Do tombo assustador à vitória na última curva: Márquez vai ‘in natura’ à Tailândia

Mesmo com a ‘bola do jogo’, Marc Márquez encarou o GP da Tailândia do seu jeitinho de sempre: forte da hora do tombo e valente no combate. Com hexa garantido, o #93 já tem novo alvo: a tríplice coroa


Marc Márquez foi Marc Márquez no fim de semana do GP da Tailândia. Mesmo com a ‘bola do jogo’ para fechar o sexto título na MotoGP ― e o oitavo no Mundial de Motovelocidade ―, o #93 se manteve fiel à mentalidade que o levou até este ponto da temporada 2019.
 
Aquele Márquez impetuoso da temporada de estreia já não existe mais ― ou, pelo menos, está mais domado, escondido em algum canto da armadura do agora hexacampeão ―, mas o piloto da Honda não perdeu características como valentia e fome de vitória.
 
O fim de semana em Buriram começou com um tremendo susto, com um fortíssimo tombo que levou o #93 ao hospital para exames mais detalhados. Apesar de dolorido, Marc não teve sua performance abalada e brigou firme pela pole, que acabou nas mãos de Fabio Quartararo.
A briga de Quartararo e Márquez (Foto: SIC)

No momento da largada, Márquez logo se posicionou na briga pela primeira posição. E ele não precisava vencer em Buriram. Com Andrea Dovizioso numa corrida burocrática pela quarta colocação, o #93 não precisava de muito esforço, já que sairia de Chang com a taça se somasse apenas dois pontos mais do que o #4.
 
Mas o Marc que a gente conhece ― e ama ― não é o Marc do mínimo esforço, não é? Fiel ao seu jeitinho faminto de ser, o piloto de Cervera não teve piedade do novato Quartararo e pressionou o francês por todas as voltas da corrida.
 
Praticamente num replay do GP de San Marino, o ataque decisivo veio na volta final. Fabio ainda tentou dar o troco na última curva, mas acabou deixando a porta aberta para Marc receber a bandeirada na ponta.
 
É, ele podia ter optado pelo caminho mais simples. Mas Márquez não ia sair campeão da Tailândia sem levar mais um troféu de vencedor para casa.
 
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“Teve um momento na corrida em que eu estava 0s7, 0s8, perto de 1s atrás dele, em que eu pensei: ‘ok, se ele não diminuir, vai ser impossível’. Mas aí foi quando eu fiz a minha volta mais rápida”, disse Márquez. “Quando eu pensei ‘ok, desistir ou tentar?’, decidi: ‘Vou forçar ao máximo por duas voltas e, se passar por essas voltas, estarei pronto para vencer a corrida’. E foi o que eu fiz”, seguiu. 
 
“Eu forcei por duas voltas, fiz a volta mais rápida ali e aí pensei: ‘Ok, é hora de relaxar, de esfriar um pouco, pois eu estava no limite com a dianteira’”, relatou. 
 
Depois do segundo confronto direto, Márquez não poupou elogiou ao titular da SIC e considerou que a atuação de Fabio tem semelhanças à de Jorge Lorenzo em seu melhor na Yamaha. 
 
“Fabio está pilotando a Yamaha de uma maneira muito boa. Tenho algumas memórias do passado e é um estilo de pilotagem similar ao de Jorge quando ele estava no melhor nível na Yamaha”, comentou. “Ele está pilotando a Yamaha, usando toda a pista. Ele controlou bem a corrida. Hoje ele foi muito, muito, muito rápido em toda a corrida, mas, claro, nós temos alguns pontos fortes, que é motor, no momento, mas eles têm outros pontos fortes, que é a aderência na traseira. Nas curvas 3 e 4, era impossível com a nossa moto segui-los. Ele está melhorando muito e será uma dos principais candidatos para o próximo ano”, avisou.
 
Colado no pódio desde o início do campeonato ― com exceção do GP das Américas ―, Márquez avaliou que 2019 foi seu melhor ano na MotoGP, ainda que o roteiro de 2014 seja mais chamativo. 
 
“Esta é a minha melhor temporada na MotoGP, porque 2014, ok, 13 corridas em sequência, mas, honestamente, lá era um pouco diferente em termos de nível das fábricas, nível de motos. Agora nós estamos em uma categoria muito competitiva, com quatro fábricas diferentes que podem lutar pela vitória em uma corrida”, lembrou. “Mas, é, nós fomos muito consistentes, especialmente, nós focamos muito em nossos pontos fracos, cobrimos esses pontos fortes e sobrevivemos de uma maneira muito boa nas corridas difíceis”, apontou. 
 
“Agora é hora de curtir, claro, mas é fácil dizer, pois, se você olha para a vantagem, você vai dizer que foi um ano fácil, mas, acredite, controlar a pressão, controlar o fato de que todo mundo está acordando, todo mundo está buscando uma maneira da te vencer, não é fácil”, comentou. “Mas, fora isso, quero agradecer toda a minha equipe, pois, para um piloto, é fácil manter a ambição, mas, para um time de muitas pessoas, não é fácil manter a mesma mentalidade em todos os mecânicos, manter a mesma concentração, então eles foram capazes de fazer isso e isso é uma das coisas mais importantes”, comentou.

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Questionado se pensou no início do ano que teria uma temporada como esta, Márquez respondeu: “Honestamente, em relação à temporada eu esperava tudo, mas só não esperava Fabio nesse nível. Agora ele está em um nível muito bom”.
 
“Fabio foi talvez o cara que ninguém esperava no início da temporada e, passo a passo, ele foi ficando mais e mais rápido”, reconheceu. “Fora isso, o mais importante é que em algumas corridas foram motos da Ducati, em outras Suzuki e em outras Yamaha, mas nós estávamos sempre lá. Isso é o mais importante”, concluiu.
 
Muito embora certamente tenha uma festa preparada para os próximos dias, Márquez deixou claro que o trabalho ainda não terminou em 2019. Afinal, a briga pela tríplice coroa segue. Será que, sozinho, ele dá conta de cobrir a falta de performance de Lorenzo para dar à Honda o título de Equipes? É o que nós vamos ver nos próximos quatro capítulos.
 
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