Em ano dominado por Márquez, MotoGP escapa da monotonia com renascimento de Rossi e boas regras

Depois de surpreender o mundo do esporte com uma estreia espetacular, Marc Márquez voltou mais forte em 2014 e estendeu seu domínio na MotoGP. Mesmo com renascimento de Valentino Rossi e recuperação de Jorge Lorenzo, o piloto da Honda venceu as dez primeiras provas do ano — 13 no total —, mas não tornou o Mundial monótono

O livro dos recordes vai mostrar 2014 como uma temporada de Marc Márquez. Dono de 13 triunfos no ano — dez consecutivos —, o espanhol mais uma vez mostrou toda sua qualidade e conseguiu chegar ao segundo título na MotoGP, se convertendo no mais jovem bicampeão da história da classe rainha do Mundial de Motovelocidade.
 
Embora Márquez tenha engrandecido a lenda ao vencer as dez primeiras provas do ano — Catar, Austin, Argentina, Espanha, França, Itália, Catalunha, Holanda, Alemanha e Indianápolis —, o piloto da Honda não conseguiu — e também não tentou — transformar o campeonato em algo monótono.
Valentino Rossi e Marc Márquez tiveram grandes momentos na temporada 2014 (Foto: Getty Images)
Sempre aguerrido, Marc teve poucas vitórias fáceis em 2014 e quando não eram os rivais que apareciam para atormentá-lo, o clima tratava de fazer sem papel.
 
No Catar, por exemplo, Marc precisou duelar com Valentino Rossi até a volta final e foi só nos últimos metros que conseguiu se afastar do italiano para garantir a conquista. Em Le Mans, por outro lado, Márquez largou mal e depois de escapar da pista, despencou para o décimo posto.
 
O piloto de 21 anos passou, então, a escalar o pelotão até chegar em Rossi, que liderava a disputa desde o quarto giro. Ainda com a YZR-M1 rendendo menos que a RC13V, o italiano fez o que pôde para segurar o rival, mas acabou perdendo a ponta.
 
Em Mugello, a história foi diferente. Depois de um início de ano para lá de difícil, Jorge Lorenzo ressurgiu na Itália e foi impecável durante a disputa. Márquez, entretanto, guardou um golpe certeiro para a volta final e chegou ao sexto triunfo do ano.
 
Na Catalunha, Márquez, Rossi e Dani Pedrosa promoveram um festão para celebrar o aniversário de 65 anos do Mundial de Motovelocidade. O italiano da Yamaha liderou parte da disputa, mas viu os rivais espanhóis se instalarem à frente já nas voltas finais.
 
Tentando superar o companheiro de Honda, Pedrosa acabou tocando a roda traseira de Márquez e escapou da pista, permitindo a passagem de Rossi, que não teve chance de impedir um novo triunfo do então líder do Mundial.
Jorge Lorenzo, por outro lado, teve seu pior início de temporada em 2014 (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)
Em Assen foi a chuva quem movimentou a corrida, mas o formato flag-to-flag não impediu uma nova vitória do menino prodígio espanhol. O tempo também contribuiu para movimentar a corrida de Sachsenring, mas não o bastante para tirar Marc do topo do pódio.
 
Depois de superar uma largada ruim em Indianápolis e chegar ao décimo triunfo do ano, Márquez viu seu domínio acabar em Brno, quando Pedrosa aproveitou a chance de fugir com o livro dos recordes e impedir que Marc se tornasse o piloto com mais vitórias consecutivas na história.
 
Em Silverstone, o #93 voltou à velha forma, mas teve e encarar um inspirado Lorenzo para vencer mais uma vez. A partir de Aragão, a Yamaha conseguiu uma bela recuperação e colocou a YR-M1 para peitar a RC213V em condições de igualdade.
 
Em uma corrida enlouquecida pela chuva, Rossi, Pedrosa e Márquez caíram, mas Lorenzo foi impecável no MotorLand e venceu após acertar na estratégia. 
 
Embalado pelo triunfo, o piloto de Palma de Mallorca repetiu a vitória em Motegi, onde assistiu Márquez ser coroado campeão.
 
Completando a sequência de Iwata, Rossi venceu em Phillip Island após o piloto da Honda 93 cair quando liderava com folga. O italiano seguiu pressionando na prova de Sepang, mas, desta vez, não conseguiu segurar o espanhol.
 
Para completar a lista de 13 vitórias na temporada, Márquez não se deixou atrapalhar pela chuva e aproveitou a corrida em casa para festejar o título. Rossi, por sua vez, garantiu o vice-campeonato.
Dani Pedrosa brilhou aqui e ali, mas, no geral, não fez um bom ano (Foto: Getty Images)
Além do show organizado pelos tradicionais ponteiros — especialmente Márquez, Rossi e Lorenzo —, a temporada 2014 também mostrou que a Dorna, promotora do Mundial, e a FIM (Federação Internacional de Motociclismo) acertaram em cheio com a nova regulamentação.
 
Ainda na cruzada contra os altos custos do Mundial, os organizadores introduziram uma nova categoria — Aberta —, que prevê uma série de concessões às equipes participantes.
 
Na nova classe, que chegou para substituir as agora extintas CRT, as motos devem usar uma ECU padrão, com software e hardware fornecidos pela Magneti Marelli, e, por isso, têm direito de usar um tanque de combustível de 24 litros, 12 motores não congelados por temporada e um pneu traseiro mais macio do que o usado pelas equipes de fábrica. 
 
Precisando correr trás do prejuízo, a Ducati aceitou obedecer ao novo regulamento e, assim, garantiu que teria a chance de permanecer desenvolvendo seu motor.
 
Ao longo do ano, a casa e Borgo Panigale mostrou que finalmente encontrou o caminho que eventualmente a levará de volta a pódio e fecha o ano fortalecida.
Depois de muito tentar, Ducati parece ter encontrado um caminho na MotoGP (Foto: Ducati)
A MotoGP, por sua vez, mostrou que ao contrário da irmã rica — a F1 — achou uma maneira de controlar os custos e garantir a competitividade. O Mundial fecha o ano com uma equipe dizendo adeus — a Paul Bird, que decidiu se dedicar ao Campeonato Britânico —, mas vai para a próxima temporada com duas fábricas de volta ao certame — Suzuki e Aprilia.
 
Márquez foi quem mais venceu, mas os fãs da motovelocidade foram os grandes vitoriosos de 2014, já que além do espetáculo fornecido pelo espanhol, viram Rossi de volta à boa forma, Lorenzo reencontrar o rumo depois de um início de temporada para lá de difícil — que contou com uma queimada de largada nada discreta em Austin —, a Ducati dar sinais de vida depois de anos presa à masmorra e Aleix Espargaró mostrar mais uma vez que merece um lugar na elite. 
MELHORES DO ANO

E assim, como num passe de mágica, 2014 passou. Foi rápido mesmo. Se Vettel decepcionou, a Mercedes dominou e o medo de acidentes fatais voltou à F1; se a Ganassi não correspondeu e Will Power fez chegar o dia que parecia inalcançável; se Márquez deu mais um passou para construir uma dinastia; se Rubens Barrichello viveu sua redenção, tudo isso é sinal das marcas de 2014 no automobilismo. Para encerrar e reforçar o que aconteceu no ano, .

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