar a se sentir um campeão é a sua maior motivação. 
 
Mais importante do que sua condição física, é sua condição emocional. Valentino voltou para os braços da M1, seu grande amor, e isso, por si só, serve como uma injeção extra de ânimo. Além disso, Rossi e seu time – em especial Jeremy Burgess – são apaixonados por estratégias de guerra e ninguém ficaria incrédulo se constatar que ele andou se guardando na pré-temporada.
 
O maior problema para o piloto de Pesaro, entretanto, está na idade de seus rivais. Não por eles serem mais novos, mas por terem sido seus discípulos. Rossi ensinou muito a seus adversários, e isso certamente pesará contra ele em 2013. 
 
Os coadjuvantes
 
Dos outros 20 pilotos do grid, são poucos os que podem atrapalhar as coisas para Rossi, Márquez, Lorenzo e Pedrosa. Os mais cotados para disputar uma das três posições do pódio são Cal Crutchlow, que liderou os testes em Jerez, Stefan Bradl e Álvaro Bautista, isso sem descartar os pilotos com equipamento Ducati: Nicky Hayden, Andrea Dovizioso, Andrea Iannone e Ben Spies.
 
No caso de Crutchlow, o piloto conta com uma Yamaha satélite, mas reclamou bastante ao longo da pré-temporada, dizendo que a moto está muito defasada em relação aos protótipos de fábrica. O germânico da LCR, por sua vez, tem agora o apoio da HRC, o que o coloca em uma posição mais favorável, principalmente em relação a Bautista, o outro piloto com uma RC213V satélite. 
Crutchlow mostrou um bom desempenho no último teste em Jerez (Foto: Getty Images)
O caso do espanhol, aliás, conta com uma particularidade. Ao contrário dos demais pilotos, Álvaro conta com suspensão Showa, o que não tem se mostrado uma vantagem para ele. Outra coisa que não vai ajudar neste início de ano são as lesões que ele sofreu nos dedos na última bateria de testes em Jerez. 
 
Nos boxes da Ducati, as coisas seguem bem complicadas. É bem verdade que a equipe mostrou certa evolução na pré-temporada, mas é muito cedo para classificar isso como um sinal positivo. Nicky tem experiência com a Desmosedici, mas isso não parece ajudar. 
 
Dovizioso é um bom piloto e habilidoso para lidar com o desenvolvimento e o acerto da moto, mas o problema da Ducati vai muito além disso. O problema da moto vermelha não está em seu acerto, mas em sua concepção, algo que a marca não parece estar disposta a mudar, nem mesmo com a chegada da Audi.
 
A contratação de Spies e Iannone foi positiva, principalmente no caso do italiano. Inexperiente, é mais fácil para ele se adaptar a uma moto com um comportamento completamente diferente, uma vez que ele nunca guiou um dos avançados e perfeitos protótipos nipônicos. 
Mesmo mais próximas, as CRT seguem muito distantes dos protótipos (Foto: Mirco Lazzari/ Forward)
Spies, por conta de seu estilo de pilotagem peculiar, também pode se encaixar bem na moto, mas a lesão no ombro do norte-americano ainda atrapalha. Ben está longe de sua melhor forma e, ao que parece, precisará de um pouco mais de tempo. 
 
Do lado das CRT, a performance melhorou sensivelmente e nova centralina disponibilizada deve ajudar a reduzir a diferença, assim como a nova alocação dos pneus Bridgestone, mas não há nenhuma chance real de que elas possam fazer frente aos protótipos. 

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